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Questão de Veterinária — Patologia Clínica Veterinária — FUNDATEC 2025

VeterináriaPatologia Clínica Veterinária
Código
qg484284
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Veterinário/Área: Patologia Clínica Veterinária
A colestase é definida como a diminuição ou interrupção do fluxo biliar para o intestino e pode ocorrer por diferentes causas de origem hepática ou extra-hepática. Sobre os exames laboratoriais mais indicados para auxiliar no diagnóstico de hepatopatias associadas à colestase, analise as assertivas abaixo:I. A fosfatase alcalina é uma enzima que está presente no citoplasma dos hepatócitos, sensível e específica para avaliação de colestase, especialmente em felinos.II. A atividade enzimática mensurada por meio de métodos de rotina não diferencia a fostatase alcalina de origem osteoblástica, hepática (epitélio biliar) e induzida por corticosteroides.III. A idade e fatores extra-hepáticos, como endocrinopatias e uso de drogas anticonvulsivantes, devem ser considerados em pacientes com valores elevados de fosfatase alcalina sérica.IV. Em caninos, felinos e equinos, a atividade das enzimas fosfatase alcalina e ɣ-glutamil transferase tem alta sensibilidade diagnóstica para detectar colestase.Quais estão corretas?
  1. AApenas I e II.
  2. BApenas II e III.
  3. CApenas III e IV.
  4. DApenas II, III e IV.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colestase e enzimas hepáticas: fosfatase alcalina e GGT

Gabarito: letra B (corretas apenas II e III). A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima de membrana (não citoplasmática) e, embora seja um marcador sensível de colestase, não é específica — sua atividade sérica reflete múltiplas isoenzimas (óssea, hepática, induzida por corticosteroides), e os métodos de rotina não as diferenciam. A assertiva I erra ao dizer que a FA é citoplasmática e específica; a IV erra ao afirmar que FA e GGT têm alta sensibilidade em caninos, felinos e equinos, pois em felinos a FA tem baixa sensibilidade para colestase.

A colestase é a diminuição ou interrupção do fluxo biliar, e o diagnóstico laboratorial se apoia em enzimas que refletem a integridade do epitélio biliar e o estímulo à sua proliferação. A fosfatase alcalina é uma enzima ancorada à membrana celular — presente na borda em escova dos hepatócitos e, principalmente, na membrana dos ductos biliares — e não no citoplasma. Quando há colestase, a bile retida estimula a síntese de novas moléculas de FA, que são liberadas na circulação, elevando sua atividade sérica. Por isso ela é um marcador sensível de colestase, mas está longe de ser específica: a FA existe em múltiplas isoenzimas (óssea, intestinal, placentária, hepática e a induzida por corticosteroides), e os métodos enzimáticos de rotina mensuram a atividade total, sem distinguir a origem. Em animais jovens, a isoenzima óssea é fisiologicamente elevada; em gatos, a FA tem meia-vida curta e baixa sensibilidade para colestase, sendo a GGT um marcador mais útil nessa espécie. Já a GGT é uma enzima de membrana dos ductos biliares, mais específica para colestase, mas com sensibilidade variável entre espécies.

Na prática clínica, a interpretação da FA elevada exige contexto: idade (animais jovens têm FA óssea alta), uso de corticosteroides (que induzem a isoenzima específica em cães), endocrinopatias (como hiperadrenocorticismo e hipotireoidismo) e drogas anticonvulsivantes (como fenobarbital, que induz a FA hepática). Esses fatores extra-hepáticos elevam a FA sem que haja colestase, e é exatamente isso que a assertiva III aponta. A assertiva II está correta porque os métodos de rotina não separam as isoenzimas — para isso seriam necessários métodos específicos, como eletroforese ou inibição seletiva. A assertiva IV está incorreta porque generaliza a alta sensibilidade para três espécies, quando em felinos a FA é pouco sensível para colestase, e em equinos a GGT é mais sensível que a FA.

A pegadinha central desta questão é a troca de "membrana" por "citoplasma" e de "sensível" por "específica" na assertiva I, além da generalização indevida na assertiva IV. A banca explora o conhecimento superficial de que a FA é um marcador de colestase, sem aprofundar as diferenças entre espécies e isoenzimas. Guarde a fronteira entre sensibilidade e especificidade, e entre as espécies: é exatamente nela que as assertivas se dividem.

Item

Análise

Correto?

I

A FA é enzima de membrana (não citoplasmática) e é sensível, mas não específica; em felinos tem baixa sensibilidade.

❌ Incorreto

II

Métodos de rotina não diferenciam isoenzimas da FA (óssea, hepática, induzida por corticosteroides).

✅ Correto

III

Idade e fatores extra-hepáticos (endocrinopatias, anticonvulsivantes) devem ser considerados na FA elevada.

✅ Correto

IV

Generaliza alta sensibilidade de FA e GGT para caninos, felinos e equinos; em felinos a FA é pouco sensível.

❌ Incorreto

1Localização
Membrana celular (não citoplasma)
Hepatócitos e ductos biliares
2Isoenzimas
Óssea (jovens)
Hepática (epitélio biliar)
Induzida por corticosteroides
3Fatores extra-hepáticos
Endocrinopatias
Anticonvulsivantes
4Espécies
Cães: sensível
Felinos: baixa sensibilidade (usar GGT)
Equinos: GGT mais sensível
Fosfatase alcalina (FA)
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Fosfatase alcalina (FA): Localização (Membrana celular (não citoplasma), Hepatócitos e ductos biliares); Isoenzimas (Óssea (jovens), Hepática (epitélio biliar), Induzida por corticosteroides); Fatores extra-hepáticos (Endocrinopatias, Anticonvulsivantes); Espécies (Cães: sensível, Felinos: baixa sensibilidade (usar GGT), Equinos: GGT mais sensível)

Item I — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que a FA está no citoplasma dos hepatócitos e é específica para colestase, especialmente em felinos. Há dois erros: (1) a FA é uma enzima de membrana (borda em escova dos hepatócitos e membrana dos ductos biliares), não citoplasmática; (2) ela é sensível, mas não específica, pois existem múltiplas isoenzimas. Além disso, em felinos a FA tem baixa sensibilidade para colestase — a GGT é o marcador mais útil nessa espécie.

Item II — ✅ Correto

Os métodos de rotina mensuram a atividade total da FA, sem diferenciar as isoenzimas de origem osteoblástica, hepática (epitélio biliar) e induzida por corticosteroides. Para distinguir seria necessário métodos específicos, como eletroforese ou inibidores seletivos. A assertiva está correta.

Item III — ✅ Correto

A idade (animais jovens têm FA óssea elevada) e fatores extra-hepáticos (endocrinopatias como hiperadrenocorticismo, uso de anticonvulsivantes como fenobarbital) elevam a FA sérica sem colestase. Esses fatores devem ser considerados na interpretação de valores elevados. A assertiva está correta.

Item IV — ❌ Incorreto

A assertiva generaliza que FA e GGT têm alta sensibilidade em caninos, felinos e equinos. Em felinos, a FA tem baixa sensibilidade para colestase (meia-vida curta), sendo a GGT o marcador mais sensível. Em equinos, a GGT é mais sensível que a FA. A assertiva está incorreta por generalizar indevidamente.

Conclusão: corretas apenas II e III → letra B.

Gabarito: letra B

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