Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg483492
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Endocrinologia e Metabologia Pediátrica
Sobre a insuficiência adrenal após o uso de corticosteroides, assinale a alternativa correta.
AO risco de insuficiência adrenal ocorre apenas em altas doses e uso contínuo superior a 3–4 semanas.
BNa retirada gradual do glicocorticoide, a dosagem de cortisol basal não tem papel, devendo o manejo basear-se exclusivamente em sinais e sintomas.
CInsuficiência adrenal pode ocorrer em todas as vias de administração, sendo mais frequente no uso sistêmico, mas também descrito em formas inaladas e tópicas.
DSintomas clínicos isolados são suficientes para rastrear com segurança a insuficiência adrenal após a suspensão dos corticosteroides.
EApós 6 meses da suspensão, todos os pacientes recuperam a função adrenal, não havendo necessidade de avaliação adicional.
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GabaritoC — Insuficiência adrenal pode ocorrer em todas as vias de administração, sendo mais frequente no uso sistêmico, mas também descrito em formas inaladas e tópicas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência adrenal induzida por corticosteroides
Gabarito: letra C. A insuficiência adrenal (IA) pode ocorrer após o uso de corticosteroides por qualquer via de administração — sistêmica, inalatória, tópica, oftálmica, intra-articular —, sendo mais comum e mais grave no uso sistêmico prolongado, mas também descrita em formas inaladas e tópicas, especialmente em altas doses e uso prolongado. As demais alternativas erram ao restringir o risco a altas doses, ao dispensar a dosagem de cortisol basal na retirada, ao considerar sintomas isolados suficientes para rastreio ou ao afirmar recuperação garantida após 6 meses.
A insuficiência adrenal é um distúrbio caracterizado pela deficiência de glicocorticoides, podendo ou não haver deficiência de mineralocorticoides e andrógenos. No contexto do uso de corticosteroides exógenos, a causa é a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA): o glicocorticoide exógeno liga-se aos receptores de glicocorticoides na hipófise e no hipotálamo, inibindo a secreção de ACTH e CRH, respectivamente. Com a supressão prolongada do ACTH, o córtex adrenal atrofia e perde a capacidade de produzir cortisol endógeno. Quando o corticoide é suspenso, o eixo precisa se recuperar — processo que pode levar de semanas a mais de um ano — e, durante esse período, o paciente pode não conseguir elevar o cortisol em situações de estresse, evoluindo para crise adrenal.
A supressão do eixo HHA depende de dose, duração e via de administração. Doses equivalentes a mais de 5 mg de prednisona por mais de 30 dias, ou 20 mg de prednisona por mais de 2 semanas, são capazes de suprimir o eixo. Contudo, o risco não se restringe a essas situações: mesmo doses menores, por tempo prolongado, ou vias de absorção sistêmica relevante (como inalatória em altas doses e tópica em áreas extensas ou com oclusão) podem causar supressão. A recuperação completa do eixo pode levar 1 ano ou mais, sendo a etapa limitadora a recuperação dos neurônios produtores de CRH.
Na prática clínica, o manejo da retirada do glicocorticoide deve ser individualizado. A dosagem de cortisol basal matinal (entre 6 e 9h) tem papel importante: valores baixos (< 5 μg/dL) indicam supressão e necessidade de reposição; valores intermediários (5–10 μg/dL) sugerem necessidade de teste de estímulo com ACTH (cosintropina); valores normais (> 10–18 μg/dL) indicam função adrenal preservada. Portanto, a alternativa B, que afirma que a dosagem de cortisol basal não tem papel, está incorreta — ela é, na verdade, o primeiro passo da investigação.
Os sintomas de IA são inespecíficos (fadiga, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipotensão postural), o que torna o rastreio baseado apenas em sintomas clínicos inseguro. A confirmação diagnóstica exige avaliação laboratorial, com cortisol basal e, se necessário, teste de estímulo. A alternativa D, que considera sintomas isolados suficientes, está incorreta.
A recuperação da função adrenal após a suspensão dos corticosteroides não é garantida em 6 meses. Embora a maioria dos pacientes se recupere, o processo pode levar mais de um ano, e alguns podem permanecer com supressão parcial. A alternativa E, que afirma recuperação universal em 6 meses, está incorreta.
A alternativa A erra ao afirmar que o risco ocorre "apenas" em altas doses e uso contínuo superior a 3–4 semanas. Embora esses sejam fatores de risco importantes, o risco existe em outras situações, como doses menores por tempo prolongado, e mesmo em vias não sistêmicas. A palavra "apenas" torna a afirmação incorreta.
A alternativa C está correta ao afirmar que a IA pode ocorrer em todas as vias de administração, sendo mais frequente no uso sistêmico, mas também descrita em formas inaladas e tópicas. Isso está alinhado com a literatura e com a prática clínica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na palavra "apenas". O risco de IA não se restringe a altas doses e uso contínuo superior a 3–4 semanas. Doses menores, por tempo prolongado, também podem suprimir o eixo HHA. Além disso, o risco existe em outras vias, como inalatória e tópica, ainda que menos frequente. A banca explora a generalização indevida: o candidato pode pensar que o risco só existe em altas doses, mas a literatura mostra que mesmo doses moderadas por tempo prolongado podem causar supressão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dosagem de cortisol basal tem papel central no manejo da retirada do glicocorticoide. Ela é o primeiro passo para avaliar a função adrenal: valores baixos indicam supressão e necessidade de reposição; valores intermediários indicam necessidade de teste de estímulo; valores normais indicam função preservada. A alternativa inverte o papel do exame, afirmando que ele não tem utilidade — o que contraria a prática clínica e as diretrizes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A IA pode ocorrer em todas as vias de administração de corticosteroides. O uso sistêmico é o mais frequente e o mais associado à supressão do eixo, mas formas inaladas (especialmente em altas doses) e tópicas (em áreas extensas, com oclusão ou em mucosas) também podem causar supressão, embora com menor frequência. A alternativa está correta ao reconhecer essa possibilidade e ao hierarquizar a frequência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os sintomas clínicos de IA são inespecíficos (fadiga, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipotensão postural). Rastrear com segurança apenas por sintomas é impossível, pois muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam sintomas que se confundem com outras condições. O rastreio adequado combina avaliação clínica e laboratorial, com dosagem de cortisol basal e, se necessário, teste de estímulo com ACTH.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A recuperação da função adrenal após a suspensão dos corticosteroides não é garantida em 6 meses. O processo pode levar mais de um ano, e a etapa limitadora é a recuperação dos neurônios produtores de CRH. Alguns pacientes podem permanecer com supressão parcial por tempo prolongado, exigindo acompanhamento e avaliação individualizada. A afirmação de que "todos os pacientes recuperam em 6 meses" é uma generalização incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a generalização indevida e a inversão de papéis. Na alternativa A, o termo "apenas" restringe indevidamente o risco; na B, inverte-se o papel do cortisol basal; na E, generaliza-se a recuperação em 6 meses. Fique atento a palavras como "apenas", "todos", "sempre" e "exclusivamente" — elas costumam sinalizar afirmações incorretas.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os fatores de risco de supressão do eixo HHA, lembre-se: dose e duração são os principais determinantes, mas a via também importa. Na dúvida, avalie sempre com cortisol basal e, se necessário, teste de estímulo. A recuperação pode levar mais de um ano — não há prazo fixo.