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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FUNDATEC 2025

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
qg483748
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Durante uma pandemia de doença infecciosa respiratória, um hospital público enfrenta grave escassez de ventiladores mecânicos. Dois pacientes adultos chegam simultaneamente em insuficiência respiratória aguda grave, ambos com indicação de intubação orotraqueal. Um deles apresenta comorbidades avançadas (insuficiência cardíaca grave e DPOC) e menor probabilidade de sobrevida, enquanto o outro não possui comorbidades significativas. A equipe médica se vê diante do dilema ético de decidir quem terá acesso prioritário ao recurso escasso. Segundo os princípios bioéticos aplicados em situações de pandemia e as recomendações de organismos internacionais de saúde, qual deve ser o critério mais eticamente adequado para a tomada de decisão?
  1. ARealizar sorteio aleatório entre os pacientes, garantindo igualdade absoluta de oportunidade de acesso ao recurso.
  2. BPriorizar o paciente com maior probabilidade de benefício clínico e sobrevida, considerando prognóstico e reversibilidade da doença aguda.
  3. CAtender primeiro o paciente mais idoso, como forma de respeito à vulnerabilidade relacionada à idade avançada.
  4. DDecidir com base na ordem de chegada ao pronto-socorro, aplicando o princípio do “primeiro a chegar, primeiro a ser atendido”.
  5. EPriorizar o paciente sem comorbidades apenas se este pertencer a algum grupo de profissionais de saúde para garantir continuidade da assistência à população.
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GabaritoB — Priorizar o paciente com maior probabilidade de benefício clínico e sobrevida, considerando prognóstico e reversibilidade da doença aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ética médica em situações de pandemia: alocação de recursos escassos

Gabarito: letra B. Em situações de escassez extrema de recursos, como ventiladores mecânicos durante uma pandemia, o critério eticamente mais adequado é priorizar o paciente com maior probabilidade de benefício clínico e sobrevida, considerando prognóstico e reversibilidade da doença aguda. Essa abordagem está alinhada aos princípios bioéticos da beneficência e da justiça distributiva, bem como às recomendações de organismos internacionais de saúde, como a OMS, que orientam a alocação de recursos com base no potencial de benefício e na maximização dos resultados de saúde.

A bioética, em sua vertente principialista, fundamenta-se em quatro pilares: beneficência (agir em benefício do paciente), não maleficência (não causar dano), autonomia (respeitar a vontade do paciente) e justiça (distribuir recursos de forma equitativa). Em situações de pandemia, quando há escassez de recursos, o princípio da justiça distributiva ganha relevância, pois é necessário decidir quem terá acesso a um recurso limitado. Nesse contexto, a alocação deve ser baseada em critérios objetivos e transparentes, que priorizem a maximização dos benefícios, ou seja, a maior probabilidade de sobrevida e de benefício clínico com o uso do recurso.

A OMS e outras entidades internacionais, como a Associação Médica Mundial, recomendam que, em situações de pandemia, a alocação de recursos escassos seja guiada por princípios como: maximizar os benefícios (salvar o maior número de vidas e anos de vida), tratar as pessoas de forma igualitária, priorizar os que estão em pior situação e respeitar a autonomia dos pacientes. Nesse sentido, o critério de maior probabilidade de benefício clínico e sobrevida, considerando prognóstico e reversibilidade da doença aguda, é o mais alinhado a essas recomendações, pois busca otimizar o uso do recurso escasso para obter os melhores resultados possíveis.

A alternativa B é a correta porque reflete exatamente esse princípio: priorizar o paciente com maior chance de se beneficiar do ventilador, ou seja, aquele com menor probabilidade de morte e maior chance de recuperação. No caso apresentado, o paciente sem comorbidades significativas tem maior probabilidade de sobrevida e de benefício clínico, portanto, deve ser priorizado. Essa decisão não é baseada em idade, ordem de chegada ou sorteio, mas sim em uma avaliação clínica criteriosa do prognóstico e da reversibilidade da condição aguda.

As demais alternativas apresentam critérios que não são eticamente adequados para a alocação de recursos escassos em pandemia. O sorteio aleatório (A) ignora a possibilidade de maximizar benefícios, tratando de forma igualitária situações desiguais. A priorização por idade (C) é discriminatória e não se baseia em critérios clínicos. A ordem de chegada (D) é um critério que não considera a gravidade ou o prognóstico, podendo levar a decisões injustas. A priorização de profissionais de saúde (E) é um critério que pode ser considerado em algumas situações, mas não é o principal critério ético para a alocação de recursos escassos, e a alternativa o condiciona a um grupo específico, o que não é o mais adequado.

A pegadinha desta questão está em confundir o princípio da igualdade com o da equidade. A igualdade absoluta (sorteio) pode parecer justa, mas não é equitativa, pois não considera as diferenças clínicas entre os pacientes. A equidade, por sua vez, busca tratar de forma desigual os desiguais, priorizando aqueles com maior chance de benefício. É exatamente esse o critério que a alternativa B corretamente aplica.

1Critério ético adequado
Maior probabilidade de benefício clínico
Prognóstico e reversibilidade
Maximizar vidas salvas
2Critérios inadequados
Sorteio aleatório (igualdade formal)
Idade (discriminatório)
Ordem de chegada (ignora gravidade)
Priorizar profissionais de saúde (não é o principal)
3Princípios bioéticos
Beneficência
Não maleficência
Autonomia
Justiça distributiva
Alocação de recursos escassos (pandemia)
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Alocação de recursos escassos (pandemia): Critério ético adequado (Maior probabilidade de benefício clínico, Prognóstico e reversibilidade, Maximizar vidas salvas); Critérios inadequados (Sorteio aleatório (igualdade formal), Idade (discriminatório), Ordem de chegada (ignora gravidade), Priorizar profissionais de saúde (não é o principal)); Princípios bioéticos (Beneficência, Não maleficência, Autonomia, Justiça distributiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O sorteio aleatório, embora garanta igualdade formal de oportunidade, não é o critério eticamente mais adequado em situações de escassez de recursos. Ele ignora o princípio da justiça distributiva, que busca maximizar os benefícios e priorizar aqueles com maior chance de sobrevida. Em uma pandemia, a alocação de recursos deve ser baseada em critérios clínicos e objetivos, não no acaso, pois isso poderia levar a um uso ineficiente do recurso, beneficiando um paciente com menor chance de sobrevida em detrimento de outro com maior chance.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete o princípio da justiça distributiva e da beneficência, priorizando o paciente com maior probabilidade de benefício clínico e sobrevida. Em situações de escassez, a alocação de recursos deve ser guiada pela maximização dos benefícios, ou seja, pelo uso do recurso naqueles que têm maior chance de se beneficiar. No caso, o paciente sem comorbidades significativas tem maior probabilidade de sobrevida e de benefício com a ventilação mecânica, portanto, deve ser priorizado. Esse critério é objetivo, transparente e baseado em avaliação clínica, sendo o mais eticamente adequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Priorizar o paciente mais idoso como forma de respeito à vulnerabilidade relacionada à idade avançada é um critério discriminatório e não se baseia em princípios bioéticos adequados para a alocação de recursos escassos. A idade, por si só, não é um critério de priorização, pois não reflete necessariamente a probabilidade de benefício clínico ou sobrevida. A vulnerabilidade deve ser considerada, mas não como critério de priorização, e sim como um fator que pode influenciar a avaliação clínica. A decisão deve ser baseada no prognóstico e na reversibilidade da doença aguda, não na idade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ordem de chegada ao pronto-socorro, aplicando o princípio do "primeiro a chegar, primeiro a ser atendido", é um critério que não considera a gravidade ou o prognóstico dos pacientes. Em situações de escassez de recursos, esse critério pode levar a decisões injustas, pois um paciente com menor chance de sobrevida poderia ser priorizado em detrimento de outro com maior chance, simplesmente por ter chegado antes. A alocação de recursos escassos deve ser baseada em critérios clínicos e objetivos, como a probabilidade de benefício, e não na ordem de chegada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Priorizar o paciente sem comorbidades apenas se este pertencer a algum grupo de profissionais de saúde para garantir continuidade da assistência à população é um critério que não é o mais eticamente adequado para a alocação de recursos escassos. Embora a priorização de profissionais de saúde possa ser considerada em algumas situações, como forma de garantir a continuidade da assistência, ela não deve ser o critério principal, e a alternativa a condiciona a um grupo específico, o que não é o mais adequado. O critério principal deve ser a probabilidade de benefício clínico e sobrevida, considerando prognóstico e reversibilidade da doença aguda.

Gabarito: letra B

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