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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg483484
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
Sobre o hiperparatireoidismo primário (HPTP), assinale a alternativa correta.
  1. AO diagnóstico exige hipercalcemia persistente acompanhada de PTH suprimido, após excluir causas secundárias.
  2. BA hipercalciúria é um achado constante e, quando ausente, exclui o diagnóstico de HPTP.
  3. CO carcinoma de paratireoide representa cerca de 10% dos casos de HPTP, sendo frequentemente associado a hipocalcemia pós-operatória grave.
  4. DO tratamento com calcimiméticos está indicado em pacientes jovens e assintomáticos como primeira linha, substituindo a cirurgia em centros especializados.
  5. EEntre os critérios cirúrgicos em pacientes assintomáticos, incluem-se: idade <50 anos, TFG <60 mL/min/1,73 m², calciúria >400 mg/24h associada a risco de nefrolitíase e densidade mineral óssea T-score ≤–2,5 em qualquer sítio.
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GabaritoE — Entre os critérios cirúrgicos em pacientes assintomáticos, incluem-se: idade <50 anos, TFG <60 mL/min/1,73 m², calciúria >400 mg/24h associada a risco de nefrolitíase e densidade mineral óssea T-score ≤–2,5 em qualquer sítio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperparatireoidismo primário (HPTP): diagnóstico e critérios cirúrgicos

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que lista corretamente os critérios cirúrgicos para pacientes assintomáticos com HPTP: idade <50 anos, TFG <60 mL/min/1,73 m², calciúria >400 mg/24h com risco de nefrolitíase e T-score ≤–2,5 em qualquer sítio. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes sobre o diagnóstico, a hipercalciúria, a prevalência de carcinoma e o papel dos calcimiméticos.

O hiperparatireoidismo primário (HPTP) é a causa mais comum de hipercalcemia na população geral. A doença é caracterizada pela produção autônoma e excessiva de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides, levando a hipercalcemia. O diagnóstico é firmado pela presença de hipercalcemia com PTH elevado ou inapropriadamente normal — nunca suprimido. O PTH suprimido na vigência de hipercalcemia aponta para outras etiologias, como hipercalcemia da malignidade, intoxicação por vitamina D, sarcoidose, entre outras. Esse é o ponto central que derruba a alternativa A.

A hipercalciúria, por sua vez, é um achado frequente no HPTP, mas não é constante nem obrigatória para o diagnóstico. O PTH aumenta a reabsorção tubular renal de cálcio, o que pode, em alguns pacientes, resultar em calciúria normal ou até baixa. A ausência de hipercalciúria, portanto, não exclui o diagnóstico — o que invalida a alternativa B. A hipercalciúria tem importância prognóstica, pois se associa a maior risco de nefrolitíase, e por isso entra nos critérios cirúrgicos.

O carcinoma de paratireoide é uma causa rara de HPTP, responsável por menos de 1% dos casos — e não 10%, como afirma a alternativa C. Quando presente, costuma cursar com hipercalcemia muito elevada e níveis de PTH extremamente altos. A hipocalcemia pós-operatória grave, descrita na alternativa, é uma complicação possível, mas está mais relacionada à síndrome da fome óssea, que ocorre em pacientes com doença óssea grave após a paratireoidectomia, e não é uma característica específica do carcinoma.

Os calcimiméticos, como o cinacalcete, são medicamentos que aumentam a sensibilidade do receptor sensível ao cálcio (CaSR) na paratireoide, reduzindo a secreção de PTH. Seu uso está indicado em situações específicas: pacientes com carcinoma de paratireoide não ressecável, hipercalcemia grave em pacientes que não são candidatos à cirurgia, ou HPTP refratário. Não são primeira linha para pacientes jovens e assintomáticos, nos quais a cirurgia é o tratamento de escolha — a alternativa D inverte essa lógica.

A alternativa E, correta, resume os critérios cirúrgicos para pacientes assintomáticos, que foram estabelecidos por consensos internacionais (como o do NIH) e atualizados ao longo dos anos. Esses critérios visam identificar pacientes que, apesar de assintomáticos, têm risco aumentado de complicações e se beneficiam da paratireoidectomia. São eles: idade <50 anos, TFG <60 mL/min/1,73 m², calciúria >400 mg/24h (com risco aumentado de nefrolitíase), T-score ≤–2,5 em qualquer sítio (osteoporose), e cálcio sérico >1 mg/dL acima do limite superior da normalidade. A alternativa E lista corretamente quatro desses critérios.

A pegadinha central desta questão está na inversão do PTH no diagnóstico (alternativa A) e na superestimativa da prevalência do carcinoma (alternativa C). O candidato que decora o diagnóstico como "hipercalcemia + PTH elevado" acerta a A como errada; quem sabe que o carcinoma é raro elimina a C. A alternativa E exige conhecimento específico dos critérios cirúrgicos, que são cobrados com frequência em provas de endocrinologia.

Critério

HPTP (diagnóstico)

Outras causas de hipercalcemia

PTH

Elevado ou inapropriadamente normal

Suprimido

Mecanismo

Produção autônoma de PTH

Ex.: malignidade, intoxicação por vitamina D, sarcoidose

Exemplo de condição

HPTP (adenoma, hiperplasia, carcinoma)

Hipercalcemia da malignidade, sarcoidose

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que o diagnóstico exige PTH suprimido. No HPTP, o PTH está elevado ou inapropriadamente normal, apesar da hipercalcemia. O PTH suprimido indica que a hipercalcemia tem outra causa, como hipercalcemia da malignidade, intoxicação por vitamina D ou sarcoidose. O raciocínio diagnóstico correto é: hipercalcemia + PTH elevado = HPTP (ou hiperparatireoidismo terciário, se DRC avançada); hipercalcemia + PTH suprimido = outras causas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipercalciúria não é um achado constante no HPTP. O PTH aumenta a reabsorção tubular de cálcio, o que pode resultar em calciúria normal ou até baixa em alguns pacientes. A ausência de hipercalciúria não exclui o diagnóstico. A hipercalciúria é um marcador de risco para nefrolitíase e, por isso, integra os critérios cirúrgicos, mas não é um critério diagnóstico obrigatório.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O carcinoma de paratireoide é uma causa rara de HPTP, responsável por menos de 1% dos casos — e não 10%. A hipocalcemia pós-operatória grave não é uma característica específica do carcinoma; ela ocorre mais comumente como parte da síndrome da fome óssea, que acomete pacientes com doença óssea grave (osteíte fibrosa cística) após a paratireoidectomia, independentemente da etiologia benigna ou maligna.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os calcimiméticos (cinacalcete) não são primeira linha para pacientes jovens e assintomáticos. A cirurgia é o tratamento de escolha nesses casos. Os calcimiméticos são reservados para situações específicas: carcinoma de paratireoide não ressecável, hipercalcemia grave em pacientes que não são candidatos à cirurgia, ou HPTP refratário ao tratamento cirúrgico. A alternativa inverte a indicação do medicamento.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa lista corretamente os critérios cirúrgicos para pacientes assintomáticos com HPTP: idade <50 anos, TFG <60 mL/min/1,73 m², calciúria >400 mg/24h associada a risco de nefrolitíase e T-score ≤–2,5 em qualquer sítio. Esses critérios, estabelecidos por consensos internacionais, identificam pacientes assintomáticos com risco aumentado de complicações (fraturas, nefrolitíase, declínio renal) que se beneficiam da paratireoidectomia. A alternativa está correta e completa.

Gabarito: letra E

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