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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg483489
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
Sobre a conduta frente a nódulos de tireoide, assinale a alternativa correta.
  1. ATodo nódulo tireoidiano identificado deve ser submetido à punção aspirativa, independentemente do tamanho, em crianças, principalmente os nódulos hipoecogênicos.
  2. BO sistema EU-TIRADS recomenda que nódulos classificados como EU-TIRADS 5 devem ser puncionados apenas quando ≥20 mm, sendo a classificação de menor risco radiológico.
  3. CO seguimento de nódulos EU-TIRADS 2, independentemente do tamanho, deve ser anual com ultrassonografia cervical. Em caso de crescimento de pelo menos 50% em volume, deverão ser puncionados.
  4. DA decisão de repetir a PAAF em nódulos inicialmente não diagnósticos deve considerar a estratificação ultrassonográfica, sendo mandatória em EU-TIRADS 4 e 5 quando houver discrepância com o achado citopatológico.
  5. EA supressão com levotiroxina é recomendada em pacientes eutireoideos com nódulos benignos para reduzir o risco de malignização, principalmente aqueles com conteúdo marcadamente hipoecogênicos.
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GabaritoD — A decisão de repetir a PAAF em nódulos inicialmente não diagnósticos deve considerar a estratificação ultrassonográfica, sendo mandatória em EU-TIRADS 4 e 5 quando houver discrepância com o achado citopatológico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulos de tireoide: conduta e estratificação de risco

Gabarito: letra D. A conduta frente a nódulos tireoidianos é guiada pela estratificação ultrassonográfica (sistemas como EU-TIRADS e ACR TI-RADS) e pelo resultado citopatológico (Sistema de Bethesda). A alternativa correta reflete a recomendação de que, em nódulos inicialmente não diagnósticos (Bethesda I), a decisão de repetir a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) deve considerar o risco ultrassonográfico, sendo mandatória em nódulos de alto risco (EU-TIRADS 4 e 5) quando há discrepância com o achado citopatológico. As demais alternativas distorcem critérios de tamanho, seguimento e tratamento.

A avaliação de nódulos tireoidianos é um dos temas mais frequentes na prática endocrinológica e em provas de residência e concursos. O ponto central é que nem todo nódulo precisa ser puncionado — a indicação de PAAF depende de uma combinação entre o tamanho do nódulo e suas características ultrassonográficas de risco. Sistemas de estratificação como o EU-TIRADS (europeu) e o ACR TI-RADS (americano) classificam os nódulos de 1 a 5, conforme o risco de malignidade, e cada categoria tem um limiar de tamanho para indicar a punção. Por exemplo, nódulos EU-TIRADS 5 (alto risco) são puncionados a partir de 10 mm, enquanto nódulos EU-TIRADS 3 (risco intermediário) são puncionados a partir de 20 mm. Essa lógica evita procedimentos desnecessários em nódulos de baixo risco e garante a investigação precoce dos suspeitos.

O Sistema de Bethesda padroniza os laudos citológicos em seis categorias, cada uma com risco de malignidade estimado. A categoria Bethesda I corresponde a material não diagnóstico ou insatisfatório — ou seja, a punção não trouxe células suficientes para uma conclusão. Nesses casos, a conduta não é automática: a repetição da PAAF deve considerar o risco ultrassonográfico do nódulo. Em nódulos de alto risco (EU-TIRADS 4 e 5), a repetição é mandatória, especialmente se houver discrepância entre o que a ultrassonografia sugere e o que a citologia mostrou. Já em nódulos de baixo risco, a repetição pode ser adiada ou substituída por seguimento.

O seguimento dos nódulos não puncionados também segue critérios definidos. Nódulos de baixo risco (EU-TIRADS 2) podem ser acompanhados com ultrassonografia em intervalos maiores que 12 meses, e o crescimento isolado não é, por si só, indicação de punção — o que importa é a mudança na classificação de risco ou o surgimento de características suspeitas. A supressão com levotiroxina em pacientes eutireoideos com nódulos benignos não é recomendada, pois não reduz o risco de malignização e pode causar efeitos adversos. Essa prática foi abandonada pelas diretrizes atuais.

A pegadinha desta questão está em inverter critérios de tamanho e de seguimento, além de sugerir tratamentos sem evidência. A banca explora a confusão entre os limiares de punção de cada categoria EU-TIRADS e a recomendação de repetir a PAAF em nódulos não diagnósticos. Guarde a lógica: quanto maior o risco ultrassonográfico, menor o tamanho necessário para indicar a punção — e é exatamente essa relação que separa as alternativas corretas das incorretas.

Critério

EU-TIRADS 5 (Alto Risco)

EU-TIRADS 3 (Risco Intermediário)

EU-TIRADS 2 (Baixo Risco)

Limiar de punção (PAAF)

≥10 mm

≥20 mm

Não indicada (apenas seguimento)

Risco radiológico

Maior risco

Risco intermediário

Menor risco

Conduta em Bethesda I (não diagnóstico)

Repetição mandatória

Repetição mandatória

Repetição pode ser adiada ou substituída por seguimento

Seguimento (quando não puncionado)

Intervalos >12 meses; crescimento isolado não indica punção

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que todo nódulo tireoidiano deve ser puncionado, independentemente do tamanho, em crianças, principalmente os hipoecogênicos. Isso contraria a lógica da estratificação de risco: mesmo em crianças, a PAAF é indicada com base no tamanho e nas características ultrassonográficas, não em todos os nódulos. Nódulos pequenos e de baixo risco podem ser apenas acompanhados. A alternativa erra ao generalizar a indicação de punção para todos os nódulos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que nódulos EU-TIRADS 5 devem ser puncionados apenas quando ≥20 mm, sendo a classificação de menor risco radiológico. Há dois erros: (1) EU-TIRADS 5 é a categoria de maior risco, não menor; (2) o limiar de punção para EU-TIRADS 5 é ≥10 mm, não ≥20 mm. O limiar de 20 mm se aplica a categorias de risco intermediário (EU-TIRADS 3). A alternativa inverte completamente a lógica da estratificação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que nódulos EU-TIRADS 2 devem ser seguidos anualmente, independentemente do tamanho, e que crescimento de pelo menos 50% em volume indica punção. O seguimento de nódulos de baixo risco não é necessariamente anual — as diretrizes recomendam intervalos maiores que 12 meses, e o crescimento isolado não é indicação de punção. O que importa é a mudança na classificação de risco ou o surgimento de características suspeitas. A alternativa erra ao fixar um intervalo anual e ao considerar o crescimento como critério isolado de punção.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a decisão de repetir a PAAF em nódulos inicialmente não diagnósticos deve considerar a estratificação ultrassonográfica, sendo mandatória em EU-TIRADS 4 e 5 quando houver discrepância com o achado citopatológico. Isso está correto: nódulos de alto risco (EU-TIRADS 4 e 5) com citologia não diagnóstica (Bethesda I) devem ser reavaliados, e a repetição da punção é mandatória, especialmente se a ultrassonografia sugere malignidade. A alternativa reflete a recomendação das diretrizes atuais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a supressão com levotiroxina é recomendada em pacientes eutireoideos com nódulos benignos para reduzir o risco de malignização. Isso é falso: a supressão com levotiroxina não é recomendada em pacientes eutireoideos, pois não reduz o risco de malignização e pode causar efeitos adversos (como arritmias e perda óssea). O tratamento com levotiroxina é indicado apenas para pacientes com hipotireoidismo ou para supressão do TSH em casos selecionados de câncer de tireoide, não para nódulos benignos.

Gabarito: letra D

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