Questão de Veterinária — Medicina Veterinária Laboratorial — FUNDATEC 2025
- Código
- qg484258
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UFRGS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Veterinário/Área: Patologia Clínica Veterinária
- A6.
- B8.
- C9.
- D10.
- E11.
GabaritoD — 10.
Gabarito: letra D — a conta chega a 10 (alternativa D).
A transfusão de sangue em cães exige conhecer os grupos sanguíneos, principalmente o sistema DEA (Dog Erythrocyte Antigen) e o antígeno Dal. O DEA 1 é o mais imunogênico: um cão DEA 1 negativo que recebe sangue DEA 1 positivo pode produzir anticorpos e, numa segunda transfusão, sofrer reação hemolítica grave. O antígeno Dal é de baixa frequência, mas igualmente perigoso: cães Dal negativos não têm anticorpos naturais, mas podem ser sensibilizados após a primeira exposição a sangue Dal positivo.
A segurança transfusional depende de duas etapas: a tipagem (identificar os antígenos do doador e do receptor) e o teste de compatibilidade cruzada (crossmatch), que verifica se o soro do receptor agride as hemácias do doador. A ausência de anticorpos naturais não elimina o risco de sensibilização — ela apenas adia o problema para a segunda transfusão. Por isso, a seleção do doador deve priorizar a compatibilidade para os antígenos mais imunogênicos, e o crossmatch deve ser feito sempre, especialmente em receptores já transfundidos.
Esta questão testa se você sabe que a ausência de anticorpos naturais não significa ausência de risco, e que a tipagem correta não substitui o teste de compatibilidade. É preciso julgar cada afirmação com base nesses princípios.
receptor: DEA 1 negativo e Dal negativo
afirmações numeradas de 1 a 5 sobre tipagem e transfusão
O que queremos: a soma dos números das afirmações corretas
A afirmação 1 diz que o doador deve ser DEA 1 negativo e Dal negativo para evitar sensibilização futura. Isso é exatamente o que a boa prática manda: escolher um doador sem os antígenos que o receptor não tem, para que o receptor não produza anticorpos contra eles.
Achar que basta o doador ser compatível no DEA 1, esquecendo do Dal — ambos são importantes.
A afirmação 2 propõe transfundir sangue Dal positivo uma única vez sem teste de compatibilidade, alegando risco baixo. Isso é perigoso: mesmo sem anticorpos naturais, a primeira transfusão sensibiliza o receptor, e uma segunda exposição pode causar reação grave. Além disso, o crossmatch é sempre recomendado, mesmo na primeira transfusão.
Confundir 'risco baixo de reação aguda' com 'sem risco de sensibilização'.
A afirmação 3 diz que a ausência de autoanticorpos naturais para Dal significa que a primeira transfusão não pode originar sensibilização. Isso é falso: a sensibilização ocorre justamente após a primeira exposição ao antígeno. O receptor Dal negativo, ao receber sangue Dal positivo, produzirá anticorpos que causarão reação hemolítica numa segunda transfusão.
Pensar que ausência de anticorpos naturais = segurança total, ignorando a resposta imune adaptativa.
A afirmação 4 recomenda teste de compatibilidade mesmo com tipagem correta, especialmente se o receptor já recebeu transfusão. Isso é correto: o crossmatch detecta anticorpos contra outros antígenos além dos tipados, e receptores previamente transfundidos podem ter desenvolvido anticorpos que não aparecem na tipagem.
Achar que tipagem é suficiente e que crossmatch é opcional.
A afirmação 5 diz que doador DEA 1 positivo para receptor DEA 1 negativo traz risco de reação hemolítica aguda em nova transfusão, com sensibilização após a primeira. Isso é verdade: o DEA 1 é altamente imunogênico, e a primeira transfusão incompatível sensibiliza o receptor, tornando a segunda transfusão perigosa.
Subestimar o risco do DEA 1, achando que só o Dal importa.
As afirmações corretas são 1, 4 e 5. Somando seus números, obtemos o resultado pedido pela questão.
De onde vem cada valor: = passo 1: correta · = passo 4: correta · = passo 5: correta
Incluir a afirmação 2 ou 3 por engano, alterando a soma.
Resposta: 10 (alternativa D)
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