Questão de Biologia — Hereditariedade e diversidade da vida — FUNDATEC 2025
Biologia›Hereditariedade e diversidade da vida
Código
qg483965
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Durante um estudo sobre onças-pintadas provenientes de diferentes biomas brasileiros, pesquisadoras realizaram análises genéticas utilizando o sequenciamento de Sanger, com foco no gene Mc1r (receptor de melanocortina 1), envolvido na regulação da coloração da pelagem. O objetivo foi investigar variantes associadas ao melanismo, uma característica adaptativa rara em algumas populações. Ao analisar os dados do eletroferograma, foram observados picos duplos bem definidos em determinadas posições da sequência, sem ruído de fundo ou artefatos instrumentais. Esse resultado sugere
Afalha na separação eletroforética.
Bcontaminação cruzada entre amostras.
Cacúmulo de fragmentos truncados.
Dpresença de uma mutação heterozigótica no locus analisado.
Eexcesso de ddNTP na amostra durante a reação.
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GabaritoD — presença de uma mutação heterozigótica no locus analisado.
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Sequenciamento de Sanger e detecção de heterozigose
Gabarito: letra D. Picos duplos bem definidos em uma posição do eletroferograma, sem ruído de fundo ou artefatos, indicam que o indivíduo possui dois alelos diferentes naquele locus — ou seja, é heterozigoto para uma mutação pontual. No sequenciamento de Sanger, cada pico corresponde a um nucleotídeo; quando há dois picos sobrepostos na mesma posição, isso revela a presença simultânea de duas bases diferentes, característica de um genótipo heterozigótico.
O sequenciamento de Sanger é uma técnica de terminação de cadeia: ddNTPs marcados com fluorescência interrompem a síntese em cada posição, gerando fragmentos de todos os tamanhos possíveis. No eletroferograma, cada pico representa um nucleotídeo incorporado. Em um indivíduo homozigoto, todos os fragmentos terminam com a mesma base naquela posição, gerando um pico único. Já em um heterozigoto, metade dos fragmentos termina com uma base e a outra metade com outra base, produzindo dois picos de alturas aproximadamente iguais na mesma posição — o chamado "pico duplo" ou "pico sobreposto".
A questão explora exatamente esse princípio: picos duplos bem definidos, sem ruído ou artefatos, são a assinatura clássica de uma mutação heterozigótica. As demais alternativas descrevem problemas técnicos que gerariam padrões diferentes no eletroferograma, como picos largos, sobrepostos ou com ruído de fundo.
Picos duplos no eletroferograma: Bem definidos, sem ruído (Heterozigose (dois alelos)); Picos largos/ruído (Falha na separação); Múltiplos picos em várias posições (Contaminação cruzada); Perda de sinal à distância (Fragmentos truncados, Excesso de ddNTP)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Falha na separação eletroforética resultaria em picos largos, mal resolvidos ou sobrepostos, com resolução ruim entre bandas adjacentes. O enunciado afirma que os picos são "bem definidos" e "sem ruído de fundo", o que descarta qualquer problema de separação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Contaminação cruzada entre amostras geraria uma mistura de sequências de dois indivíduos diferentes, resultando em múltiplos picos sobrepostos em várias posições, não apenas em uma posição específica. Além disso, a contaminação costuma produzir picos de alturas desiguais e padrões confusos, não "picos duplos bem definidos" em posições isoladas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acúmulo de fragmentos truncados ocorre quando a reação de sequenciamento para prematuramente, gerando picos de alta intensidade no início do eletroferograma e perda de sinal nas regiões mais distantes. Isso não produz picos duplos em posições específicas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Picos duplos bem definidos em uma posição, sem ruído ou artefatos, são a evidência direta de que o indivíduo possui dois alelos diferentes naquele locus — ou seja, é heterozigoto para uma mutação pontual. No sequenciamento de Sanger, cada alelo gera um pico; a presença de dois picos na mesma posição indica que metade dos fragmentos terminou com uma base e a outra metade com outra base, caracterizando a heterozigose.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Excesso de ddNTP na amostra durante a reação causaria terminação prematura da síntese, resultando em fragmentos muito curtos e picos de baixa qualidade, com perda de sinal nas regiões mais distantes. Não produziria picos duplos bem definidos em posições específicas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo problemas técnicos comuns (falha na separação, contaminação, excesso de ddNTP) como se fossem a causa dos picos duplos. A chave está na qualidade do eletroferograma: picos duplos "bem definidos" e "sem ruído" são a assinatura de uma variação genética real, não de um artefato. Lembre-se: heterozigose = dois picos na mesma posição; artefatos = picos largos, ruído ou padrões irregulares.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre sequenciamento, foque no padrão do eletroferograma: pico único = homozigoto; pico duplo = heterozigoto; picos múltiplos ou ruído = contaminação ou problema técnico. Essa distinção resolve a maioria das questões de interpretação de sequenciamento.