Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg483754
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Um homem de 63 anos, internado em UTI por choque séptico refratário a pneumonia, encontra-se em uso de noradrenalina (0,5 mcg/kg/min), vasopressina (0,03 U/min) e ventilação mecânica. Após otimização volêmica guiada por pressão arterial média (PAM), o paciente mantém lactato sérico de 4,8 mmol/L, oligúria e tempo de enchimento capilar prolongado. A monitorização hemodinâmica mostra:• PVC: 11 mmHg. • Pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP): 15 mmHg. • ScvO₂: 58%. • ΔCO₂ veno-arterial (gap CO₂): 9 mmHg. Qual interpretação é a mais adequada e qual deve ser a conduta prioritária?
AO paciente apresenta hipovolemia residual, devendo receber expansão volêmica adicional guiada por Pressão Venosa Central (PVC).
BO paciente apresenta baixo débito cardíaco persistente, sugerido por ScvO₂ <70% e ΔCO₂ elevado, sendo indicado iniciar suporte inotrópico (exemplo: dobutamina).
COs valores de PVC e POAP normais indicam adequada pré-carga, portanto não há necessidade de ajustes adicionais no suporte circulatório.
DO aumento do ΔCO₂ reflete apenas hipoperfusão periférica, devendo-se priorizar a transfusão sanguínea para melhorar a oxigenação tecidual.
EA combinação de ScvO₂ reduzida com ΔCO₂ aumentado sugere excesso de vasoconstrição pela noradrenalina, devendo-se reduzir sua dose.
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GabaritoB — O paciente apresenta baixo débito cardíaco persistente, sugerido por ScvO₂ <70% e ΔCO₂ elevado, sendo indicado iniciar suporte inotrópico (exemplo: dobutamina).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Choque séptico refratário: interpretação hemodinâmica e conduta
Gabarito: letra B. O paciente apresenta sinais de baixo débito cardíaco persistente — evidenciado pela ScvO₂ de 58% (normal >70%) e pelo ΔCO₂ veno-arterial elevado (9 mmHg, normal <6 mmHg) —, sendo indicado iniciar suporte inotrópico com dobutamina. A PVC (11 mmHg) e a POAP (15 mmHg) já indicam pré-carga adequada, afastando hipovolemia residual e contraindicação à expansão volêmica adicional.
O choque séptico é uma síndrome caracterizada por hipoperfusão tecidual persistente apesar da ressuscitação volêmica adequada, com necessidade de vasopressores para manter PAM ≥65 mmHg. A monitorização hemodinâmica avançada permite distinguir os componentes do choque: pré-carga (PVC, POAP), contratilidade (débito cardíaco, ScvO₂) e resistência vascular (PAM, lactato). Neste caso, o paciente já recebeu otimização volêmica guiada por PAM e encontra-se em uso de noradrenalina (0,5 mcg/kg/min) e vasopressina (0,03 U/min), porém persiste com lactato elevado (4,8 mmol/L), oligúria e enchimento capilar prolongado — sinais de hipoperfusão tecidual contínua.
A ScvO₂ reflete o equilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio. Valores <70% indicam que o aporte de oxigênio está inadequado para a demanda metabólica, sugerindo baixo débito cardíaco ou anemia/hipoxemia graves. O ΔCO₂ veno-arterial (diferença entre PCO₂ venosa e arterial) é um marcador de adequação do fluxo sanguíneo aos tecidos: valores >6 mmHg indicam fluxo insuficiente para remover o CO₂ produzido, mesmo quando a ScvO₂ está normalizada. A combinação de ScvO₂ baixa com ΔCO₂ elevado é altamente sugestiva de débito cardíaco insuficiente — o cenário clássico de disfunção miocárdica associada à sepse.
A conduta prioritária nesse contexto é o suporte inotrópico. A dobutamina é o agente de escolha, iniciada em doses baixas (2,5 mcg/kg/min) e titulada conforme resposta clínica, ecocardiografia seriada e coleta frequente de lactato e ScvO₂. A expansão volêmica adicional estaria contraindicada, pois PVC e POAP já indicam pré-carga adequada — administrar mais volume poderia precipitar edema pulmonar sem melhorar a perfusão. A transfusão sanguínea não é prioridade, pois não há indicação de hemoglobina ≤7 g/dL. A redução da noradrenalina seria inadequada, pois o paciente já está em uso de dois vasopressores e a hipoperfusão não decorre de vasoconstrição excessiva, mas de baixo fluxo.
Guarde a distinção central: pré-carga adequada (PVC/POAP normais) + ScvO₂ baixa + ΔCO₂ elevado = baixo débito cardíaco → inotrópico. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.
Pré-carga adequada
Pré-carga inadequada
ScvO₂ normal + ΔCO₂ normal
Baixo débito → inotrópico
Hipovolemia → volume
ScvO₂ baixa + ΔCO₂ alto
Vasoplegia → vasopressor
Estável → observar
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há hipovolemia residual e indica expansão volêmica adicional guiada por PVC. Erro: a PVC de 11 mmHg e a POAP de 15 mmHg indicam pré-carga adequada. A hipoperfusão persistente não é por falta de volume, mas por baixo débito cardíaco. Expandir volume nesse cenário pode causar edema pulmonar sem benefício hemodinâmico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao identificar baixo débito cardíaco persistente, sugerido pela ScvO₂ <70% (58%) e ΔCO₂ elevado (9 mmHg). A conduta de iniciar dobutamina é a mais adequada, pois o paciente apresenta sinais de disfunção miocárdica associada à sepse, com pré-carga já otimizada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que PVC e POAP normais indicam pré-carga adequada e que não há necessidade de ajustes. Erro: embora a pré-carga esteja adequada, o paciente persiste com hipoperfusão (lactato elevado, oligúria, ScvO₂ baixa, ΔCO₂ alto). Há necessidade de ajuste — não de volume, mas de suporte inotrópico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o ΔCO₂ elevado reflete apenas hipoperfusão periférica e indica transfusão sanguínea. Erro: o ΔCO₂ elevado, combinado com ScvO₂ baixa, sugere baixo débito cardíaco, não apenas hipoperfusão periférica. A transfusão não é prioridade sem indicação de hemoglobina ≤7 g/dL ou isquemia miocárdica ativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a combinação sugere excesso de vasoconstrição pela noradrenalina e indica redução da dose. Erro: o paciente já está em uso de noradrenalina e vasopressina, e a hipoperfusão não decorre de vasoconstrição excessiva, mas de baixo fluxo sanguíneo. Reduzir a dose de noradrenalina poderia piorar a PAM e a perfusão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os componentes do choque. O candidato pode pensar que PVC/POAP normais significam "tudo certo" (alternativa C) ou que o problema é vasoconstrição (alternativa E). A chave é reconhecer que ScvO₂ baixa + ΔCO₂ alto = baixo débito cardíaco, mesmo com pré-carga adequada.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte o raciocínio em etapas: 1) pré-carga adequada? (PVC/POAP) → 2) débito cardíaco adequado? (ScvO₂, ΔCO₂) → 3) resistência vascular adequada? (PAM, lactato). Isso evita erros de interpretação.