Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg483759
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Um homem de 34 anos, previamente saudável, residente em área endêmica da Amazônia brasileira, procura atendimento com febre diária há 12 dias, calafrios intensos, sudorese profusa, icterícia, anemia e esplenomegalia importante. Relata que iniciou tratamento empírico com cloroquina prescrito por serviço local, mas não apresentou melhora clínica. O esfregaço sanguíneo mostra parasitemia elevada (>10%) com formas aneladas e trofozoítos em hemácias múltiplas, além de presença de gametócitos em forma de banana. Considerando o quadro clínico-epidemiológico e as diretrizes nacionais de tratamento, qual é a conduta terapêutica mais adequada?
AReintroduzir cloroquina em doses elevadas associada à primaquina, visto que o paciente provavelmente não seguiu corretamente o primeiro ciclo.
BIniciar atovaquona-proguanil via oral, pois se trata de falha terapêutica ao esquema inicial e essa é a principal opção para malária grave no Brasil.
CIntroduzir quinina associada à doxiciclina como primeira escolha, visto que esse é o tratamento padrão recomendado pelo Ministério da Saúde para malária grave por P. falciparum.
DTratar como Plasmodium vivax resistente, iniciando esquema com tafenoquina em dose única, pois o quadro clínico de recaída é típico dessa espécie.
EConfirmar o diagnóstico de Plasmodium falciparum e iniciar imediatamente terapia endovenosa com artesunato, seguido de combinação à base de derivados de artemisinina por via oral após estabilização clínica.
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GabaritoE — Confirmar o diagnóstico de Plasmodium falciparum e iniciar imediatamente terapia endovenosa com artesunato, seguido de combinação à base de derivados de artemisinina por via oral após estabilização clínica.
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Malária grave por Plasmodium falciparum: conduta terapêutica
Gabarito: letra E. O quadro descrito — febre diária há 12 dias, icterícia, anemia, esplenomegalia, parasitemia >10% e gametócitos em forma de banana — é altamente sugestivo de malária grave por Plasmodium falciparum, e a conduta imediata é a terapia endovenosa com artesunato, seguida de combinação à base de derivados de artemisinina (TCA) por via oral após estabilização clínica, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A falha terapêutica com cloroquina reforça a suspeita de P. falciparum, espécie resistente a esse fármaco, e a gravidade do caso contraindica qualquer tratamento oral inicial.
A malária é uma doença febril aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas de mosquitos Anopheles. No Brasil, as espécies mais relevantes são P. falciparum, P. vivax e P. malariae. O P. falciparum é o mais letal, responsável pela maioria dos casos graves e óbitos, e apresenta resistência à cloroquina — por isso, o tratamento de primeira linha para infecções não complicadas por essa espécie é a artemeter + lumefantrina (TCA), e não a cloroquina. O P. vivax, embora cause a maioria dos casos no país, raramente evolui para formas graves, e o tratamento inclui cloroquina associada à primaquina (ou tafenoquina) para eliminar as formas hepáticas hipnozoítas.
O diagnóstico de malária grave é clínico-laboratorial e exige reconhecimento imediato de sinais de gravidade, como icterícia, anemia grave, hiperparasitemia (acima de 250.000 parasitos/mm³ ou >5% de hemácias parasitadas), insuficiência renal, alteração do nível de consciência, desconforto respiratório, entre outros. A presença de parasitemia elevada (>10%) e gametócitos em forma de banana (típicos de P. falciparum) no esfregaço sanguíneo confirma a espécie e a gravidade. Nesse cenário, a conduta é a internação imediata e o início de artesunato endovenoso, que é o esquema de escolha para malária grave no Brasil, conforme o Guia de Tratamento da Malária do Ministério da Saúde. Após a estabilização clínica e a redução da parasitemia, o paciente deve completar o tratamento com uma TCA por via oral, como artemeter + lumefantrina, para garantir a cura radical e evitar recrudescência.
A alternativa E é a única que contempla corretamente a sequência terapêutica para malária grave por P. falciparum: artesunato EV seguido de TCA oral. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou terapêuticos graves, como reintroduzir cloroquina (ineficaz para P. falciparum), usar atovaquona-proguanil (não é opção para malária grave), indicar quinina + doxiciclina como primeira escolha (esquema alternativo, não padrão), ou tratar como P. vivax resistente com tafenoquina (espécie e conduta incorretas).
1Confirmar espécie (esfregaço)
2Internação imediata
3Artesunato endovenoso
4Estabilização clínica
5TCA oral (artemeter + lumefantrina)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Reintroduzir cloroquina em doses elevadas associada à primaquina é um erro grave. A cloroquina é ineficaz contra P. falciparum devido à resistência generalizada, e a primaquina não é indicada no tratamento da malária grave. Além disso, a falha terapêutica com cloroquina não se deve a má adesão, mas sim à espécie do parasito, que é resistente a esse fármaco. A conduta correta é o artesunato EV.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Atovaquona-proguanil é uma opção oral para malária não complicada por P. falciparum em viajantes, mas não é indicada para malária grave, que exige tratamento parenteral. A principal opção para malária grave no Brasil é o artesunato endovenoso, não a atovaquona-proguanil. A alternativa confunde o tratamento de formas leves com o de formas graves.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Quinina associada à doxiciclina é um esquema alternativo para malária grave, mas não é a primeira escolha recomendada pelo Ministério da Saúde. O tratamento padrão para malária grave por P. falciparum é o artesunato endovenoso, que tem maior eficácia e menor mortalidade. A alternativa apresenta um esquema obsoleto ou de segunda linha como primeira escolha.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Tratar como Plasmodium vivax resistente com tafenoquina é um erro de diagnóstico e conduta. O quadro clínico, a parasitemia elevada e os gametócitos em forma de banana são típicos de P. falciparum, não de P. vivax. A tafenoquina é indicada para prevenir recaídas de P. vivax, mas não tem papel no tratamento da malária grave por P. falciparum.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Confirmar o diagnóstico de Plasmodium falciparum e iniciar imediatamente terapia endovenosa com artesunato, seguida de combinação à base de derivados de artemisinina (TCA) por via oral após estabilização clínica, é a conduta correta. O artesunato EV é o tratamento de escolha para malária grave no Brasil, e a TCA oral completa o esquema para eliminar os parasitos remanescentes e prevenir recrudescência. A alternativa espelha exatamente as diretrizes do Ministério da Saúde.