Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg483767
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Uma gestante primigesta de 28 anos, com 32 semanas de gestação, procura atendimento ambulatorial referindo cefaleia difusa persistente, fotofobia, náuseas e edema facial progressivo nas últimas 48 horas. Ao exame físico, observa-se pressão arterial de 162/104 mmHg, edema palpebral, hiperreflexia patelar bilateral, presença de clônus discreto e proteinúria 3,6 g em exame de urina de 24 horas. Considerando a semiologia médica, exame clínico obstétrico e doenças comuns da gestação, qual é a conduta diagnóstica mais apropriada?
AEdema fisiológico de gestação associado à hipertensão crônica, com conduta de acompanhamento ambulatorial semanal e ajuste de dieta e repouso relativo.
BSíndrome nefrótica gestacional isolada, caracterizada por proteinúria >3,5 g/dia, hipoalbuminemia e edema, cujo manejo inicial envolve restrição hídrica e dieta hipoproteica.
CHipertensão gestacional leve sem sinais de gravidade, iniciando com anti-hipertensivo oral ambulatorialmente e acompanhamento periódico como condutas adequadas.
DPré-eclâmpsia grave, evidenciada por hipertensão ≥160/110 mmHg, proteinúria significativa e sinais neurológicos (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia e clônus), indicando internação hospitalar imediata, monitoramento materno-fetal rigoroso e sulfato de magnésio para prevenção de convulsões.
EEclâmpsia já instalada, com anti-hipertensivos intravenosos e parto de emergência inclusos na conduta imediata.
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GabaritoD — Pré-eclâmpsia grave, evidenciada por hipertensão ≥160/110 mmHg, proteinúria significativa e sinais neurológicos (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia e clônus), indicando internação hospitalar imediata, monitoramento materno-fetal rigoroso e sulfato de magnésio para prevenção de convulsões.
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Pré-eclâmpsia grave: diagnóstico e conduta na gestação
Gabarito: letra D. A paciente apresenta critérios de pré-eclâmpsia grave — PA ≥160/110 mmHg, proteinúria significativa (3,6 g/24h) e sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia e clônus) —, o que impõe internação hospitalar imediata, monitoramento materno-fetal rigoroso e sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões. O diagnóstico se apoia nos critérios clínicos e laboratoriais das sociedades de obstetrícia (FEBRASGO/ISSHP), que classificam a pré-eclâmpsia como grave quando há PA ≥160/110 mmHg ou sintomas neurológicos, entre outros.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome específica da gestação, caracterizada pelo surgimento de hipertensão após a 20ª semana, acompanhada de proteinúria significativa ou de disfunção de órgão-alvo. No caso, a gestante tem 32 semanas (portanto, após a 20ª semana), PA de 162/104 mmHg (≥160/110), proteinúria de 3,6 g/24h (muito acima do limiar de 300 mg/24h) e sintomas neurológicos — cefaleia persistente, fotofobia, hiperreflexia e clônus —, que são sinais de iminência de eclâmpsia. A presença de qualquer um desses critérios já classifica a doença como grave, e a conduta não é ambulatorial: exige internação, controle pressórico, avaliação materno-fetal e sulfato de magnésio para prevenir crises convulsivas.
A distinção entre as formas de hipertensão na gestação é essencial. A hipertensão crônica é aquela que precede a gestação ou é diagnosticada antes de 20 semanas; a hipertensão gestacional surge após 20 semanas, mas sem proteinúria ou sinais de gravidade; a pré-eclâmpsia é a hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou disfunção orgânica; e a eclâmpsia é a pré-eclâmpsia complicada por convulsões ou coma. No caso, não há convulsão — portanto, não é eclâmpsia —, mas há sinais premonitórios claros, o que configura pré-eclâmpsia grave com iminência de eclâmpsia.
A conduta na pré-eclâmpsia grave é sempre hospitalar. O sulfato de magnésio é indicado para profilaxia de convulsões, e o parto é o tratamento definitivo, mas o momento depende da idade gestacional e da gravidade. Anti-hipertensivos são usados para controle da PA, mas não tratam a doença de base. A alternativa D resume corretamente essa abordagem.
A pegadinha da questão está em confundir pré-eclâmpsia grave com eclâmpsia (alternativa E) ou em subestimar a gravidade, tratando como hipertensão leve ou edema fisiológico (alternativas A e C). A presença de proteinúria maciça e sintomas neurológicos afasta qualquer hipótese de quadro benigno.
Hipertensão na gestação
1Hipertensão crônica
Antes de 20 semanas
2Hipertensão gestacional
Após 20 semanas, sem proteinúria
3Pré-eclâmpsia
Após 20 semanas + proteinúria/disfunção
Grave: PA ≥160/110 ou sintomas neurológicos
Internação imediata
Sulfato de magnésio
4Eclâmpsia
Pré-eclâmpsia + convulsão/coma
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O edema facial progressivo com ganho de peso rápido e hipertensão grave não é edema fisiológico. O edema fisiológico da gestação é comum, mas o surgimento rápido associado a PA ≥160/110 mmHg e proteinúria é sinal de alerta para pré-eclâmpsia. A conduta de acompanhamento ambulatorial semanal é totalmente inadequada para um quadro grave que exige internação imediata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome nefrótica pode cursar com proteinúria >3,5 g/dia, hipoalbuminemia e edema, mas o diagnóstico diferencial na gestação, com hipertensão e sintomas neurológicos, é pré-eclâmpsia. Além disso, a conduta proposta (restrição hídrica e dieta hipoproteica) é incorreta e até perigosa: na pré-eclâmpsia, não se restringe líquidos nem proteínas, e o manejo é hospitalar com sulfato de magnésio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A PA de 162/104 mmHg e a presença de sintomas neurológicos (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia, clônus) caracterizam pré-eclâmpsia grave, não hipertensão gestacional leve. A conduta ambulatorial com anti-hipertensivo oral é inadequada; a paciente precisa de internação e profilaxia de convulsões.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Todos os critérios de pré-eclâmpsia grave estão presentes: PA sistólica ≥160 mmHg, proteinúria significativa (3,6 g/24h) e sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia e clônus). A conduta correta é internação hospitalar imediata, monitoramento materno-fetal rigoroso e sulfato de magnésio para prevenção de convulsões. O parto é o tratamento definitivo, mas a decisão do momento depende da avaliação da idade gestacional e da gravidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Eclâmpsia é definida pela presença de convulsões tônico-clônicas ou coma em gestante com quadro hipertensivo. A paciente não teve convulsão — apenas sinais premonitórios (cefaleia, fotofobia, hiperreflexia, clônus). Portanto, o diagnóstico é pré-eclâmpsia grave com iminência de eclâmpsia, e a conduta imediata inclui sulfato de magnésio para prevenir a convulsão, não o parto de emergência como primeira medida (a menos que haja indicação obstétrica).
Gabarito: letra D — pré-eclâmpsia grave, com internação imediata, monitoramento materno-fetal e sulfato de magnésio.