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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg483768
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico/Área: Clínica Médica
Um homem de 52 anos, portador de diabete melito tipo 2 mal controlado (HbA1c 9,1%), é diagnosticado com tuberculose pulmonar confirmada por baciloscopia e cultura positivas. No início do tratamento com esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol), evolui após 6 semanas com elevação progressiva das transaminases (AST 480 U/L, ALT 510 U/L), icterícia, colúria e astenia intensa. A equipe opta por suspender todas as drogas. Após 3 semanas de melhora clínica e laboratorial, considera-se a reintrodução escalonada do tratamento. Segundo protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas atualizados, qual é a conduta mais apropriada?
  1. AReintroduzir as drogas em esquema escalonado, começando por rifampicina e isoniazida, avaliando função hepática, e somente depois adicionar pirazinamida, se tolerada.
  2. BReiniciar o esquema completo (RIPE) de uma só vez, pois a suspensão temporária foi suficiente para resolver a hepatotoxicidade, evitando atrasos no tratamento.
  3. CReiniciar com isoniazida e pirazinamida, pois a hepatotoxicidade está mais relacionada à rifampicina, que deve ser reintroduzida por último.
  4. DSubstituir definitivamente todas as drogas hepatotóxicas (isoniazida, rifampicina e pirazinamida) por um esquema de segunda linha com fluoroquinolona, estreptomicina e etambutol.
  5. EManter apenas etambutol e pirazinamida até completar 6 meses, já que apresentam menor risco de hepatotoxicidade em comparação às outras drogas do esquema.
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GabaritoA — Reintroduzir as drogas em esquema escalonado, começando por rifampicina e isoniazida, avaliando função hepática, e somente depois adicionar pirazinamida, se tolerada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatotoxicidade na tuberculose: reintrodução escalonada do esquema RIPE

Gabarito: letra A. Na hepatotoxicidade induzida por drogas antituberculose, após a suspensão do esquema e melhora clínico-laboratorial, a conduta é a reintrodução escalonada dos fármacos, começando por rifampicina e isoniazida (ou rifampicina + etambutol), com monitorização da função hepática, e só então adicionar pirazinamida, se tolerada — conforme as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A alternativa A espelha exatamente essa sequência.

A hepatotoxicidade é um dos efeitos adversos mais temidos no tratamento da tuberculose, pois pode levar à falência hepática e à interrupção do esquema, comprometendo a cura e favorecendo a resistência bacteriana. O esquema básico (RIPE) combina quatro drogas com potencial hepatotóxico: isoniazida (H), rifampicina (R) e pirazinamida (Z) são as mais implicadas; o etambutol (E) é o menos hepatotóxico, mas não é isento de risco. A lesão hepática pode se manifestar como elevação assintomática de transaminases (que costuma ser transitória e não exige suspensão) ou como hepatite franca, com icterícia, colúria e sintomas — o que obriga a parar o tratamento.

O critério para suspender o esquema é objetivo: transaminases acima de 5 vezes o limite superior da normalidade (LSN), mesmo sem sintomas, ou acima de 3 vezes o LSN acompanhadas de sintomas (como anorexia, náuseas, vômitos) ou de icterícia. No caso do enunciado, o paciente apresenta AST 480 U/L e ALT 510 U/L (valores muito acima de 5× o LSN, que é cerca de 40 U/L), além de icterícia e colúria — quadro grave que justifica a suspensão de todas as drogas. Após a normalização das enzimas (ou redução para níveis aceitáveis), inicia-se a reintrodução escalonada, nunca o reinício simultâneo de tudo.

A sequência de reintrodução é o ponto central da questão. As diretrizes brasileiras preconizam: primeiro, reintroduzir rifampicina + etambutol (RE); após 3 a 7 dias, se a função hepática se mantiver estável, adicionar isoniazida (H); e, por fim, se tudo correr bem, acrescentar pirazinamida (Z). A lógica é começar pelas drogas menos hepatotóxicas e mais essenciais, deixando a pirazinamida — a mais hepatotóxica do esquema — por último, pois é a que mais frequentemente causa hepatite. A cada etapa, deve-se monitorar a função hepática antes de prosseguir. Se houver nova elevação das enzimas ou reaparecimento de sintomas, suspende-se o último fármaco adicionado.

A alternativa A, ao dizer "começando por rifampicina e isoniazida", está essencialmente correta, pois reflete a prática de iniciar com as drogas de primeira linha menos hepatotóxicas (R e H, ou R+E) e adicionar a pirazinamida por último. A menção a "rifampicina e isoniazida" em vez de "rifampicina e etambutol" é uma variação aceitável, já que ambas as sequências (R+E → H → Z ou R+H → Z) são descritas na literatura, sempre deixando a pirazinamida para o final. O essencial — escalonamento, monitorização e pirazinamida por último — está presente.

A pegadinha da questão está em inverter a ordem de reintrodução ou em sugerir substituição definitiva do esquema. A banca explora a confusão entre "qual droga é a mais hepatotóxica" (pirazinamida, não rifampicina) e a falsa ideia de que, após a melhora, pode-se reiniciar tudo de uma vez. O candidato que não domina o protocolo de reintrodução tende a errar.

Droga

Hepatotoxicidade

Ordem de reintrodução

Rifampicina

Alta

1ª (com etambutol ou isoniazida)

Isoniazida

Alta

2ª (após estabilidade)

Pirazinamida

Muito alta (mais hepatotóxica)

3ª (por último, se tolerada)

Etambutol

Baixa

1ª (com rifampicina)

  1. 1Suspender todas as drogas
  2. 2Aguardar normalização enzimas
  3. 3Reintroduzir R + E
  4. 4Adicionar isoniazida
  5. 5Adicionar pirazinamida por último
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta apropriada. Após a suspensão do esquema por hepatotoxicidade e a melhora clínico-laboratorial, a reintrodução deve ser escalonada, começando pelas drogas menos hepatotóxicas (rifampicina e isoniazida, ou rifampicina + etambutol), com monitorização da função hepática a cada etapa, e a pirazinamida — a mais hepatotóxica — deve ser adicionada por último, se tolerada. Essa sequência é preconizada pelas diretrizes do Ministério da Saúde e da SBPT, que orientam: RE → RE+H → REH+Z, com intervalos de 3 a 7 dias entre cada adição e controle laboratorial antes de prosseguir.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Reiniciar o esquema completo (RIPE) de uma só vez é contraindicado. A suspensão temporária não "resolve" a hepatotoxicidade a ponto de permitir a reintrodução simultânea de todas as drogas — o risco de nova lesão hepática grave é alto, e a reintrodução escalonada é justamente para identificar qual fármaco é o responsável e evitar reexposição maciça. A conduta correta é o escalonamento, não o reinício em bloco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Inverte a ordem de reintrodução. A pirazinamida é a droga mais hepatotóxica do esquema e deve ser reintroduzida por último, não junto com a isoniazida no início. A rifampicina, embora também hepatotóxica, é reintroduzida precocemente (com ou sem etambutol), pois é a droga mais potente do esquema e essencial para a esterilização das lesões. A alternativa erra ao afirmar que a rifampicina deve ser reintroduzida por último.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Substituir definitivamente todas as drogas hepatotóxicas por esquema de segunda linha é precipitado e não é a conduta inicial. A substituição definitiva só é considerada em casos de hepatotoxicidade grave e prolongada (enzimas que não normalizam após 4 semanas) ou em casos graves de TB, quando não é possível reintroduzir o esquema básico. No caso do enunciado, houve melhora clínica e laboratorial após 3 semanas, o que permite a tentativa de reintrodução escalonada do esquema de primeira linha antes de partir para drogas de segunda linha, que são menos eficazes e mais tóxicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter apenas etambutol e pirazinamida até completar 6 meses é um esquema inadequado e incompleto. O etambutol é o menos hepatotóxico, mas a pirazinamida é justamente a mais hepatotóxica — mantê-la sem as outras drogas não faz sentido. Além disso, um esquema com apenas duas drogas (e sem rifampicina e isoniazida, as mais potentes) é insuficiente para tratar a tuberculose, com alto risco de falência terapêutica e resistência. A conduta correta é a reintrodução escalonada do esquema completo, não a manutenção de um esquema parcial.

Gabarito: letra A

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