Vacinação do idoso com comorbidades: abordagem prática
Gabarito: letra B. A conduta mais apropriada é iniciar a vacinação antigripal anual, administrar a pneumocócica conjugada (VPC13) se nunca recebida, seguida da polissacarídica 23-valente (PPSV23) após intervalo mínimo, atualizar dT e oferecer reforço de covid-19 — tudo conforme o Calendário Nacional de Vacinação (PNI) e as sociedades médicas. A alternativa B é a única que contempla, de forma completa e correta, as recomendações para idosos com diabetes e DPOC, priorizando as vacinas de maior impacto e respeitando os esquemas sequenciais.
A vacinação do idoso é uma das intervenções mais custo-efetivas na prevenção de doenças graves, especialmente naqueles com comorbidades como diabetes melito tipo 2 e DPOC. O objetivo é reduzir complicações de infecções respiratórias, que são causas frequentes de hospitalização e morte nessa população. As principais vacinas recomendadas para idosos incluem: influenza (anual), pneumocócicas (conjugada e polissacarídica), dT/dTpa (reforço a cada 10 anos), hepatite B, febre amarela e herpes-zóster. A recomendação atual das sociedades médicas, como a SBIm, é que a vacinação pneumocócica seja feita de forma sequencial: iniciar com a conjugada (VPC13, VPC15 ou VPC20) e, dependendo da vacina utilizada, complementar com a polissacarídica (PPSV23) após intervalo de 6 a 12 meses. A vacina VPC20, por ser conjugada e de maior cobertura, pode ser usada em dose única, sem necessidade de PPSV23.
A vacina contra influenza é recomendada anualmente para todos os idosos, especialmente aqueles com DPOC e diabetes, pois reduz significativamente o risco de complicações e hospitalizações. A vacina pneumocócica conjugada (VPC13) é indicada para idosos com comorbidades, seguida da polissacarídica (PPSV23) após intervalo de 6 a 12 meses, para ampliar a cobertura contra sorotipos adicionais. A vacina dT (difteria e tétano) deve ser atualizada a cada 10 anos, e a vacina contra covid-19 deve ser oferecida conforme o esquema vigente, com reforços periódicos. A vacina contra herpes-zóster (RZV) é recomendada para idosos, mas não deve ser priorizada em detrimento das vacinas de maior impacto, como influenza e pneumocócica.
A alternativa B é a mais completa e correta, pois aborda todas as vacinas essenciais para essa paciente, respeitando os esquemas e intervalos recomendados. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou omissões importantes, como priorizar vacinas de menor impacto ou negligenciar vacinas essenciais. A banca explora a confusão entre as vacinas pneumocócicas e a priorização inadequada de vacinas, como herpes-zóster ou HPV, em detrimento das vacinas de maior relevância para idosos com comorbidades.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a VPC20 isolada é suficiente, evitando PPSV23 e sem necessidade de influenza anual. Isso está errado porque a vacina influenza anual é essencial para idosos com DPOC e diabetes, e a VPC20, embora ofereça ampla cobertura, não substitui a necessidade de vacinação antigripal. A recomendação é que a influenza seja administrada anualmente, independentemente da vacina pneumocócica utilizada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque contempla todas as vacinas essenciais para a paciente: influenza anual, pneumocócica conjugada (VPC13) seguida de PPSV23 após intervalo mínimo, atualização de dT e reforço de covid-19. Isso está alinhado com as recomendações do PNI e das sociedades médicas, que priorizam a vacinação antigripal e pneumocócica para idosos com comorbidades, além de manter o calendário de reforços atualizado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que não se deve aplicar vacinas pneumocócicas em idosos com história vacinal desconhecida e priorizar apenas hepatite B e HPV. Isso está errado porque a vacinação pneumocócica é recomendada para idosos com comorbidades, mesmo com história vacinal desconhecida, e a hepatite B e o HPV não são as vacinas mais importantes para pacientes com diabetes. A prioridade deve ser influenza e pneumocócicas, além de dT e covid-19.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a RZV deve ser prioridade única, adiando influenza e pneumocócica. Isso está errado porque a vacina contra herpes-zóster, embora recomendada, não deve ser priorizada em detrimento das vacinas de maior impacto, como influenza e pneumocócica, que previnem doenças respiratórias graves e hospitalizações. A RZV pode ser administrada, mas não deve adiar as vacinas essenciais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que apenas PPSV23 deve ser indicada, pois a conjugada não tem papel para >65 anos. Isso está errado porque a vacina conjugada (VPC13, VPC15 ou VPC20) é recomendada para idosos, especialmente aqueles com comorbidades, e deve ser seguida de PPSV23 após intervalo. Além disso, adiar a vacina de influenza para avaliação laboratorial prévia não é recomendado, pois a vacinação antigripal deve ser feita anualmente sem necessidade de exames prévios.
Gabarito: letra B