Pular para o conteúdo principal

Questão de Química — Soluções e Substâncias Inorgânicas — FUNDATEC 2025

QuímicaSoluções e Substâncias Inorgânicas
Código
qg484368
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Químico
Durante o controle de qualidade de um fertilizante líquido contendo cálcio e magnésio, um químico realizou três etapas de titulação distintas, respectivamente:• Uma titulação ácido-base para determinar o teor de carbonatos, utilizando solução de HCl 0,1 mol L⁻¹ padronizada com carbonato de sódio seco a 250 °C. • Uma titulação complexométrica com EDTA, para quantificar o teor total de cátions metálicos. • Uma titulação redox com permanganato de potássio, destinada a verificar impurezas oxidáveis. Com base nesses procedimentos, assinale a alternativa correta.
  1. AO carbonato de sódio é um padrão secundário, pois sofre hidratação e decomposição térmica facilmente, exigindo padronização frequente.
  2. BO ponto final da titulação com EDTA é identificado preferencialmente por indicadores de oxirredução, como a fenolftaleína.
  3. CO permanganato de potássio pode atuar como autoindicador, e deve ser padronizado com oxalato de sódio em meio ácido.
  4. DA titulação ácido-base citada requer o uso de um indicador redox para detectar o ponto de equivalência com precisão.
  5. EA determinação complexométrica é inviável em presença de carbonatos, pois o EDTA precipita como sal insolúvel de cálcio em pH próximo de 10.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O permanganato de potássio pode atuar como autoindicador, e deve ser padronizado com oxalato de sódio em meio ácido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Titulações em Química Analítica: ácido-base, complexometria e redox

Gabarito: letra C. O permanganato de potássio (KMnO₄) é um autoindicador — sua cor violeta intensa desaparece no ponto final da titulação redox — e deve ser padronizado com oxalato de sódio (Na₂C₂O₄) em meio ácido, conforme o procedimento clássico de análise volumétrica. As demais alternativas contêm erros conceituais: o carbonato de sódio é padrão primário (não secundário), o EDTA usa indicadores metalocrômicos (não redox), e a titulação ácido-base usa indicadores ácido-base (não redox).

A questão mistura três técnicas titulométricas distintas, cada uma com seu padrão, indicador e aplicação. Vamos entender cada uma para fixar o que a banca cobra.

1. Titulação ácido-base (determinação de carbonatos com HCl): o carbonato de sódio anidro (Na₂CO₃) é um padrão primário clássico — substância de alta pureza, estável, não higroscópica (quando seco a 250 °C) e de massa molar conhecida, usada para padronizar soluções de ácidos fortes como o HCl. Padrão primário é aquele que pode ser pesado diretamente para preparar uma solução de concentração exata, sem necessidade de padronização prévia. O ponto de equivalência é detectado com indicador ácido-base (como alaranjado de metila ou fenolftaleína, dependendo do ponto final), nunca com indicador redox.

2. Titulação complexométrica (com EDTA): o EDTA é um quelante que forma complexos estáveis com cátions metálicos (Ca²⁺, Mg²⁺). O ponto final é identificado com indicadores metalocrômicos (como negro de eriocromo T ou murexida), que mudam de cor ao complexar o metal livre. Não se usa indicador redox nem fenolftaleína. A titulação é perfeitamente viável na presença de carbonatos, desde que o pH seja controlado (em pH ~10, o Ca²⁺ forma complexo com EDTA, não precipita como carbonato).

3. Titulação redox (com KMnO₄): o permanganato é um oxidante forte que, em meio ácido, é reduzido a Mn²⁺ (incolor). Como a solução de KMnO₄ é violeta intensa, o próprio titulante serve de indicador: no ponto final, a primeira gota em excesso confere cor rosa persistente à solução — daí o nome autoindicador. A padronização é feita com oxalato de sódio (Na₂C₂O₄) em meio ácido e aquecido, reação clássica de permanganometria.

A pegadinha da banca está em trocar os papéis: padrão primário × secundário, indicador redox × metalocrômico × ácido-base, e a viabilidade da complexometria na presença de carbonatos. Vamos analisar cada alternativa.

Técnica

Titulante

Padrão

Indicador

Meio

Classificação do Padrão

Ácido-base

HCl

Na₂CO₃ (seco a 250 °C)

Ácido-base (ex.: alaranjado de metila)

Primário

Complexometria

EDTA

Metalocrômico (ex.: negro de eriocromo T)

pH ~10

Redox

KMnO₄

Na₂C₂O₄

Autoindicador (KMnO₄)

Ácido (H₂SO₄)

1Ácido-base
Padrão primário: Na₂CO₃
Indicador ácido-base
2Complexometria
Titulante: EDTA
Indicador metalocrômico
3Redox
KMnO₄ autoindicador
Padronização: Na₂C₂O₄ em meio ácido
Titulações
LEVELsoulevel.com.br
Titulações: Ácido-base (Padrão primário: Na₂CO₃, Indicador ácido-base); Complexometria (Titulante: EDTA, Indicador metalocrômico); Redox (KMnO₄ autoindicador, Padronização: Na₂C₂O₄ em meio ácido)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o carbonato de sódio é padrão secundário, pois sofre hidratação e decomposição térmica facilmente. Errado: o Na₂CO₃ anidro, seco a 250 °C, é um padrão primário — substância pura, estável, não higroscópica e de massa molar exata, usada diretamente para padronizar HCl. Padrão secundário é aquele que precisa ser padronizado contra um primário (ex.: NaOH, que absorve CO₂ e água). A banca inverteu a classificação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o ponto final da titulação com EDTA é identificado por indicadores de oxirredução, como a fenolftaleína. Errado: a fenolftaleína é um indicador ácido-base, não redox. Na complexometria, usam-se indicadores metalocrômicos (negro de eriocromo T, murexida, calmagita), que formam complexos coloridos com o metal livre e mudam de cor no ponto final. A banca misturou os tipos de indicador.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o permanganato de potássio pode atuar como autoindicador e deve ser padronizado com oxalato de sódio em meio ácido. Correto: o KMnO₄ é violeta; ao ser reduzido a Mn²⁺ (incolor) durante a titulação, a cor desaparece. No ponto final, o excesso de KMnO₄ confere cor rosa persistente — autoindicação. A padronização com Na₂C₂O₄ em meio ácido (H₂SO₄) e aquecido é o método clássico da permanganometria. A alternativa espelha exatamente o procedimento descrito no enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a titulação ácido-base requer indicador redox para detectar o ponto de equivalência. Errado: titulação ácido-base usa indicadores ácido-base (alaranjado de metila, fenolftaleína, vermelho de metila), que mudam de cor conforme o pH. Indicador redox é usado em titulações de oxirredução, não em neutralização. A banca trocou o tipo de indicador.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a determinação complexométrica é inviável na presença de carbonatos, pois o EDTA precipita como sal insolúvel de cálcio em pH ~10. Errado: o EDTA forma complexos solúveis com Ca²⁺ e Mg²⁺, não precipita. Em pH ~10, o Ca²⁺ é complexado pelo EDTA (formando Ca-EDTA solúvel), e os carbonatos presentes não interferem — desde que o pH seja adequado. A banca inventou uma precipitação que não ocorre.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os papéis dos reagentes: padrão primário × secundário, indicador redox × metalocrômico × ácido-base, e a viabilidade da complexometria na presença de carbonatos. O candidato que decora os nomes sem entender a função de cada um cai nas trocas. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental para cada técnica titulométrica: titulante, padrão, indicador e meio. Por exemplo: ácido-base → HCl + Na₂CO₃ (padrão primário) + indicador ácido-base; complexometria → EDTA + indicador metalocrômico; redox → KMnO₄ + Na₂C₂O₄ (meio ácido) + autoindicador. Isso fixa o mapa completo e evita as trocas que a banca explora.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg484368