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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg483491
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
Mulher de 27 anos apresenta fadiga progressiva, hiperpigmentação em cicatrizes antigas, hipotensão ortostática e episódios de hipoglicemia. Os exames revelam: Na⁺ 128 mEq/L, K⁺ 5,8 mEq/L, cortisol basal 2,1 µg/dL, ACTH 210 pg/mL. O teste de estímulo com ACTH (250 µg) mostrou cortisol de 2,5 µg/dL em 60 minutos. A dosagem de autoanticorpos contra 21-hidroxilase foi positiva. História pessoal de hipotireoidismo de Hashimoto. Considerando as recomendações atuais sobre insuficiência adrenal primária autoimune, assinale a alternativa correta.
  1. AAutoanticorpos contra 21-hidroxilase confirma autoimunidade e, em associação com hipotireoidismo, deve levantar a hipótese de síndrome poliglandular autoimune tipo II.
  2. BO tratamento deve incluir hidrocortisona em dose única matinal para mimetizar o ritmo circadiano do cortisol, sem necessidade de doses adicionais.
  3. CA reposição mineralocorticoide é raramente necessária na adrenalite autoimune, pois a produção de aldosterona tende a ser preservada.
  4. DO uso de DHEA está contraindicado em mulheres em idade fértil com adrenalite autoimune devido ao risco aumentado de hiperandrogenismo.
  5. EA pesquisa de autoanticorpos não tem relevância clínica, já que a confirmação diagnóstica depende obrigatoriamente de imagem de adrenais.
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GabaritoA — Autoanticorpos contra 21-hidroxilase confirma autoimunidade e, em associação com hipotireoidismo, deve levantar a hipótese de síndrome poliglandular autoimune tipo II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Adrenal Primária Autoimune e Síndrome Poliglandular Autoimune

Gabarito: letra A. A paciente apresenta insuficiência adrenal primária (IAP) autoimune, confirmada pela positividade dos autoanticorpos anti-21-hidroxilase, e a associação com hipotireoidismo de Hashimoto caracteriza a síndrome poliglandular autoimune (SPA) tipo II. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o tratamento da IAP, a reposição mineralocorticoide, o uso de DHEA e o papel dos autoanticorpos no diagnóstico.

A insuficiência adrenal primária, também conhecida como doença de Addison, é caracterizada pela destruição do córtex da glândula adrenal, resultando em deficiência de glicocorticoides (cortisol), mineralocorticoides (aldosterona) e andrógenos adrenais (DHEA). A causa mais comum nos países desenvolvidos é a adrenalite autoimune, na qual o sistema imunológico ataca as enzimas da esteroidogênese, principalmente a 21-hidroxilase. A destruição autoimune leva à elevação do ACTH por falta de feedback negativo, o que explica a hiperpigmentação (estimulação dos melanócitos pelo ACTH e seus precursores), a hiponatremia e a hipercalemia (por deficiência de aldosterona) e a hipoglicemia (por deficiência de cortisol).

O diagnóstico é firmado pela combinação de cortisol basal baixo (geralmente < 5 µg/dL) com ACTH elevado (frequentemente > 100 pg/mL), como no caso da paciente (cortisol 2,1 µg/dL e ACTH 210 pg/mL). O teste de estímulo com ACTH (cosintropina) mostra resposta inadequada (cortisol < 18 µg/dL após estímulo), confirmando a insuficiência adrenal. A dosagem de autoanticorpos anti-21-hidroxilase é útil para confirmar a etiologia autoimune, especialmente em pacientes jovens com outras doenças autoimunes.

A síndrome poliglandular autoimune (SPA) é caracterizada pela presença de múltiplas doenças autoimunes em um mesmo indivíduo. A SPA tipo II é definida pela associação de insuficiência adrenal autoimune com doença tireoidiana autoimune (tireoidite de Hashimoto ou doença de Graves) e/ou diabetes mellitus tipo 1. A paciente apresenta exatamente essa combinação: IAP autoimune + hipotireoidismo de Hashimoto, o que fecha o diagnóstico de SPA tipo II. É importante reconhecer essa síndrome porque o paciente deve ser monitorado para o desenvolvimento de outras doenças autoimunes associadas.

O tratamento da IAP envolve a reposição de glicocorticoides e mineralocorticoides. A hidrocortisona é o glicocorticoide de escolha, mas deve ser administrada em doses fracionadas (geralmente 2 a 3 vezes ao dia) para mimetizar o ritmo circadiano do cortisol, e não em dose única matinal. A reposição mineralocorticoide (fludrocortisona) é quase sempre necessária na IAP, pois a produção de aldosterona é comprometida pela destruição adrenal. O DHEA pode ser considerado em mulheres com sintomas de deficiência androgênica, mas não é contraindicado em idade fértil; a contraindicação seria em casos de hiperandrogenismo prévio. Os autoanticorpos têm relevância clínica para confirmar a etiologia autoimune, e a imagem de adrenais é útil para excluir outras causas (como hemorragia, infecção ou metástases), mas não é obrigatória para o diagnóstico quando a autoimunidade é confirmada.

A distinção entre IAP e insuficiência adrenal secundária (IAC) é fundamental. Na IAP, o ACTH está elevado, há hiperpigmentação, hipercalemia e hiponatremia (por deficiência mineralocorticoide). Na IAC, o ACTH está baixo ou inapropriadamente normal, não há hiperpigmentação, e os níveis de aldosterona são preservados (pois a produção de mineralocorticoides é regulada principalmente pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona, não pelo ACTH). A paciente apresenta todas as características de IAP: ACTH elevado, hiperpigmentação, hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia.

A pegadinha desta questão está na alternativa B, que propõe hidrocortisona em dose única matinal. O candidato pode confundir o esquema de reposição com o ritmo circadiano fisiológico, mas a prática clínica recomenda doses fracionadas para evitar tanto a insuficiência quanto o excesso de glicocorticoide. A alternativa C também é uma armadilha, pois sugere que a reposição mineralocorticoide é raramente necessária, quando na verdade é a regra na IAP. A alternativa D inverte a lógica do uso de DHEA, e a alternativa E desconsidera o valor dos autoanticorpos no diagnóstico etiológico.

Guarde a fronteira entre IAP e IAC, e entre SPA tipo I e tipo II: é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.

Critério

Insuficiência Adrenal Primária (IAP)

Insuficiência Adrenal Secundária (IAC)

Nível de ACTH

Elevado

Baixo ou inapropriadamente normal

Hiperpigmentação

Presente

Ausente

Aldosterona

Comprometida (hiponatremia, hipercalemia)

Preservada

Causa mais comum

Adrenalite autoimune (anti-21-hidroxilase)

Uso crônico de glicocorticoides exógenos

Insuficiência adrenal primária
  • 1Causa autoimune
    • Anti-21-hidroxilase positivo
    • SPA tipo II (com tireoidite)
  • 2Diagnóstico
    • Cortisol baixo + ACTH alto
    • Teste de estímulo sem resposta
  • 3Tratamento
    • Hidrocortisona fracionada
    • Fludrocortisona (quase sempre)
    • DHEA (se sintomas androgênicos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque a positividade dos autoanticorpos anti-21-hidroxilase confirma a etiologia autoimune da insuficiência adrenal primária. A associação com hipotireoidismo de Hashimoto (doença tireoidiana autoimune) caracteriza a síndrome poliglandular autoimune tipo II, que é definida pela presença de IAP autoimune com doença tireoidiana autoimune e/ou diabetes mellitus tipo 1. A paciente preenche exatamente esses critérios.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque o tratamento com hidrocortisona na IAP não deve ser feito em dose única matinal. A recomendação é administrar a hidrocortisona em doses fracionadas (geralmente 2 a 3 vezes ao dia), com a maior dose pela manhã e doses menores ao longo do dia, para mimetizar o ritmo circadiano do cortisol. Dose única matinal não reproduz o padrão fisiológico e pode levar a períodos de hipocortisolismo no final do dia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque a reposição mineralocorticoide é quase sempre necessária na adrenalite autoimune. A destruição adrenal compromete a produção de aldosterona, levando a hiponatremia, hipercalemia e hipotensão. A fludrocortisona é o mineralocorticoide de escolha e deve ser iniciada na maioria dos pacientes com IAP, com ajuste de dose baseado nos níveis de renina, potássio e pressão arterial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque o uso de DHEA não é contraindicado em mulheres em idade fértil com adrenalite autoimune. O DHEA pode ser considerado em mulheres com sintomas de deficiência androgênica (como baixa libido, fadiga e diminuição de pelos), mas deve ser usado com cautela e monitoramento. A contraindicação seria em casos de hiperandrogenismo prévio ou tumores hormônio-dependentes, não na adrenalite autoimune em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque a pesquisa de autoanticorpos tem relevância clínica significativa. A positividade dos autoanticorpos anti-21-hidroxilase confirma a etiologia autoimune da IAP, o que é importante para o diagnóstico de síndromes poliglandulares e para o rastreamento de outras doenças autoimunes. A imagem de adrenais (tomografia) é útil para excluir outras causas (como hemorragia, infecção ou metástases), mas não é obrigatória para o diagnóstico quando a autoimunidade é confirmada por autoanticorpos.

Gabarito: letra A

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