Questão de Biologia — Origem e evolução da vida — FUNDATEC 2025
Biologia›Origem e evolução da vida
Código
qg483943
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Em uma população isolada de cervos em uma reserva natural, a fragmentação de habitat reduziu drasticamente o número de indivíduos ao longo de gerações. Análises genéticas revelaram características importantes relacionadas a efeitos endogâmicos na população. Assinale a alternativa correta quanto a esse mecanismo evolutivo.
AA endogamia reduz o tamanho efetivo populacional, aumentando a frequência de heterozigotos e promovendo a purificação de alelos deletérios.
BO acasalamento entre indivíduos aparentados eleva a probabilidade de alelos idênticos por descendência se combinarem, expondo alelos recessivos deletérios e reduzindo a aptidão média da população.
CA deriva genética elimina rapidamente alelos deletérios em populações endogâmicas, o que aumenta a variabilidade adaptativa ao longo do tempo.
DA seleção estabilizadora compensa a perda de heterozigotos, mantendo a população em equilíbrio genético.
EA endogamia intensifica o fluxo gênico entre subpopulações, restaurando a diversidade alélica perdida.
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GabaritoB — O acasalamento entre indivíduos aparentados eleva a probabilidade de alelos idênticos por descendência se combinarem, expondo alelos recessivos deletérios e reduzindo a aptidão média da população.
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Endogamia e depressão endogâmica em populações pequenas
Gabarito: letra B. O acasalamento entre indivíduos aparentados aumenta a probabilidade de que alelos idênticos por descendência (alelos que são cópias de um mesmo alelo ancestral) se combinem em homozigose, expondo alelos recessivos deletérios e reduzindo a aptidão média da população — fenômeno conhecido como depressão endogâmica. Esse é o mecanismo evolutivo central descrito no enunciado, e a alternativa B o descreve com precisão.
A endogamia (ou consanguinidade) é o cruzamento entre indivíduos que compartilham ancestrais comuns. Em populações pequenas e isoladas — como a população de cervos da reserva, reduzida pela fragmentação do habitat —, a probabilidade de cruzamento entre parentes aumenta naturalmente, pois o número de parceiros reprodutivos disponíveis é limitado. O efeito genético mais importante da endogamia é o aumento da homozigose em todo o genoma: indivíduos consanguíneos tendem a ser homozigotos para uma fração maior de seus loci do que indivíduos não consanguíneos.
A consequência evolutiva mais estudada é a depressão endogâmica: a redução da aptidão média (sobrevivência, fertilidade, resistência a doenças, crescimento) causada pela expressão de alelos recessivos deletérios que, em heterozigose, ficam "mascarados" pelo alelo dominante funcional. Quando dois parentes se cruzam, há chance aumentada de que ambos carreguem o mesmo alelo recessivo deletério herdado de um ancestral comum — e, portanto, de que o descendente receba duas cópias desse alelo e manifeste o fenótipo prejudicial. Esse é o mecanismo que a alternativa B descreve corretamente.
É importante distinguir endogamia de outros mecanismos evolutivos que aparecem nas alternativas: a deriva genética é a mudança aleatória nas frequências alélicas, mais forte em populações pequenas, mas não "elimina rapidamente alelos deletérios" nem aumenta a variabilidade adaptativa; o fluxo gênico é a transferência de alelos entre populações por migração, que tende a aumentar a diversidade genética, não a reduzir; e a seleção estabilizadora favorece fenótipos intermediários, mas não "compensa" a perda de heterozigotos nem mantém o equilíbrio genético diante da endogamia.
A pegadinha da banca está em inverter os efeitos da endogamia: ela reduz a heterozigosidade (não aumenta), expõe alelos deletérios (não os purifica de imediato) e reduz a aptidão média (não a aumenta). A alternativa A, por exemplo, mistura conceitos corretos e incorretos de forma sutil — veja a análise detalhada abaixo.
Endogamia
1Efeito genético
Aumento da homozigose
Redução da heterozigosidade
2Consequência evolutiva
Exposição de alelos recessivos deletérios
Depressão endogâmica (redução da aptidão)
3Distinções
Deriva genética: aleatória, reduz variabilidade
Fluxo gênico: aumenta diversidade
Seleção estabilizadora: fenótipos intermediários
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A endogamia reduz a frequência de heterozigotos, não a aumenta. O erro está em afirmar que ela "aumenta a frequência de heterozigotos" — na verdade, o cruzamento entre aparentados eleva a homozigose. Além disso, a "purificação de alelos deletérios" (seleção purificadora) pode ocorrer em longo prazo, mas não é o efeito imediato e característico da endogamia; o efeito imediato é a depressão endogâmica, com redução da aptidão. A alternativa mistura o efeito real (exposição de recessivos deletérios) com um suposto benefício (purificação) que não é o foco do mecanismo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve com precisão o mecanismo da depressão endogâmica: o acasalamento entre indivíduos aparentados eleva a probabilidade de que alelos idênticos por descendência (alelos que são cópias de um mesmo alelo ancestral) se combinem em homozigose. Isso expõe alelos recessivos deletérios que, em heterozigose, estariam mascarados, reduzindo a aptidão média da população. É exatamente o que ocorre na população de cervos descrita no enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A deriva genética é um processo aleatório que reduz a variabilidade genética, especialmente em populações pequenas — não "elimina rapidamente alelos deletérios" nem "aumenta a variabilidade adaptativa". Na verdade, a deriva pode até fixar alelos deletérios por acaso, justamente o oposto do que a alternativa afirma. Além disso, a deriva não é um mecanismo de "purificação" de alelos deletérios; ela age aleatoriamente, sem relação com a adaptabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A seleção estabilizadora favorece fenótipos intermediários e reduz a variância de características, mas não compensa a perda de heterozigotos causada pela endogamia nem mantém a população em equilíbrio genético. O equilíbrio de Hardy-Weinberg, por exemplo, pressupõe ausência de endogamia (acasalamento aleatório) — a endogamia é justamente uma violação desse pressuposto. A seleção estabilizadora não "corrige" os efeitos genéticos da consanguinidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A endogamia não intensifica o fluxo gênico; na verdade, ela é favorecida justamente quando o fluxo gênico é reduzido (populações isoladas). O fluxo gênico é a transferência de alelos entre populações por migração, e tende a aumentar a diversidade alélica — o oposto do que a endogamia faz. Em uma população isolada como a dos cervos, o fluxo gênico com outras populações é restrito, o que agrava os efeitos endogâmicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os efeitos da endogamia: ela reduz a heterozigosidade (não aumenta), expõe alelos deletérios (não os purifica de imediato) e reduz a aptidão média (não a aumenta). A alternativa A é a mais traiçoeira, pois mistura o efeito real (exposição de recessivos) com um suposto benefício (purificação) — mas o termo "aumentando a frequência de heterozigotos" já a torna incorreta. Fique atento a essas inversões clássicas!
PEGA ESSA DICA!
Para questões de endogamia, lembre-se do tripé: aumento da homozigose → exposição de alelos recessivos deletérios → depressão endogâmica (redução da aptidão). Compare com deriva genética (aleatória, reduz variabilidade) e fluxo gênico (aumenta diversidade). Se a alternativa falar em "aumento de heterozigotos" ou "purificação rápida", desconfie — são inversões típicas de banca.