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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg483766
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Um homem de 58 anos, hipertenso e diabético, é encontrado inconsciente em sua residência. Ao chegar no pronto-socorro, apresenta ausência de pulso carotídeo e monitor cardíaco revela fibrilação ventricular. A equipe inicia ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade e administra 1 mg de adrenalina intravenosa após duas desfibrilações malsucedidas. Considerando as diretrizes atuais de ACLS, qual é a conduta mais apropriada neste momento?
  1. AInterromper RCP por 30 segundos para avaliar pulso e ritmo, reavaliando posteriormente se a fibrilação ventricular permanece, administrando lidocaína 100 mg IV como primeira escolha antiarrítmica.
  2. BContinuar RCP, realizar desfibrilação com 50 J, seguida de vasopressina 40 U IV em substituição à adrenalina, mantendo ciclos de 1 minuto.
  3. CSuspender RCP e preparar intubação orotraqueal imediata, iniciando ventilação mecânica antes de nova tentativa de desfibrilação.
  4. DContinuar RCP de alta qualidade por 2 minutos, realizar nova desfibrilação de 200 J biphasic, administrar amiodarona 300 mg IV após a terceira desfibrilação e manter adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 minutos se a fibrilação persistir.
  5. EIniciar administração lenta de bicarbonato de sódio 1 mEq/kg IV antes da próxima desfibrilação para correção metabólica, independentemente da avaliação do pH sanguíneo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Continuar RCP de alta qualidade por 2 minutos, realizar nova desfibrilação de 200 J biphasic, administrar amiodarona 300 mg IV após a terceira desfibrilação e manter adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 minutos se a fibrilação persistir.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parada cardiorrespiratória em FV/TVSP: algoritmo de ACLS

Gabarito: letra D. Na fibrilação ventricular refratária, a conduta correta é manter RCP de alta qualidade por 2 minutos, realizar nova desfibrilação de alta energia (200 J bifásico), administrar amiodarona 300 mg IV após a terceira desfibrilação e manter adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 minutos — exatamente o que a alternativa D descreve, conforme as diretrizes de ACLS da American Heart Association e a Atualização da Diretriz de RCP da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2019).

A parada cardiorrespiratória (PCR) em fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) é uma emergência que exige sequência rígida de manobras. O coração, em vez de bombear sangue, apresenta atividade elétrica caótica (FV) ou muito rápida (TVSP), sem débito cardíaco efetivo. O tratamento se baseia em três pilares: RCP de alta qualidade (compressões torácicas de 5-6 cm, 100-120/min, com retorno completo do tórax), desfibrilação precoce (choque de alta energia) e medicações vasopressoras e antiarrítmicas.

O algoritmo de FV/TVSP segue uma lógica de ciclos: após cada choque, retoma-se a RCP imediatamente por 2 minutos, sem interromper para checagem imediata de pulso — a checagem de ritmo ocorre ao final dos 2 minutos de RCP. A adrenalina é o vasopressor de primeira escolha, na dose de 1 mg IV/IO a cada 3-5 minutos (a cada dois ciclos). A vasopressina não é mais indicada. Após a terceira desfibrilação, se a FV/TVSP persistir, administra-se antiarrítmico: amiodarona 300 mg IV/IO (primeira dose) ou lidocaína 1-1,5 mg/kg IV/IO como alternativa. O bicarbonato de sódio não é usado rotineiramente, apenas em situações específicas como hipercalemia ou acidose grave documentada.

A lógica por trás da sequência é fisiológica: a RCP de alta qualidade mantém perfusão coronariana e cerebral mínimas, a desfibrilação tenta reverter o ritmo chocável, a adrenalina aumenta a pressão de perfusão coronariana (melhorando a chance de sucesso do próximo choque), e a amiodarona estabiliza o miocárdio, reduzindo a recorrência de arritmias ventriculares. Interromper a RCP por 30 segundos (alternativa A) reduz drasticamente a perfusão — leva cerca de 1 minuto de RCP para restabelecer a pressão de perfusão coronariana prévia à interrupção. Desfibrilar com 50 J (alternativa B) é energia insuficiente para FV — a energia recomendada é alta (bifásico 120-200 J ou carga máxima). Suspender RCP para intubação (alternativa C) atrasa a desfibrilação e a RCP — a via aérea avançada é considerada, mas não interrompe as compressões. Bicarbonato de sódio (alternativa E) não é indicado rotineiramente, apenas em situações específicas.

A pegadinha central desta questão é a sequência temporal: a amiodarona é administrada após a terceira desfibrilação, não após a segunda. O enunciado informa que já foram feitas duas desfibrilações malsucedidas e a adrenalina já foi administrada. Portanto, o próximo passo é continuar RCP por 2 minutos, realizar a terceira desfibrilação e, se a FV persistir, administrar amiodarona. A alternativa D captura exatamente esse momento do algoritmo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Interromper a RCP por 30 segundos para avaliar pulso e ritmo é contraproducente — as checagens devem ser breves, e a RCP só é interrompida para o choque. Além disso, a lidocaína não é a primeira escolha antiarrítmica; a amiodarona é preferida (a lidocaína é alternativa). A dose de lidocaína também está errada: 100 mg IV não é a dose inicial recomendada (1-1,5 mg/kg).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Desfibrilação com 50 J é energia insuficiente para FV — a energia recomendada é alta (bifásico 120-200 J ou carga máxima). A vasopressina não é mais indicada como droga vasopressora na PCR, sendo substituída pela adrenalina. Ciclos de 1 minuto também estão errados: os ciclos de RCP são de 2 minutos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Suspender a RCP para intubação orotraqueal imediata atrasa a desfibrilação e as compressões — a via aérea avançada é considerada, mas não deve interromper a RCP. A prioridade é a desfibrilação e a RCP de alta qualidade, não a ventilação mecânica antes de nova tentativa de choque.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa segue fielmente o algoritmo de FV/TVSP: continuar RCP de alta qualidade por 2 minutos, realizar nova desfibrilação de 200 J bifásico (energia alta), administrar amiodarona 300 mg IV após a terceira desfibrilação (dose correta) e manter adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 minutos se a FV persistir. Todos os elementos estão corretos e na ordem certa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O bicarbonato de sódio não é indicado rotineiramente na PCR, apenas em situações específicas como hipercalemia, acidose metabólica grave documentada ou overdose de antidepressivos tricíclicos. Administrá-lo "independentemente da avaliação do pH sanguíneo" é um erro grave — pode causar alcalose, hipernatremia e piora do prognóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a sequência temporal do algoritmo. O candidato que decora "amiodarona após a terceira desfibrilação" acerta; quem confunde com "após a segunda" cai na alternativa A (que ainda troca amiodarona por lidocaína). Outra armadilha: a vasopressina foi retirada do algoritmo — quem estudou por material antigo pode marcar a alternativa B. Fique atento às atualizações das diretrizes!

PEGA ESSA DICA!

Para questões de ACLS, memorize a sequência: RCP 2 min → checagem de ritmo → choque (se chocável) → RCP 2 min → adrenalina 1 mg a cada 3-5 min → após 3º choque, amiodarona 300 mg (ou lidocaína 1-1,5 mg/kg). A energia do choque bifásico é 120-200 J (ou carga máxima). Vasopressina e bicarbonato não são rotina.

Gabarito: letra D

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