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Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2025

MedicinaMédico da Família
Código
qg483749
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Um homem de 42 anos, com deficiência física (paraplegia após acidente automobilístico), é acompanhado em Unidade de Saúde da Família. O paciente apresenta risco aumentado para infecções urinárias de repetição e lesões por pressão. Durante visita domiciliar, a equipe multiprofissional percebe que a residência não possui adaptações arquitetônicas adequadas, o que limita sua mobilidade e dificulta o autocuidado. De acordo com as diretrizes do SUS e as estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças em pessoas com deficiência, qual deve ser a prioridade da equipe de saúde nesse caso?
  1. AEncaminhar o paciente para internação hospitalar preventiva, a fim de evitar complicações infecciosas ou úlceras por pressão.
  2. BReforçar apenas a prescrição medicamentosa e recomendar uso contínuo de antibióticos profiláticos para prevenir infecções urinárias.
  3. CImplementar medidas educativas e de reabilitação, com orientações sobre cuidados com a pele, posicionamento adequado, esvaziamento vesical e incentivo ao autocuidado, além de articulação com serviços sociais para adaptação do domicílio.
  4. DPriorizar exclusivamente a emissão de laudos médicos para concessão de benefícios previdenciários e isenções fiscais.
  5. EAgendar consultas médicas periódicas sem necessidade de acompanhamento da equipe multiprofissional, pois o manejo clínico é suficiente.
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GabaritoC — Implementar medidas educativas e de reabilitação, com orientações sobre cuidados com a pele, posicionamento adequado, esvaziamento vesical e incentivo ao autocuidado, além de articulação com serviços sociais para adaptação do domicílio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Atenção Primária à Saúde e a pessoa com deficiência

Gabarito: letra C. A prioridade da equipe de saúde da família é a abordagem integral e multiprofissional, combinando medidas educativas e de reabilitação com a articulação intersetorial para adaptação do domicílio — exatamente o que a alternativa C descreve. Isso decorre dos princípios do SUS (integralidade, equidade e promoção da saúde) e da Política Nacional de Atenção Básica, que orientam o cuidado centrado na pessoa, no seu contexto familiar e social, e não apenas na doença.

A Atenção Primária à Saúde (APS), operacionalizada pela Estratégia Saúde da Família (ESF), é a porta de entrada preferencial do SUS e tem como atributos essenciais o primeiro contato, a longitudinalidade, a integralidade e a coordenação do cuidado. No caso de uma pessoa com deficiência física, como o paciente do enunciado (paraplegia pós-acidente), a equipe deve enxergar além do diagnóstico clínico: a deficiência impõe barreiras que vão desde a mobilidade até o autocuidado, e é papel da equipe atuar sobre esses determinantes. A visita domiciliar, inclusive, é uma ferramenta central da ESF — ela permite avaliar o ambiente, a dinâmica familiar e as condições reais de vida, algo impossível apenas no consultório.

A prevenção de complicações como infecções urinárias de repetição e lesões por pressão (LPP) passa, fundamentalmente, por educação em saúde e reabilitação: orientações sobre cuidados com a pele, mudança de decúbito e posicionamento adequado, esvaziamento vesical programado e incentivo ao autocuidado. Essas medidas são a base da prevenção de LPP e de infecções do trato urinário em pacientes com lesão medular, pois atuam diretamente nos fatores de risco modificáveis. Além disso, a adaptação do domicílio é um determinante social da saúde: sem acessibilidade, o paciente não consegue realizar atividades básicas, o que compromete sua autonomia e qualidade de vida. A equipe deve, portanto, articular com serviços sociais e de reabilitação para garantir rampas, barras de apoio, alargamento de portas e outros recursos que promovam a funcionalidade.

A abordagem correta não é hospitalar preventiva, nem exclusivamente medicamentosa, nem burocrática (laudos), nem apenas consultas médicas isoladas. O cuidado à pessoa com deficiência no SUS é pautado pela integralidade e pela atuação multiprofissional, com foco na reabilitação e na inclusão social. A Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência reforça a necessidade de ações de promoção, prevenção, assistência e reabilitação, com ênfase na atenção básica e na articulação intersetorial. O médico de família, como coordenador do cuidado, deve liderar essa abordagem, mas sempre em equipe, envolvendo enfermeiros, agentes comunitários, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

A pegadinha desta questão está em alternativas que parecem plausíveis, mas que fragmentam o cuidado: a internação preventiva (A) é desnecessária e iatrogênica; a profilaxia antibiótica contínua (B) é inadequada e aumenta resistência bacteriana; a emissão de laudos (D) é apenas uma parte do cuidado, não a prioridade; e o acompanhamento apenas médico (E) ignora a natureza multiprofissional da ESF. A alternativa C é a única que integra prevenção, reabilitação e intersetorialidade, alinhada aos princípios do SUS e às diretrizes da atenção básica.

Guarde o critério decisivo: a prioridade é sempre a abordagem integral e multiprofissional, centrada na pessoa e no seu contexto, com ações de promoção, prevenção e reabilitação — nunca uma medida isolada, hospitalar ou burocrática. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.

Cuidado à pessoa com deficiência na APS
  • 1Princípios do SUS
    • Integralidade
    • Equidade
    • Promoção da saúde
  • 2Atributos da ESF
    • Primeiro contato
    • Longitudinalidade
    • Integralidade
    • Coordenação do cuidado
  • 3Ações prioritárias
    • Educação em saúde
      • Cuidados com a pele
      • Posicionamento adequado
      • Esvaziamento vesical
      • Autocuidado
    • Reabilitação
    • Articulação intersetorial
      • Adaptação do domicílio
      • Serviços sociais
  • 4Ferramentas
    • Visita domiciliar
    • Atuação multiprofissional
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A internação hospitalar preventiva é desnecessária e contrária aos princípios da APS. O paciente não apresenta indicação clínica de internação; o cuidado deve ser realizado no domicílio e na comunidade, com acompanhamento da equipe de saúde da família. A internação preventiva aumentaria o risco de infecções hospitalares e afastaria o paciente do seu contexto familiar e social, o que é iatrogênico e antieconômico. A prevenção de complicações como LPP e infecções urinárias é feita com educação em saúde e reabilitação, não com hospitalização.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A profilaxia antibiótica contínua é inadequada e perigosa. O uso prolongado de antibióticos sem indicação precisa aumenta o risco de resistência bacteriana, efeitos adversos e disbiose, sem reduzir efetivamente a incidência de infecções urinárias em pacientes com bexiga neurogênica. A abordagem correta inclui esvaziamento vesical programado (cateterismo intermitente limpo, quando indicado), hidratação adequada, higiene e orientações sobre cuidados com a pele. A alternativa reduz o cuidado a uma medida medicamentosa isolada, ignorando a reabilitação e a educação em saúde.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a abordagem integral e multiprofissional que o SUS preconiza para pessoas com deficiência. As medidas educativas e de reabilitação (cuidados com a pele, posicionamento, esvaziamento vesical, autocuidado) são essenciais para prevenir LPP e infecções urinárias. A articulação com serviços sociais para adaptação do domicílio atua sobre o determinante social da acessibilidade, promovendo autonomia e qualidade de vida. A alternativa integra prevenção, reabilitação e intersetorialidade, exatamente o que a Política Nacional de Atenção Básica e a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência orientam.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A emissão de laudos para benefícios previdenciários e isenções fiscais é uma atribuição importante, mas não é a prioridade no cuidado à saúde. O laudo é um instrumento burocrático que pode auxiliar o paciente a acessar direitos, mas não substitui as ações de promoção, prevenção e reabilitação. A prioridade é o cuidado integral, com educação em saúde, reabilitação e adaptação do domicílio. A alternativa fragmenta o cuidado, reduzindo-o a uma medida administrativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O acompanhamento apenas médico, sem a equipe multiprofissional, contraria o modelo da ESF. A atenção básica é baseada no trabalho em equipe, envolvendo enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários e, quando possível, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. O manejo clínico isolado não aborda os determinantes sociais, a reabilitação e a educação em saúde, que são essenciais para prevenir complicações e promover a autonomia. A alternativa ignora a natureza multiprofissional e integral do cuidado.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre a pessoa com deficiência na APS, desconfie de alternativas que isolam uma única medida (medicamentosa, hospitalar, burocrática) ou que excluem a equipe multiprofissional. A resposta correta quase sempre integra prevenção, reabilitação e intersetorialidade. Lembre-se: o cuidado é centrado na pessoa, não na doença.

Gabarito: letra C

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