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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg483538
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
A dor é um dos sintomas mais prevalentes e debilitantes em pacientes pediátricos sob cuidados paliativos, sendo frequentemente subtratada devido a conceitos ultrapassados, como a falsa crença de que crianças sentem menos dor do que adultos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe um protocolo sistemático para o manejo da dor, com base em princípios fundamentais de prescrição e escolha de medicamentos. Com base nas diretrizes da OMS para o controle da dor em pediatria, analise as assertivas a seguir:I. A prescrição de analgésicos deve ser feita, preferencialmente, em horários fixos, e não apenas sob demanda, para garantir alívio contínuo da dor.II. A via parenteral deve ser priorizada em todos os casos como primeira escolha para administração de analgésicos.III. O uso de fármacos adjuvantes, como anticonvulsivantes, antidepressivos, ansiolíticos, laxantes e antieméticos, é recomendado para potencializar o controle da dor e mitigar efeitos adversos da analgesia.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas I e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da dor em pediatria: princípios da OMS

Gabarito: letra E — estão corretas as assertivas I e III. A prescrição em horários fixos (e não apenas sob demanda) e o uso de fármacos adjuvantes são princípios centrais da escada analgésica da OMS; já a via parenteral não é priorizada como primeira escolha — a via oral é a preferida, sempre que possível. A assertiva II, portanto, contraria a diretriz da OMS.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sistematizou o tratamento da dor por meio da chamada Escada Analgésica, que organiza os medicamentos em degraus conforme a intensidade da dor (leve, moderada e intensa). Essa escada, originalmente criada para dor oncológica, foi adaptada para outras populações, incluindo crianças e idosos, e se baseia em princípios fundamentais de prescrição que vão além da simples escolha do fármaco: envolvem a via de administração, o intervalo entre doses e a associação de medicamentos.

O primeiro princípio é o uso de analgésicos em horários fixos ("by the clock"), e não apenas quando a dor aparece ("as needed"). A lógica é simples: a dor é mais fácil de prevenir do que de tratar. Quando o medicamento é administrado em intervalos regulares, mantém-se uma concentração plasmática estável, evitando picos de dor entre as doses e proporcionando alívio contínuo. Isso é especialmente importante em crianças, que muitas vezes não conseguem verbalizar a dor e podem sofrer em silêncio entre as doses.

O segundo princípio é a preferência pela via oral. A OMS recomenda que, sempre que possível, os analgésicos sejam administrados por via oral, pois é a via mais simples, indolor, econômica e que confere maior autonomia ao paciente. A via parenteral (intravenosa, intramuscular, subcutânea) deve ser reservada para situações específicas, como quando o paciente não consegue deglutir, apresenta vômitos incoercíveis, ou quando se necessita de início de ação mais rápido (dor aguda intensa). A via intramuscular, inclusive, é desencorajada em crianças pela dor e pelo risco de abscessos.

O terceiro princípio é o uso de fármacos adjuvantes (ou coanalgésicos) em qualquer degrau da escada. Esses medicamentos não são analgésicos clássicos, mas potencializam a analgesia ou tratam sintomas associados. Exemplos incluem:

  • Anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) e antidepressivos (amitriptilina, duloxetina): indicados principalmente para dor neuropática;

  • Ansiolíticos: para reduzir a ansiedade, que pode amplificar a percepção da dor;

  • Laxantes e antieméticos: para prevenir e tratar os efeitos adversos dos opioides, como constipação e náuseas.

A analgesia multimodal, que combina diferentes classes de fármacos com mecanismos de ação distintos, é a estratégia recomendada para obter efeito aditivo ou sinérgico, permitindo usar doses menores de cada medicamento e, assim, reduzir os efeitos colaterais.

A banca explora exatamente a confusão entre "via preferencial" e "via mais potente". Muitos candidatos associam a via parenteral a um tratamento "mais forte" e a elegem como primeira escolha, mas a diretriz da OMS é clara: a via oral é a preferida. A via parenteral é uma alternativa quando a oral não é possível ou adequada.

Guarde esses três princípios — horário fixo, via oral preferencial e uso de adjuvantes — pois é exatamente neles que as assertivas se dividem.

1Horários fixos
Alívio contínuo
Sob demanda (picos de dor)
2Via de administração
Via oral (preferida)
Parenteral (exceção)
3Fármacos adjuvantes
Anticonvulsivantes/antidepressivos (dor neuropática)
Ansiolíticos (ansiedade)
Laxantes/antieméticos (efeitos dos opioides)
Princípios da OMS (dor pediátrica)
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Princípios da OMS (dor pediátrica): Horários fixos (Alívio contínuo, Sob demanda (picos de dor)); Via de administração (Via oral (preferida), Parenteral (exceção)); Fármacos adjuvantes (Anticonvulsivantes/antidepressivos (dor neuropática), Ansiolíticos (ansiedade), Laxantes/antieméticos (efeitos dos opioides))

Assertiva I — ✅ Correta

A prescrição em horários fixos é um dos pilares do manejo da dor pela OMS. O objetivo é manter um nível analgésico constante, prevenindo o reaparecimento da dor. A administração "sob demanda" (apenas quando o paciente sente dor) leva a picos de dor e sofrimento desnecessário, além de exigir doses maiores para controlar a dor já instalada. Em crianças, isso é ainda mais crítico, pois elas podem não comunicar a dor adequadamente.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que a via parenteral deve ser priorizada em todos os casos como primeira escolha. Isso é falso. A OMS preconiza a via oral como a preferida, sempre que possível, por ser mais simples, segura, econômica e confortável. A via parenteral é reservada para situações específicas: impossibilidade de deglutição, vômitos persistentes, necessidade de início de ação rápido ou quando a via oral não é eficaz. A palavra "todos" torna a assertiva incorreta, pois há claramente exceções e a via oral é a regra.

Assertiva III — ✅ Correta

O uso de fármacos adjuvantes é recomendado pela OMS em todos os degraus da escada analgésica. Esses medicamentos têm duas funções principais: (1) potencializar a analgesia, especialmente em dores neuropáticas (anticonvulsivantes e antidepressivos) e (2) manejar os efeitos adversos da analgesia opioide, como constipação (laxantes) e náuseas/vômitos (antieméticos). Os ansiolíticos também são úteis para tratar a ansiedade associada à dor, que pode piorar a percepção dolorosa. A assertiva está correta ao listar essas classes e seus objetivos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a via parenteral é a primeira escolha por ser "mais forte" ou "mais rápida". Na verdade, a OMS prioriza a via oral pela simplicidade, segurança e autonomia do paciente. A via parenteral é exceção, não regra. Fique atento a palavras como "todos", "sempre" e "priorizada" — elas costumam sinalizar uma generalização indevida.

Conclusão: Corretas as assertivas I e III. Portanto, a alternativa correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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