Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025
- Código
- qg483522
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
- AA.
- BB.
- CC.
- DD.
- EE.
GabaritoB — B.
Gabarito: letra B. O vírus descrito é o da hepatite B (HBV), único representante da família Hepadnaviridae que infecta seres humanos, com genoma de DNA de fita dupla parcial (incompleta) e capaz de causar tanto infecção aguda quanto crônica. Essa caracterização é clássica e distingue o HBV dos demais vírus hepatotrópicos, que possuem genoma de RNA.
A hepatite viral aguda é causada por cinco vírus hepatotrópicos principais: A, B, C, D e E. Todos eles têm tropismo primário pelo fígado, mas diferem em estrutura genética, forma de transmissão, evolução clínica e potencial de cronificação. A característica clínica mais importante para diferenciá-los é justamente a capacidade de causar infecção crônica. Enquanto os vírus A e E são tipicamente autolimitados e não cronificam (exceto em situações especiais, como imunossupressão para o E), os vírus B, C e D podem evoluir para cronicidade. O HBV, especificamente, pertence à família Hepadnaviridae e possui genoma de DNA circular de dupla fita parcialmente dupla (incompleta), sendo o único vírus de DNA entre os cinco hepatotrópicos clássicos. Essa característica é decisiva: todos os demais (A, C, D e E) são vírus de RNA.
Na prática clínica, a infecção pelo HBV pode ser aguda ou crônica. A cronificação é inversamente proporcional à idade: quanto mais jovem o indivíduo ao ser contaminado, maior a probabilidade de evoluir para a forma crônica. A infecção crônica pelo HBV é uma causa importante de carcinoma hepatocelular, mesmo sem cirrose, devido à integração do DNA viral no genoma dos hepatócitos. O HBV é transmitido por via parenteral, sexual e perinatal, e a prevenção é feita por vacina. Esses dados reforçam a identificação do agente como o vírus da hepatite B.
A pegadinha da banca, aqui, é justamente a descrição do genoma: "DNA de fita dupla parcialmente dupla-hélice (incompleta)". O candidato que não domina a virologia básica pode confundir com o HCV, que também causa cronificação, mas possui genoma de RNA. A distinção entre os vírus de DNA e RNA é o critério que separa o HBV dos demais. Guarde essa fronteira: entre os cinco vírus hepatotrópicos clássicos, apenas o HBV tem DNA; todos os outros têm RNA.
Característica | HAV (A) | HBV (B) | HCV (C) | HDV (D) | HEV (E) |
|---|---|---|---|---|---|
Família | Picornaviridae | Hepadnaviridae | Flaviviridae | Deltaviridae | Hepeviridae |
Genoma | RNA | DNA parcialmente dupla | RNA | RNA | RNA |
Cronificação | Não | Sim | Sim | Sim | Não (exceto imunossuprimidos) |
O vírus da hepatite A (HAV) pertence à família Picornaviridae, possui genoma de RNA de fita simples e não envelopado, e não causa infecção crônica. A descrição do enunciado (DNA parcialmente dupla, Hepadnaviridae, cronificação) não se aplica ao HAV.
O vírus da hepatite B (HBV) é o único da família Hepadnaviridae que infecta seres humanos, possui genoma de DNA circular de dupla fita parcialmente dupla (incompleta) e pode causar tanto infecção aguda quanto crônica. Essas características coincidem exatamente com a descrição do enunciado.
O vírus da hepatite C (HCV) pertence à família Flaviviridae, possui genoma de RNA de fita simples de sentido positivo e pode causar infecção crônica. Apesar da cronificação, o genoma é de RNA, não de DNA, o que o exclui da descrição.
O vírus da hepatite D (HDV) é um vírus defectivo que depende do HBV para se replicar, pertence à família Deltaviridae e possui genoma de RNA. Não é o agente descrito, pois o enunciado menciona DNA e família Hepadnaviridae.
O vírus da hepatite E (HEV) pertence à família Hepeviridae, possui genoma de RNA e, em geral, não cronifica (exceto em imunossuprimidos). Não se enquadra na descrição, que exige DNA e Hepadnaviridae.
Gabarito: letra B
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