Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — FUNDATEC 2025
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
qg483955
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
A ubiquitina é uma pequena proteína altamente conservada nos eucariotos, cuja conjugação a outras proteínas desempenha papel central na regulação de diversos processos celulares, incluindo controle do ciclo celular, resposta ao estresse e turnover proteico. Seu acoplamento é mediado por uma cascata enzimática específica e pode resultar em diferentes destinos funcionais para a proteína-alvo. Com base nas funções conhecidas da ubiquitinação, assinale a alternativa correta.
AAtua como cofator essencial no empacotamento de proteínas desnaturadas.
BFunciona como um adaptador que promove o reconhecimento de proteínas recém sintetizadas pelos ribossomos.
CEstabiliza proteínas de meia-vida curta, impedindo sua degradação mediada por E3 ligases.
DMarca proteínas-alvo com cadeias covalentes que podem sinalizar sua degradação no proteossomo ou em outras rotas celulares.
EAtua diretamente como uma protease e hidrolisa ligações peptídicas.
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GabaritoD — Marca proteínas-alvo com cadeias covalentes que podem sinalizar sua degradação no proteossomo ou em outras rotas celulares.
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Ubiquitinação: a marca molecular que decide o destino das proteínas
Gabarito: letra D. A ubiquitina é uma pequena proteína (76 aminoácidos) que, ao ser covalentemente ligada a proteínas-alvo, forma cadeias poliubiquitínicas que sinalizam a degradação da proteína no proteassomo 26S — além de participar de outras rotas, como endocitose, reparo de DNA e regulação de fatores de transcrição. A alternativa D captura exatamente essa função de "marca molecular" com destinos variados, sendo a única correta.
A ubiquitinação é um processo de modificação pós-traducional que ocorre em três etapas enzimáticas: a enzima ativadora E1, a conjugadora E2 e a ligase E3. A E3 é a responsável pelo reconhecimento específico do substrato e pela transferência da ubiquitina, formando uma ligação isopeptídica entre o C-terminal da ubiquitina e um resíduo de lisina da proteína-alvo. A depender do número de moléculas de ubiquitina e do tipo de ligação (por exemplo, cadeias ligadas via lisina 48 ou lisina 63), o destino da proteína varia: a poliubiquitinação via K48 clássica sinaliza degradação proteassomal; a via K63 está associada a sinalização, tráfego e reparo de DNA; a monoubiquitinação pode regular endocitose e histonas.
A banca explora a confusão entre ubiquitinação e outros processos celulares, como o empacotamento de proteínas desnaturadas (que envolve chaperonas, não ubiquitina), o reconhecimento de proteínas recém-sintetizadas (feito por chaperonas e pelo complexo de pré-ribossomos, não por ubiquitina) e a atividade proteolítica direta (que é função de proteases, não da ubiquitina). A alternativa C inverte o papel: a ubiquitinação não estabiliza proteínas de meia-vida curta; pelo contrário, marca-as para degradação.
Ubiquitinação
1Cascata enzimática
E1 (ativação)
E2 (conjugação)
E3 (ligase, reconhece substrato)
2Tipos de marcação
Poliubiquitina K48
Degradação proteassomal
Poliubiquitina K63
Sinalização, tráfego, reparo de DNA
Monoubiquitinação
Endocitose, histonas
3Papel
Marca molecular (sinaliza, não executa)
Não é protease
Não estabiliza proteínas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O empacotamento de proteínas desnaturadas é função das chaperonas moleculares (como Hsp70 e Hsp90), que auxiliam no enovelamento correto ou na refoliação de proteínas danificadas. A ubiquitina não atua como cofator nesse processo; ela marca proteínas para degradação, não para empacotamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O reconhecimento de proteínas recém-sintetizadas pelos ribossomos é mediado por chaperonas e pelo complexo NAC (nascent polypeptide-associated complex), que se ligam à cadeia polipeptídica nascente. A ubiquitina não participa desse reconhecimento; ela age em proteínas já sintetizadas, modificando-as pós-traducionalmente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ubiquitinação não estabiliza proteínas de meia-vida curta; pelo contrário, a poliubiquitinação via K48 é o principal sinal para a degradação dessas proteínas no proteassomo. A alternativa inverte o efeito: em vez de impedir a degradação, a ubiquitina a promove. A estabilização de proteínas pode ocorrer por outros mecanismos, como a remoção de ubiquitina por desubiquitinases (DUBs), mas não pela ubiquitinação em si.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ubiquitina se liga covalentemente a resíduos de lisina da proteína-alvo, formando cadeias poliubiquitínicas. Essas cadeias são reconhecidas por receptores do proteassomo 26S, que degrada a proteína marcada. Além da degradação, a ubiquitinação pode sinalizar outras rotas, como endocitose, tráfego intracelular, reparo de DNA e regulação de fatores de transcrição — exatamente o que a alternativa descreve.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ubiquitina não é uma protease e não hidrolisa ligações peptídicas. Proteases são enzimas que clivam proteínas; a ubiquitina é uma proteína sinalizadora que se conjuga a outras proteínas. A hidrólise de ligações peptídicas é função de proteases, como as do proteassomo, que degradam a proteína após a marcação pela ubiquitina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o papel da ubiquitina por funções de outras moléculas: chaperonas (empacotamento e reconhecimento de proteínas nascentes) e proteases (hidrólise de ligações peptídicas). A alternativa C inverte o efeito, dizendo que a ubiquitina estabiliza proteínas, quando na verdade as marca para degradação. Fique atento: ubiquitina é marca, não máquina — ela sinaliza, não executa a degradação diretamente.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre ubiquitinação, lembre-se da sequência E1 → E2 → E3 e do destino final: poliubiquitinação K48 = degradação proteassomal; K63 = sinalização/tráfego; monoubiquitinação = endocitose/histonas. Se a alternativa falar em "estabilizar", "empacotar" ou "hidrolisar", desconfie — são funções de outras proteínas.