Questão de Medicina — Biossegurança em Medicina — FUNDATEC 2025
Medicina›Biossegurança em Medicina
Código
qg483752
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Durante um plantão em unidade de emergência, um residente de clínica médica sofre acidente ocupacional ao puncionar veia femoral de um paciente com choque séptico. O profissional relata que usava luvas, mas não utilizava óculos de proteção nem avental impermeável, e sofreu respingo de sangue nos olhos. O paciente tem sorologia positiva para hepatite B (HBsAg reagente), mas negativa para HIV e hepatite C. O residente não lembra se completou corretamente o esquema vacinal contra hepatite B na infância e nunca realizou teste sorológico pós-vacinação. Considerando as recomendações de biossegurança e precauções universais, qual é a conduta mais adequada?
ANão é necessário nenhum procedimento imediato, visto que o uso de luvas já constitui precaução universal suficiente e o risco de transmissão ocular é desprezível.
BRealizar lavagem ocular imediata com solução salina ou água corrente, solicitar sorologia anti-HBs do profissional e indicar imunoprofilaxia com vacina e imunoglobulina anti-HBs, conforme resultado.
CAdministrar imediatamente esquema completo de vacina contra hepatite B, sem necessidade de imunoglobulina, pois a profilaxia passiva não tem papel na exposição ocupacional.
DSolicitar apenas anti-HBs do profissional, sem medidas adicionais, aguardando resultado antes de decidir por imunoprofilaxia
EIndicar profilaxia combinada com vacina contra hepatite B e imunoglobulina anti-HBs imediatamente, independentemente de resultado sorológico do profissional, devido ao risco elevado da exposição.
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GabaritoE — Indicar profilaxia combinada com vacina contra hepatite B e imunoglobulina anti-HBs imediatamente, independentemente de resultado sorológico do profissional, devido ao risco elevado da exposição.
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Profilaxia pós-exposição ocupacional à hepatite B
Gabarito: letra E. Diante de exposição de mucosa ocular a sangue de paciente-fonte com HBsAg reagente, em profissional com estado vacinal desconhecido, a conduta é a profilaxia combinada imediata com vacina contra hepatite B e imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB), sem aguardar resultado sorológico do profissional. Essa recomendação consta do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
O acidente ocupacional com material biológico exige conduta imediata e sistematizada. No caso, o residente sofreu respingo de sangue em mucosa ocular — uma exposição de risco real para transmissão do vírus da hepatite B (HBV), que é altamente infectante por essa via. O paciente-fonte tem HBsAg reagente, ou seja, está infectado e é potencialmente transmissor. O profissional não sabe se completou o esquema vacinal e nunca fez anti-HBs, o que o coloca na categoria de "resposta vacinal desconhecida".
A primeira medida, antes de qualquer decisão sobre imunoprofilaxia, é a lavagem imediata da mucosa ocular com soro fisiológico ou água corrente em abundância — isso reduz a carga viral inoculada. Em seguida, o profissional deve ser avaliado com urgência por serviço de saúde ocupacional ou infectologia, que conduzirá a profilaxia pós-exposição (PEP).
A PEP para hepatite B combina duas estratégias: a imunização ativa (vacina) e a passiva (IGHAHB). A vacina estimula o próprio sistema imunológico a produzir anticorpos; a imunoglobulina fornece anticorpos prontos, neutralizando o vírus imediatamente. Quando a fonte é HBsAg reagente e o profissional não tem resposta vacinal comprovada, a recomendação é administrar ambas, em grupos musculares diferentes, preferencialmente nas primeiras 24 horas após a exposição.
A tabela abaixo resume a conduta conforme a situação vacinal do profissional exposto e a sorologia da fonte:
Situação do profissional
Fonte HBsAg reagente
Fonte HBsAg não reagente
Não vacinado
IGHAHB + iniciar vacinação
Iniciar vacinação
Vacinação incompleta
IGHAHB + completar vacinação
Completar vacinação
Resposta vacinal adequada (anti-HBs ≥ 10 mUI/mL)
Nenhuma medida
Nenhuma medida
Sem resposta após 1ª série (3 doses)
IGHAHB + 1ª dose da 2ª série
Iniciar nova série (3 doses)
Sem resposta após 2ª série (6 doses)
IGHAHB (2 doses)
Nenhuma medida específica
Resposta vacinal desconhecida
Testar anti-HBs; se inadequada, IGHAHB + vacina
Testar anti-HBs; se inadequada, vacinar
A pegadinha central desta questão está na alternativa B, que parece completa, mas condiciona a imunoprofilaxia ao resultado do anti-HBs. O protocolo é claro: quando a fonte é HBsAg reagente e o profissional tem resposta vacinal desconhecida, a IGHAHB e a vacina devem ser administradas imediatamente, sem aguardar a sorologia. O teste anti-HBs é solicitado, mas a conduta não pode ser adiada — o risco de transmissão é alto e a janela de eficácia da imunoglobulina é curta (idealmente 24 horas, máximo 7 dias).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dúvida entre "testar primeiro" e "profilaxiar primeiro". Na exposição a fonte HBsAg reagente com profissional de resposta vacinal desconhecida, a regra é não esperar o resultado do anti-HBs: administrar IGHAHB + vacina imediatamente. O teste serve para confirmar a necessidade, mas a conduta já está indicada pelo alto risco. Aguardar o resultado, como propõe a alternativa B, atrasa a profilaxia e compromete sua eficácia.
Conduta pós-exposição (HBV)
1Fonte HBsAg reagente
Resposta vacinal desconhecida
Não aguardar anti-HBs
IGHAHB + vacina imediata
Anti-HBs ≥ 10 mUI/mL
Nenhuma medida
2Fonte HBsAg não reagente
Não vacinado
Iniciar vacinação
Resposta desconhecida
Testar anti-HBs
Vacinar se inadequada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de luvas é precaução suficiente e que o risco ocular é desprezível. Erro duplo: as luvas protegem as mãos, não os olhos — a mucosa ocular exige óculos de proteção ou protetor facial. Além disso, o risco de transmissão do HBV por exposição de mucosa é real e significativo, não desprezível. A conduta correta inclui lavagem ocular imediata e avaliação para PEP.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa começa correta (lavagem ocular imediata e solicitação de anti-HBs), mas erra ao condicionar a imunoprofilaxia ao resultado sorológico. Como a fonte é HBsAg reagente e o profissional tem resposta vacinal desconhecida, a IGHAHB e a vacina devem ser administradas imediatamente, sem aguardar o anti-HBs. O teste é solicitado, mas não pode atrasar a profilaxia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a imunoglobulina não tem papel na exposição ocupacional. Isso é falso: a IGHAHB é componente essencial da PEP para hepatite B quando a fonte é HBsAg reagente e o profissional não tem resposta vacinal comprovada. A profilaxia passiva fornece anticorpos imediatos, enquanto a vacina gera resposta ativa — ambas são necessárias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe apenas solicitar anti-HBs e aguardar o resultado antes de decidir. Essa conduta é perigosa: o atraso na profilaxia aumenta o risco de infecção. A recomendação é administrar IGHAHB + vacina imediatamente, independentemente do resultado do anti-HBs, quando a fonte é HBsAg reagente e a resposta vacinal é desconhecida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Indica profilaxia combinada com vacina e IGHAHB imediatamente, independentemente do resultado sorológico do profissional, devido ao risco elevado da exposição. Essa é exatamente a conduta preconizada: fonte HBsAg reagente + profissional com resposta vacinal desconhecida = IGHAHB + vacina, sem aguardar anti-HBs. A lavagem ocular imediata é o primeiro passo, mas a alternativa já contempla a essência da PEP.
Gabarito: letra E — profilaxia combinada imediata com vacina e imunoglobulina anti-HBs, sem aguardar resultado sorológico do profissional.