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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg483485
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
Em relação ao diagnóstico e manejo dos prolactinomas, assinale a alternativa correta.
  1. APacientes com hiperprolactinemia leve (<5x o limite superior da normalidade) não necessitam de repetição do exame, sendo suficiente a correlação clínica e radiológica inicial.
  2. BMicroprolactinomas (<10 mm) apresentam risco elevado de crescimento progressivo para macroprolactinomas, justificando tratamento agressivo precoce em todos os casos.
  3. CA pesquisa de mutação germinativa em MEN1 deve ser realizada rotineiramente em todo paciente com prolactinoma diagnosticado acima dos 50 anos.
  4. DA normalização da prolactina sérica geralmente não reverte a disfunção gonadal em homens com macroprolactinoma, devendo-se considerar reposição hormonal obrigatória imediata.
  5. EA presença de massa selar em imagem deve sempre levar à investigação de hiperprolactinemia, visto que outras lesões podem cursar com “efeito haste” e elevação de prolactina.
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GabaritoE — A presença de massa selar em imagem deve sempre levar à investigação de hiperprolactinemia, visto que outras lesões podem cursar com “efeito haste” e elevação de prolactina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prolactinomas: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra E. A presença de massa selar em imagem deve sempre levar à investigação de hiperprolactinemia, pois outras lesões podem cursar com “efeito haste” (compressão da haste hipofisária) e elevação de prolactina — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais: a A subestima a necessidade de repetição do exame, a B superestima o risco de crescimento dos microprolactinomas, a C generaliza a indicação de pesquisa de MEN1 e a D inverte o efeito da normalização da prolactina sobre a função gonadal.

O prolactinoma é o tumor hipofisário secretor mais comum, responsável por cerca de 40% de todos os adenomas hipofisários. Trata-se de neoplasia benigna, de crescimento lento, que se classifica em microprolactinoma (< 10 mm) e macroprolactinoma (≥ 10 mm). A hiperprolactinemia resultante causa hipogonadismo hipogonadotrófico, com manifestações clínicas distintas entre os sexos: nas mulheres, oligomenorreia/amenorreia, galactorreia e infertilidade; nos homens, diminuição da libido, disfunção erétil e infertilidade. Em tumores grandes, sintomas de efeito de massa — cefaleia e alterações do campo visual (hemianopsia) — são comuns.

O diagnóstico laboratorial baseia-se na dosagem sérica de prolactina, que costuma correlacionar-se com o tamanho do tumor. Níveis acima de 250 ng/mL praticamente confirmam o diagnóstico de prolactinoma. Dois artefatos merecem atenção: a macroprolactina (forma polimérica biologicamente inativa, que eleva a prolactina sem sintomas) e o efeito gancho (níveis falsamente baixos em tumores grandes, superado pela diluição da amostra). A investigação etiológica inclui ressonância magnética de hipófise, que pode não detectar microprolactinomas por suas dimensões reduzidas.

O diagnóstico diferencial é crucial: tumores selares não secretores (craniofaringeomas, meningeomas, metástases) podem comprimir a haste hipofisária, bloqueando o transporte de dopamina do hipotálamo para a hipófise e causando hiperprolactinemia por desinibição dos lactotrofos — o chamado “efeito haste” ou “pseudoprolactinoma”. Nesses casos, a prolactina costuma estar apenas levemente elevada (geralmente < 200 ng/mL), desproporcional ao tamanho da lesão. Por isso, a presença de massa selar em imagem deve sempre motivar a dosagem de prolactina, independentemente da suspeita clínica inicial.

O tratamento de primeira linha é clínico, com agonistas dopaminérgicos (cabergolina ou bromocriptina), que normalizam a prolactina, reduzem o tamanho tumoral e restauram a função gonadal em mais de 80% dos pacientes. A normalização da prolactina reverte o hipogonadismo na grande maioria dos casos, tornando desnecessária a reposição hormonal imediata na maioria dos pacientes. A cirurgia transesfenoidal fica reservada para casos de resistência ou intolerância aos medicamentos, apoplexia hipofisária ou compressão quiasmática com urgência.

A banca explora neste tema a confusão entre prolactinoma verdadeiro e pseudoprolactinoma, além de distorcer conceitos sobre o risco de crescimento dos microprolactinomas e a indicação de screening genético. Guarde a fronteira entre o que é produção tumoral de prolactina e o que é compressão da haste: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Prolactinoma verdadeiro

Pseudoprolactinoma (efeito haste)

Mecanismo

Secreção tumoral autônoma de prolactina pelos lactotrofos

Compressão da haste hipofisária por lesão selar não secretora, bloqueando o transporte de dopamina

Nível de prolactina

Geralmente > 250 ng/mL, proporcional ao tamanho do tumor

Geralmente < 200 ng/mL, desproporcional ao tamanho da lesão

Lesão selar típica

Adenoma hipofisário secretor (micro ou macroprolactinoma)

Craniofaringeoma, meningeoma, metástase ou outro tumor não secretor

Tratamento de primeira linha

Agonistas dopaminérgicos (cabergolina ou bromocriptina)

Tratamento da lesão causal (cirurgia, radioterapia, etc.)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hiperprolactinemia leve (< 5x o limite superior da normalidade) não dispensa a repetição do exame. A confirmação diagnóstica exige pelo menos duas dosagens elevadas, pois a prolactina pode estar transitoriamente aumentada por estresse, exercício, manipulação mamária ou punção venosa. Além disso, a correlação clínica e radiológica inicial não substitui a confirmação laboratorial. O erro está em afirmar que “não necessitam de repetição do exame” — a prática recomendada é repetir a dosagem para confirmar a elevação antes de prosseguir a investigação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Microprolactinomas (< 10 mm) não apresentam risco elevado de crescimento progressivo para macroprolactinomas. Estudos de seguimento mostram que o risco de crescimento é baixo (cerca de 5-10% em 5-10 anos), e a maioria permanece estável ou até regride espontaneamente. Portanto, não se justifica tratamento agressivo precoce em todos os casos. A conduta inicial em microprolactinomas assintomáticos pode ser apenas observação, com acompanhamento clínico e laboratorial periódico. A alternativa erra ao generalizar o risco e a necessidade de tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pesquisa de mutação germinativa em MEN1 não deve ser realizada rotineiramente em todo paciente com prolactinoma diagnosticado acima dos 50 anos. O screening genético para MEN1 é indicado em casos selecionados: prolactinomas múltiplos ou recorrentes, associação com outros tumores característicos da síndrome (paratireoide, pâncreas endócrino, hipófise), história familiar de MEN1 ou diagnóstico em idade jovem (geralmente < 30-40 anos). Em pacientes acima de 50 anos, com prolactinoma esporádico e sem outras características da síndrome, a probabilidade de MEN1 é muito baixa, não justificando o rastreamento genético rotineiro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A normalização da prolactina sérica geralmente reverte a disfunção gonadal em homens com macroprolactinoma. O hipogonadismo é consequência da supressão do eixo gonadotrófico pela hiperprolactinemia, e o tratamento com agonistas dopaminérgicos restaura a função gonadal em mais de 80% dos pacientes. Portanto, não se deve considerar reposição hormonal obrigatória imediata. A reposição de testosterona só é considerada se o hipogonadismo persistir após a normalização da prolactina, o que ocorre em minoria dos casos. A alternativa inverte a relação causal e a conduta recomendada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de massa selar em imagem deve sempre levar à investigação de hiperprolactinemia, pois outras lesões podem cursar com “efeito haste” e elevação de prolactina. Tumores não secretores (craniofaringeomas, meningeomas, metástases, etc.) podem comprimir a haste hipofisária, bloqueando o transporte de dopamina do hipotálamo para a hipófise, o que desinibe os lactotrofos e eleva a prolactina. Essa hiperprolactinemia secundária é geralmente leve a moderada (< 200 ng/mL), desproporcional ao tamanho da lesão. A alternativa está correta ao afirmar que a investigação de hiperprolactinemia é mandatória diante de qualquer massa selar, independentemente da suspeita inicial de prolactinoma.

Gabarito: letra E

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