Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg483539
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
O citomegalovírus (CMV) é a causa viral mais comum de infecção intrauterina em humanos. A prevalência de infecção congênita por CMV varia entre 0,2% e mais de 1%, sendo mais alta em populações com maior soro prevalência desse vírus. Qual das alternativas abaixo apresenta um marcador definitivo para o diagnóstico de infecção congênita por CMV?
AA presença do CMV na urina e na saliva do RN nas duas primeiras semanas de vida.
BA detecção do vírus (viremia) ou do DNA no sangue materno.
CPresença de imunoglobulina do tipo A no sangue periférico do RN.
DPlaquetopenia, neutropenia, anemia e aumento de bilirrubinas.
EFalha no Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automático (PEATE-A).
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GabaritoA — A presença do CMV na urina e na saliva do RN nas duas primeiras semanas de vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção congênita por citomegalovírus (CMV): diagnóstico definitivo
Gabarito: letra A. O marcador definitivo de infecção congênita por CMV é a detecção do vírus (isolamento viral ou PCR) na urina e/ou saliva do recém-nascido nas duas primeiras semanas de vida — período que distingue a infecção congênita (adquirida in utero) da infecção perinatal (adquirida durante o parto ou pelo leite materno). Essa é a regra consagrada na literatura pediátrica e em diretrizes de infectologia, e é exatamente o que a alternativa A descreve.
O citomegalovírus é um herpesvírus de DNA que, após a infecção primária, permanece latente no hospedeiro e pode ser reativado periodicamente. A transmissão vertical pode ocorrer por três vias: in utero (infecção congênita), durante o parto (infecção perinatal) e pelo leite materno (infecção pós-natal). A distinção entre essas vias é crucial para o diagnóstico, pois o tratamento e o prognóstico diferem. A infecção congênita é definida pela presença do vírus em amostras coletadas do recém-nascido até o 21º dia de vida (alguns autores consideram as duas primeiras semanas, outros até 3 semanas). Após esse período, a detecção do vírus pode refletir uma infecção adquirida durante o parto ou pela amamentação, não sendo possível afirmar que foi congênita.
O diagnóstico definitivo, portanto, não se baseia em achados clínicos ou laboratoriais inespecíficos (como plaquetopenia, anemia ou alterações de bilirrubinas), nem em sorologia materna ou do recém-nascido. A sorologia (IgM, IgG) tem limitações importantes: a IgM pode ser negativa em até 30% dos casos de infecção congênita sintomática e pode ser positiva em infecções perinatais; a IgG materna atravessa a placenta e pode confundir a interpretação. Por isso, o padrão-ouro é a detecção direta do vírus (cultura viral ou PCR) em urina, saliva ou sangue do recém-nascido nas primeiras 2-3 semanas de vida.
Na prática clínica, a coleta de urina e saliva por swab é simples, não invasiva e de alta sensibilidade. A PCR em tempo real é o método mais utilizado atualmente, por sua rapidez e sensibilidade. A cultura viral (shell vial) também é válida, mas demora mais. O importante é que a coleta seja feita precocemente, dentro da janela que define a infecção como congênita.
A pegadinha desta questão está em confundir os marcadores de infecção materna ou de doença ativa com o diagnóstico de infecção congênita no recém-nascido. A detecção do vírus no sangue materno (alternativa B) indica infecção materna, mas não confirma a transmissão ao feto. A presença de IgA no sangue do RN (alternativa C) não é um marcador confiável, pois a IgA não atravessa a placenta e sua detecção pode ser tardia ou ausente. Os achados hematológicos e bioquímicos (alternativa D) são manifestações clínicas da doença congênita sintomática, mas não são específicos do CMV — podem ocorrer em outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, sífilis, etc.). A falha no PEATE-A (alternativa E) é uma sequela da infecção congênita (perda auditiva neurossensorial), mas não é um marcador diagnóstico precoce.
Guarde a fronteira: diagnóstico definitivo = detecção do vírus no RN nas primeiras 2-3 semanas de vida. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
1Detecção viral no RN
2Urina e/ou saliva
3Nas 2-3 primeiras semanas
4Confirma infecção in utero
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença do CMV na urina e na saliva do recém-nascido nas duas primeiras semanas de vida é o marcador definitivo de infecção congênita. Isso porque a detecção viral nesse período indica que a infecção foi adquirida in utero, antes do nascimento. Após esse período, a positividade pode ser devida à infecção perinatal (contato com secreções maternas durante o parto) ou pós-natal (leite materno). A coleta de urina e saliva é o método padrão, com alta sensibilidade e especificidade, sendo a PCR a técnica mais utilizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A detecção do vírus (viremia) ou do DNA no sangue materno indica infecção materna ativa, mas não confirma a transmissão ao feto. A infecção materna pode ocorrer sem que haja infecção congênita, e a viremia materna não é um marcador de infecção fetal. O diagnóstico de infecção congênita exige a detecção do vírus no recém-nascido, não na mãe.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de imunoglobulina do tipo A (IgA) no sangue periférico do recém-nascido não é um marcador definitivo de infecção congênita por CMV. A IgA não atravessa a placenta, mas sua detecção no RN não é padronizada para o diagnóstico de CMV congênito, podendo haver resultados falso-negativos (especialmente em prematuros) e falso-positivos. O padrão-ouro é a detecção viral direta, não a sorologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Plaquetopenia, neutropenia, anemia e aumento de bilirrubinas são manifestações clínicas da infecção congênita sintomática por CMV, mas não são específicas — podem ocorrer em outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, sífilis, herpes) e em outras condições neonatais. Esses achados sugerem a necessidade de investigação, mas não estabelecem o diagnóstico etiológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A falha no Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automático (PEATE-A) indica perda auditiva neurossensorial, que é uma sequela da infecção congênita por CMV (a mais comum causa de surdez neurossensorial não genética). No entanto, não é um marcador diagnóstico precoce da infecção — é uma consequência que pode se manifestar ao nascimento ou tardiamente. O diagnóstico da infecção em si é feito pela detecção viral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os conceitos de marcador diagnóstico (detecção do vírus no RN) com manifestações clínicas (alternativa D) e sequelas (alternativa E). O candidato que confunde "sinais da doença" com "diagnóstico definitivo" cai nas alternativas D ou E. Lembre-se: o diagnóstico definitivo exige a presença do vírus, não apenas sintomas ou consequências.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de infecção congênita, memorize o tripé: (1) diagnóstico definitivo = detecção do agente no RN nas primeiras 2-3 semanas; (2) manifestações clínicas = inespecíficas, servem para suspeitar; (3) sequelas = aparecem depois (surdez, atraso do desenvolvimento). Se a alternativa falar de sintomas ou sequelas, ela não é o diagnóstico.