Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg483542
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
As cardiopatias congênitas canal-dependentes são aquelas nas quais o canal arterial é essencial para manter adequada perfusão pulmonar, sistêmica ou permitir a mistura entre as circulações pulmonar e sistêmica, especialmente nas primeiras horas ou dias de vida. Considerando essa definição, assinale a alternativa que apresenta uma cardiopatia congênita em que o fluxo sistêmico depende do canal arterial para garantir a sobrevida neonatal.
AComunicação interatrial.
BTronco arterial comum.
CSíndrome da hipoplasia do coração esquerdo.
DInsuficiência tricúspide.
EComunicação interventricular.
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GabaritoC — Síndrome da hipoplasia do coração esquerdo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cardiopatias congênitas canal-dependentes: fluxo sistêmico dependente do canal arterial
Gabarito: letra C. A síndrome da hipoplasia do coração esquerdo (SHCE) é a cardiopatia congênita em que o fluxo sistêmico depende do canal arterial para garantir a sobrevida neonatal, pois o ventrículo esquerdo é hipoplásico e incapaz de bombear sangue para a aorta. Nas demais alternativas, o canal arterial não é essencial para a manutenção do fluxo sistêmico.
As cardiopatias congênitas canal-dependentes são divididas em três grupos, conforme o que o canal arterial precisa garantir: fluxo pulmonar, fluxo sistêmico ou mistura das circulações. No grupo em que o fluxo sistêmico é canal-dependente, o ventrículo esquerdo ou a aorta são incapazes de prover fluxo sanguíneo adequado para o corpo, e o sangue chega à aorta apenas através do canal arterial, que conecta a artéria pulmonar à aorta descendente. A síndrome da hipoplasia do coração esquerdo é o exemplo clássico: o ventrículo esquerdo é pequeno e não funcional, a aorta ascendente é hipoplásica e a valva mitral é frequentemente atrésica ou estenótica. Nesse cenário, o sangue que retorna dos pulmões ao átrio esquerdo não consegue ser bombeado adequadamente; ele cruza para o átrio direito através do forame oval e, do ventrículo direito, parte vai para os pulmões e parte vai para a aorta através do canal arterial. Quando o canal arterial se fecha, o fluxo sistêmico colapsa, levando a choque cardiogênico e óbito. Por isso, a manutenção do canal arterial com prostaglandina E1 é a medida inicial de estabilização.
Para entender a diferença entre as cardiopatias, é preciso lembrar que o canal arterial é um vaso fetal que conecta a artéria pulmonar à aorta. No feto, ele desvia o sangue do ventrículo direito para a aorta, contornando os pulmões não ventilados. Após o nascimento, o canal normalmente se fecha nas primeiras horas ou dias. Nas cardiopatias canal-dependentes, o fechamento do canal é catastrófico porque o fluxo sanguíneo pulmonar ou sistêmico depende dele. No caso da SHCE, o fluxo sistêmico depende do canal; na atresia pulmonar com septo íntegro, o fluxo pulmonar depende do canal; e na transposição das grandes artérias, o canal (junto com o forame oval e a comunicação interventricular) permite a mistura das circulações.
A banca explora a confusão entre as cardiopatias que cursam com shunt esquerda-direita (como a comunicação interatrial e a comunicação interventricular) e aquelas que são canal-dependentes. As comunicações interatrial e interventricular são defeitos que permitem a passagem de sangue entre as câmaras, mas não tornam o canal arterial essencial para a sobrevida neonatal. O tronco arterial comum é uma cardiopatia em que há um único vaso saindo do coração, com mistura de sangue, mas o fluxo sistêmico não depende do canal arterial. A insuficiência tricúspide é uma valvopatia que não se enquadra como cardiopatia congênita canal-dependente.
Guarde a classificação das cardiopatias canal-dependentes: fluxo pulmonar dependente (atresia pulmonar, estenose pulmonar crítica, tetralogia de Fallot grave), fluxo sistêmico dependente (síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, coarctação de aorta crítica, interrupção do arco aórtico) e mistura dependente (transposição das grandes artérias). É exatamente essa divisão que separa as alternativas desta questão.
Cardiopatias canal-dependentes: Fluxo pulmonar dependente (Atresia pulmonar, Estenose pulmonar crítica, Tetralogia de Fallot grave); Fluxo sistêmico dependente (Síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, Coarctação de aorta crítica, Interrupção do arco aórtico); Mistura dependente (Transposição das grandes artérias)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A comunicação interatrial (CIA) é um defeito que permite a passagem de sangue entre os átrios, mas não é canal-dependente. O fluxo sistêmico não depende do canal arterial; a CIA geralmente é bem tolerada na infância e o canal arterial não é essencial para a sobrevida neonatal. O erro da alternativa é classificar uma cardiopatia com shunt esquerda-direita como canal-dependente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tronco arterial comum é uma cardiopatia em que um único vaso (tronco) origina-se do coração, dando origem à aorta, à artéria pulmonar e às coronárias. Há mistura de sangue, mas o fluxo sistêmico não depende do canal arterial. O tronco arterial comum é uma cardiopatia com shunt e mistura, mas não se enquadra no grupo de fluxo sistêmico canal-dependente.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome da hipoplasia do coração esquerdo (SHCE) é a cardiopatia em que o ventrículo esquerdo é hipoplásico e não funcional, a aorta ascendente é hipoplásica e a valva mitral é frequentemente atrésica ou estenótica. O fluxo sistêmico depende do canal arterial, que permite que o sangue do ventrículo direito chegue à aorta descendente. Quando o canal arterial se fecha, o fluxo sistêmico colapsa, levando a choque cardiogênico. A manutenção do canal com prostaglandina E1 é essencial para a sobrevida neonatal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A insuficiência tricúspide é uma valvopatia em que a valva tricúspide não fecha adequadamente, permitindo refluxo de sangue do ventrículo direito para o átrio direito. Não é uma cardiopatia congênita canal-dependente e não há dependência do canal arterial para o fluxo sistêmico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A comunicação interventricular (CIV) é um defeito que permite a passagem de sangue entre os ventrículos, mas não é canal-dependente. O fluxo sistêmico não depende do canal arterial; a CIV é uma cardiopatia com shunt esquerda-direita, geralmente bem tolerada, e o canal arterial não é essencial para a sobrevida neonatal.