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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg483544
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
RN prematuro tardio de 35 semanas e 1 dia de IG, nascido de parto cesáreo por amniorrexe prematura, com peso de 2.700 g, Apgar de 7 e 8, foi encaminhado ao alojamento conjunto. Com 48 horas de vida, pesava 2.400 g e apresentava icterícia zona 3. Foram coletados exames, com resultado de bilirrubina indireta de 10,7 mg/dL. A tipagem sanguínea da mãe e do RN é B+. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta, considerando o caso apresentado.
  1. AIndicar exsanguineotransfusão.
  2. BReorientar o aleitamento materno e indicar fototerapia.
  3. CAlta hospitalar, com retorno ambulatorial em 7 dias.
  4. DNovo controle de exames em 48 horas.
  5. EAlta hospitalar, com fórmula láctea.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Reorientar o aleitamento materno e indicar fototerapia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: conduta no prematuro tardio

Gabarito: letra B. O recém-nascido prematuro tardio (35 semanas) com 48 horas de vida, bilirrubina indireta de 10,7 mg/dL e perda de peso de 11% (de 2.700 g para 2.400 g) apresenta fatores de risco para hiperbilirrubinemia importante — idade gestacional de 35-36 semanas e perda de peso > 7% —, o que, segundo a tabela de conduta da hiperbilirrubinemia neonatal, indica fototerapia (BT ≥ 12 mg/dL entre 25-48 horas) e reorientação do aleitamento materno, pois a perda de peso excessiva sugere dificuldade na amamentação. A conduta correta é a da letra B.

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, condição frequente no período neonatal e a principal causa de reinternação de recém-nascidos a termo saudáveis. Cerca de 98% dos recém-nascidos apresentam níveis de bilirrubina > 1 mg/dL na primeira semana de vida, como consequência da adaptação ao metabolismo da bilirrubina. A complicação mais grave é o querníctero, uma forma crônica de encefalopatia bilirrubínica com sequelas neurológicas permanentes. Por isso, a avaliação criteriosa da intensidade da icterícia e a identificação de fatores de risco são essenciais para decidir a conduta adequada.

A progressão da icterícia é cefalocaudal: zona 1 (cabeça e pescoço), zona 2 (tronco até a cicatriz umbilical), zona 3 (abdome inferior e coxas), zona 4 (braços e pernas) e zona 5 (mãos e pés). No caso, o RN apresenta icterícia zona 3, o que sugere níveis de bilirrubina em torno de 10-12 mg/dL, compatível com o valor laboratorial de 10,7 mg/dL.

A conduta diante da icterícia neonatal é orientada por tabelas que correlacionam a idade pós-natal (em horas) com os níveis de bilirrubina total (BT) para indicar fototerapia ou exsanguineotransfusão. Para recém-nascidos com idade gestacional ≥ 35 semanas, a tabela de conduta estabelece:

Idade (horas)

Considerar fototerapia se BT

Fototerapia se BT

Exsanguineotransfusão se BT

< 24 horas

25-48 horas

≥ 12

≥ 15

≥ 20

49-72 horas

≥ 15

≥ 18

≥ 25

> 72 horas

≥ 17

No caso, o RN tem 48 horas de vida (limite superior da faixa de 25-48 horas) e BT de 10,7 mg/dL. Pela tabela, para essa faixa etária, a fototerapia é indicada quando BT ≥ 15 mg/dL, e a exsanguineotransfusão quando BT ≥ 20 mg/dL. Portanto, o valor de 10,7 mg/dL está abaixo do limiar para fototerapia pela tabela estrita. No entanto, o RN apresenta fatores de risco que modificam essa análise: idade gestacional de 35 semanas (fator de risco independente) e perda de peso de 11% (superior a 7%, outro fator de risco). Esses fatores aumentam o risco de hiperbilirrubinemia importante e podem reduzir o limiar para fototerapia, conforme as diretrizes da Academia Americana de Pediatria (AAP) e do Ministério da Saúde, que consideram a idade gestacional e a presença de fatores de risco na decisão terapêutica.

Além disso, a perda de peso de 11% (300 g em 48 horas) é excessiva e sugere dificuldade no aleitamento materno, o que contribui para a hiperbilirrubinemia por diminuição da ingesta hídrica e do trânsito intestinal (a amamentação inadequada reduz a excreção de bilirrubina pelas fezes). Portanto, a conduta correta envolve reorientar o aleitamento materno (técnica, frequência, pega) e indicar fototerapia, considerando o risco aumentado. A alternativa B é a que melhor reflete essa conduta.

A pegadinha da questão está em aplicar a tabela de forma mecânica, sem considerar os fatores de risco. O candidato que apenas olha o valor de 10,7 mg/dL e a idade de 48 horas pode concluir que não há indicação de fototerapia (pois 10,7 < 15), optando por alta ou novo controle. No entanto, a presença de prematuridade (35 semanas) e perda de peso > 7% são fatores de risco que justificam a fototerapia, mesmo com BT abaixo do limiar da tabela para RN sem fatores de risco. A banca explora exatamente essa distinção.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A exsanguineotransfusão é indicada quando há risco de querníctero iminente, geralmente com BT ≥ 20 mg/dL (na faixa de 25-48 horas) ou na presença de sinais de encefalopatia bilirrubínica aguda. Com BT de 10,7 mg/dL, não há indicação de exsanguineotransfusão. Essa alternativa é um distrator extremo, que superestima a gravidade do caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é reorientar o aleitamento materno e indicar fototerapia. A reorientação do aleitamento é necessária devido à perda de peso de 11%, que sugere dificuldade na amamentação. A fototerapia é indicada porque o RN apresenta fatores de risco (prematuridade de 35 semanas e perda de peso > 7%) que aumentam o risco de hiperbilirrubinemia importante, mesmo com BT de 10,7 mg/dL, que está próximo do limiar de 12 mg/dL para "considerar fototerapia" na faixa de 25-48 horas. A conduta visa prevenir a progressão para níveis mais elevados e o risco de querníctero.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alta hospitalar com retorno ambulatorial em 7 dias é inadequada, pois o RN apresenta icterícia em zona 3, perda de peso significativa e fatores de risco para hiperbilirrubinemia importante. A alta sem tratamento ou acompanhamento próximo pode levar a complicações graves, como o querníctero. O RN necessita de intervenção imediata (fototerapia) e reavaliação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Novo controle de exames em 48 horas é uma conduta passiva, que não aborda a necessidade de fototerapia e reorientação do aleitamento. Embora o valor de BT (10,7 mg/dL) esteja abaixo do limiar estrito para fototerapia, a presença de fatores de risco e a perda de peso excessiva indicam a necessidade de intervenção ativa, não apenas observação. A conduta expectante pode permitir a progressão da hiperbilirrubinemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alta hospitalar com fórmula láctea é totalmente inadequada. A fórmula láctea não é indicada como rotina para RN com icterícia; pelo contrário, o aleitamento materno deve ser incentivado e otimizado. A introdução de fórmula sem indicação médica pode prejudicar o estabelecimento da amamentação e não trata a hiperbilirrubinemia. Além disso, a alta sem tratamento é contraindicada.

Gabarito: letra B

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