Área de Atuação: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
Considerando as reações transfusionais, assinale a alternativa correta.
AReação Febril Não Hemolítica (RFNH) é a reação mais comum.
BCaso haja reação transfusional, a conduta é seguir com a transfusão até o fim.
CO filtro de leucócitos é indicado em todas as transfusões.
DA lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) é causada pela hemólise extravascular.
EA sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO) ocorre mais com a transfusão de hemácias RhD positivas.
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GabaritoA — Reação Febril Não Hemolítica (RFNH) é a reação mais comum.
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Reações transfusionais: identificação e manejo
Gabarito: letra A. A Reação Febril Não Hemolítica (RFNH) é, de fato, a reação transfusional mais comum, caracterizada por elevação da temperatura sem hemólise ou outra causa identificável. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a conduta diante de reação é interromper a transfusão, o filtro de leucócitos não é indicado em todas as transfusões, a TRALI não é causada por hemólise extravascular e a TACO não está relacionada ao RhD. A fundamentação está nos protocolos de hemovigilância e nas diretrizes de medicina transfusional.
As reações transfusionais são eventos adversos que podem ocorrer durante ou após a administração de hemocomponentes. Elas são classificadas em agudas (até 24 horas) e tardias (após 24 horas). Entre as agudas, destacam-se a RFNH, a reação alérgica/urticariforme, a reação hemolítica aguda, a TRALI, a TACO, a anafilaxia e a sepse transfusional. A RFNH é a mais frequente, com incidência que varia conforme a literatura, mas é consenso que supera as demais. Sua fisiopatologia envolve a interação entre anticorpos do receptor e antígenos leucocitários do doador, levando à liberação de citocinas pirogênicas. O diagnóstico é clínico, com elevação da temperatura ≥ 1°C, sem outros sintomas, e o manejo inclui interromper a transfusão, verificar sinais vitais e, se estável, pode-se reiniciar em velocidade menor.
A conduta diante de qualquer reação transfusional, independentemente da gravidade, é interromper imediatamente a transfusão, manter o acesso venoso, checar a identificação do paciente e do hemocomponente, e notificar o banco de sangue. Continuar a transfusão até o fim é um erro grave, pois pode agravar a reação, especialmente em casos de hemólise, TRALI ou sepse. O filtro de leucócitos (leucorredução) é recomendado em situações específicas, como pacientes com doença falciforme, história de RFNH, ou para reduzir aloimunização, mas não é indicado em todas as transfusões, pois aumenta o custo e pode não trazer benefício em todos os casos.
A TRALI é uma reação rara, mas grave, caracterizada por lesão pulmonar aguda com hipoxemia e infiltrado bilateral, ocorrendo até 6 horas após a transfusão. Sua patogênese envolve a ativação de neutrófilos e lesão endotelial pulmonar, não hemólise extravascular. A TACO, por sua vez, é uma sobrecarga circulatória decorrente do volume infundido, mais comum em pacientes com insuficiência cardíaca ou renal, e não tem relação com o tipo sanguíneo RhD. A transfusão de hemácias RhD positivas em pacientes RhD negativos pode causar aloimunização, mas não é causa de TACO.
A banca explora a confusão entre os tipos de reações e suas causas. É fundamental que o aluno domine as características de cada reação, os sinais de alarme e a conduta inicial. A tabela abaixo resume as principais reações agudas:
Reação
Incidência
Mecanismo
Sintomas-chave
RFNH
Mais comum
Citocinas/anticorpos anti-leucócitos
Febre ≥ 1°C, calafrios
Alérgica/urticariforme
1-3%
Antígeno-anticorpo (proteínas séricas)
Urticária, prurido
Hemolítica aguda
Rara
Hemólise intravascular (ABO)
Febre, dor lombar, hemoglobinúria
TRALI
Rara (0,04-0,1%)
Ativação neutrofílica, lesão endotelial
Hipoxemia, infiltrado bilateral
TACO
Variável
Sobrecarga volêmica
Dispneia, hipertensão, edema
Anafilaxia
Rara
IgE/degranulação mastocitária
Broncoespasmo, hipotensão
Guarde a fronteira entre as reações: a RFNH é a mais comum e benigna; a TRALI é imunológica e pulmonar; a TACO é hemodinâmica e volêmica. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Reações transfusionais agudas: Imunológicas (RFNH (mais comum), Alérgica/urticariforme, Hemolítica aguda (ABO), TRALI (pulmonar), Anafilaxia); Não imunológicas (TACO (sobrecarga volêmica), Sepse transfusional); Conduta inicial (Interromper a transfusão, Manter acesso venoso, Notificar banco de sangue)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A RFNH é a reação transfusional mais comum, com incidência que varia de 0,1% a 1% dos pacientes transfundidos, mas é a mais frequente entre todas as reações. O diagnóstico é clínico, com elevação da temperatura ≥ 1°C, sem outros sintomas, e o manejo inclui interromper a transfusão, verificar sinais vitais e, se estável, pode-se reiniciar em velocidade menor. A alternativa está correta ao afirmar que é a mais comum.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A conduta diante de qualquer reação transfusional é interromper imediatamente a transfusão, manter o acesso venoso, checar a identificação do paciente e do hemocomponente, e notificar o banco de sangue. Continuar a transfusão até o fim é um erro grave, pois pode agravar a reação, especialmente em casos de hemólise, TRALI ou sepse. A alternativa contraria o protocolo de hemovigilância.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O filtro de leucócitos (leucorredução) é recomendado em situações específicas, como pacientes com doença falciforme, história de RFNH, ou para reduzir aloimunização, mas não é indicado em todas as transfusões, pois aumenta o custo e pode não trazer benefício em todos os casos. A alternativa generaliza indevidamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A TRALI é uma reação rara, mas grave, caracterizada por lesão pulmonar aguda com hipoxemia e infiltrado bilateral, ocorrendo até 6 horas após a transfusão. Sua patogênese envolve a ativação de neutrófilos e lesão endotelial pulmonar, não hemólise extravascular. A hemólise extravascular é característica de reações hemolíticas tardias, não da TRALI.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A TACO é uma sobrecarga circulatória decorrente do volume infundido, mais comum em pacientes com insuficiência cardíaca ou renal, e não tem relação com o tipo sanguíneo RhD. A transfusão de hemácias RhD positivas em pacientes RhD negativos pode causar aloimunização, mas não é causa de TACO. A alternativa confunde mecanismos.