Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — FUNDATEC 2025
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
qg483968
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biólogo
Durante o planejamento de um experimento de RT-qPCR para avaliar a expressão do gene GAPDH em células humanas, uma pesquisadora observou que um dos pares de primers amplificava tanto o DNA genômico quanto o DNA complementar. Outro par de primers, no entanto, produzia um único produto e ausência de amplificação no controle sem transcriptase reversa (-RT). Conforme os princípios empregados para o desenho de primers para amplificação de DNA complementar, assinale a alternativa correta.
APrimers desenhados em regiões intrônicas evitam a amplificação de DNA genômico, garantindo especificidade para o cDNA.
BO uso de primers que atravessam a junção éxon-éxon impede a amplificação do DNA genômico, assegurando a detecção exclusiva de transcritos.
CA inclusão de regiões ricas em GC nos primers aumenta a eficiência da reação e reduz o risco de amplificação genômica.
DPrimers com complementaridade parcial a pseudogenes aumentam a sensibilidade e a especificidade da reação de qPCR.
EO controle -RT é dispensável quando os primers se localizam totalmente dentro de um éxon, pois o cDNA e o DNA genômico terão tamanhos idênticos de amplificação.
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GabaritoB — O uso de primers que atravessam a junção éxon-éxon impede a amplificação do DNA genômico, assegurando a detecção exclusiva de transcritos.
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Desenho de primers para RT-qPCR: especificidade para cDNA
Gabarito: letra B. O princípio central do desenho de primers para amplificar cDNA (e não DNA genômico) é o uso de primers que atravessam a junção éxon-éxon: como o cDNA é derivado de mRNA maduro, que já teve os íntrons removidos, um primer que se estende sobre a fronteira entre dois éxons só se anela ao cDNA, não ao DNA genômico (que contém os íntrons). É exatamente isso que a alternativa B afirma, e é o que resolve o problema descrito no enunciado — o par de primers que amplificava tanto DNA genômico quanto cDNA provavelmente estava desenhado dentro de um único éxon ou em região intrônica, sem a estratégia de atravessar a junção.
A RT-qPCR (PCR quantitativa com transcrição reversa) é a técnica padrão para quantificar a expressão gênica: a transcriptase reversa converte o mRNA em cDNA, e o cDNA é então amplificado por PCR em tempo real. O grande desafio técnico é garantir que a amplificação reflita apenas o mRNA (transcrito), e não o DNA genômico contaminante que pode estar presente na amostra. Para isso, o desenho dos primers é crucial. Existem duas estratégias principais: (1) desenhar primers que se anelem em éxons diferentes, de modo que o amplicon no cDNA seja menor (sem o íntron) e no DNA genômico seja maior (com o íntron) — mas isso ainda permite amplificação do DNA genômico, apenas com tamanho diferente; (2) desenhar primers que atravessam a junção éxon-éxon, ou seja, um dos primers (ou ambos) se anela exatamente na fronteira entre dois éxons. Nesse caso, o primer não se anela ao DNA genômico, porque a sequência da junção não existe no DNA genômico (o íntron está presente entre os éxons). Essa é a estratégia mais eficaz para evitar amplificação genômica.
Além do desenho de primers, o controle -RT (sem transcriptase reversa) é essencial: se houver amplificação no controle -RT, significa que há contaminação com DNA genômico, e os resultados da RT-qPCR não são confiáveis. No enunciado, o par de primers que produzia um único produto e ausência de amplificação no controle -RT é o desenho correto — provavelmente atravessa a junção éxon-éxon. O outro par, que amplificava tanto DNA genômico quanto cDNA, não tinha essa especificidade.
A pegadinha da banca está em inverter o conceito: a alternativa A afirma que primers em regiões intrônicas evitam a amplificação de DNA genômico — o oposto é verdadeiro, pois primers em íntrons amplificariam preferencialmente o DNA genômico (que contém os íntrons), e não o cDNA (que não os tem). A alternativa C mistura o conceito de conteúdo GC (que afeta a eficiência da reação, mas não a especificidade para cDNA) com a prevenção de amplificação genômica. A alternativa D fala em complementaridade parcial a pseudogenes, o que na verdade reduziria a especificidade. A alternativa E erra ao dispensar o controle -RT, que é indispensável para validar a ausência de contaminação genômica.
Primers para RT-qPCR (cDNA)
1Estratégia correta
Atravessam junção éxon-éxon
Só anelam no cDNA (mRNA maduro)
Evitam amplificação do DNA genômico
2Estratégias incorretas
Primers em regiões intrônicas (anelam no DNA genômico)
Alto conteúdo GC (afeta eficiência, não especificidade)
Complementaridade a pseudogenes (reduz especificidade)
Dispensar controle -RT (não detecta contaminação)
3Controle -RT
Amplificação indica DNA genômico
Sem amplificação = resultado confiável
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que primers desenhados em regiões intrônicas evitam a amplificação de DNA genômico. É o oposto: o DNA genômico contém os íntrons, enquanto o cDNA (derivado do mRNA maduro) não os possui. Portanto, primers em regiões intrônicas se anelariam ao DNA genômico, mas não ao cDNA — exatamente o problema que se quer evitar. A estratégia correta é usar primers que atravessam a junção éxon-éxon, não primers intrônicos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso de primers que atravessam a junção éxon-éxon impede a amplificação do DNA genômico, assegurando a detecção exclusiva de transcritos. Isso ocorre porque a sequência da junção éxon-éxon só existe no mRNA maduro (e, portanto, no cDNA), não no DNA genômico, onde os íntrons separam os éxons. Assim, o primer não se anela ao DNA genômico, garantindo especificidade para o cDNA. É exatamente o princípio descrito no enunciado: o par de primers que produzia um único produto e ausência de amplificação no controle -RT.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A inclusão de regiões ricas em GC nos primers aumenta a eficiência da reação (por exemplo, aumentando a temperatura de melting e a estabilidade do anelamento), mas não reduz o risco de amplificação genômica. A especificidade para cDNA é determinada pela localização dos primers (junção éxon-éxon), não pelo conteúdo de GC. Além disso, regiões ricas em GC podem até aumentar a probabilidade de anelamento inespecífico, se não forem bem projetadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Primers com complementaridade parcial a pseudogenes reduzem a sensibilidade e a especificidade da reação, pois podem amplificar sequências não alvo (pseudogenes são cópias não funcionais de genes que podem ter sequências similares). O desenho ideal busca máxima especificidade, evitando qualquer complementaridade parcial com sequências genômicas não desejadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O controle -RT é indispensável mesmo quando os primers se localizam totalmente dentro de um éxon. Se os primers estão dentro de um éxon, eles podem amplificar tanto o cDNA quanto o DNA genômico (que também contém o éxon), produzindo produtos de tamanhos idênticos. O controle -RT serve exatamente para detectar essa contaminação: se houver amplificação no controle -RT, há DNA genômico na amostra, e os resultados não são confiáveis. Portanto, o controle -RT nunca é dispensável.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o conceito de "primers intrônicos" (alternativa A) e tenta confundir conteúdo de GC com especificidade (alternativa C). Lembre-se: para evitar amplificação de DNA genômico, o primer deve atravessar a junção éxon-éxon — não estar em íntron, não ter alto GC, e o controle -RT é sempre obrigatório. Com esse raciocínio, você elimina as alternativas erradas de imediato 💪.