Questão de Farmácia — Farmacologia — FUNDATEC 2025
- Código
- qg484466
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UFRGS
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- Técnico em Farmácia
- A1 – 3 – 4 – 2.
- B1 – 4 – 2 – 3.
- C2 – 1 – 3 – 4.
- D3 – 2 – 4 – 1.
- E4 – 1 – 2 – 3.
GabaritoA — 1 – 3 – 4 – 2.
Gabarito: letra A. A sequência correta é 1 – 3 – 4 – 2: os aminoglicosídeos ligam-se à subunidade ribossômica 30S e inibem a síntese proteica; as sulfonamidas inibem a síntese de ácido fólico; as penicilinas inibem a síntese da parede celular de peptidoglicano; e as quinolonas inibem a DNA-girase. A questão cobra o mecanismo de ação clássico de cada classe, tema central da farmacologia dos antimicrobianos.
Os antimicrobianos atuam em alvos bacterianos específicos, e cada classe tem um mecanismo de ação característico que a define. Compreender esses mecanismos é essencial não só para a farmacologia, mas também para a microbiologia clínica, pois explica padrões de resistência e orienta a escolha terapêutica. Vamos analisar cada classe:
Aminoglicosídeos (como gentamicina, amicacina, estreptomicina): são antibióticos bactericidas que se ligam irreversivelmente à subunidade ribossômica 30S, causando leitura incorreta do mRNA e produção de proteínas defeituosas. Isso compromete a membrana celular bacteriana, levando à morte da bactéria. O contexto confirma: "A estreptomicina se liga irreversivelmente à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, prejudicando a leitura do código genético e inibindo a síntese de proteínas essenciais para o crescimento bacteriano."
Quinolonas (como ciprofloxacino, levofloxacino): inibem as topoisomerases bacterianas, principalmente a DNA-girase (topoisomerase II) e a topoisomerase IV, enzimas essenciais para a replicação, transcrição e reparo do DNA. Ao bloquear essas enzimas, impedem o superenrolamento do DNA, interrompendo a replicação bacteriana.
Sulfonamidas (como sulfametoxazol, sulfadiazina): são análogos estruturais do ácido para-aminobenzoico (PABA) e inibem competitivamente a enzima diidropteroato sintase, bloqueando a síntese de ácido fólico (folato) bacteriano. O folato é essencial para a síntese de bases nitrogenadas (purinas e pirimidinas), e sua falta impede a síntese de DNA e RNA. O contexto menciona: "O mecanismo de ação do sulfametoxazol consiste em inibir a síntese do ácido fólico bacteriano."
Penicilinas (como amoxicilina, ampicilina): pertencem à classe dos β-lactâmicos e inibem a síntese da parede celular bacteriana. Ligam-se às proteínas ligadoras de penicilina (PBPs), enzimas responsáveis pela transpeptidação do peptidoglicano, impedindo a formação de ligações cruzadas. Isso enfraquece a parede celular, causando lise bacteriana. O contexto confirma: "Os β-lactâmicos... possuem ação bactericida, já que inibem a síntese do peptideoglicano, causando instabilidade de membrana e consequente morte celular."
A pegadinha desta questão está na associação correta entre cada classe e seu mecanismo. O candidato pode confundir, por exemplo, o alvo dos aminoglicosídeos (30S) com o das tetraciclinas (também 30S) ou o das macrolídeos (50S). Além disso, é comum trocar o mecanismo das quinolonas (inibição da DNA-girase) pelo das rifamicinas (inibição da RNA polimerase). Guarde a fronteira entre os alvos: síntese de parede (β-lactâmicos, glicopeptídeos), síntese proteica (aminoglicosídeos, tetraciclinas, macrolídeos, cloranfenicol), síntese de folato (sulfonamidas, trimetoprima) e replicação do DNA (quinolonas, metronidazol). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A sequência 1 – 3 – 4 – 2 associa corretamente cada classe ao seu mecanismo: aminoglicosídeos (1) ligam-se à subunidade 30S e inibem a síntese proteica; sulfonamidas (3) inibem a síntese de ácido fólico; penicilinas (4) inibem a síntese da parede celular de peptidoglicano; e quinolonas (2) inibem a DNA-girase. A ordem dos parênteses, de cima para baixo, corresponde exatamente a essa sequência.
A sequência 1 – 4 – 2 – 3 troca as associações das penicilinas e das quinolonas. Coloca as penicilinas (4) como inibidoras da DNA-girase, quando na verdade inibem a síntese da parede celular; e as quinolonas (2) como inibidoras da síntese da parede, quando na verdade inibem a DNA-girase. O erro está na inversão dos mecanismos dessas duas classes.
A sequência 2 – 1 – 3 – 4 começa com as quinolonas (2) associadas à inibição da síntese proteica via subunidade 30S, o que é incorreto — esse é o mecanismo dos aminoglicosídeos. Também associa os aminoglicosídeos (1) à inibição da síntese de ácido fólico, que é o mecanismo das sulfonamidas. Há uma dupla troca de mecanismos entre quinolonas e aminoglicosídeos, além de deslocar as demais classes.
A sequência 3 – 2 – 4 – 1 associa as sulfonamidas (3) à inibição da síntese proteica via 30S, o que é incorreto — esse é o mecanismo dos aminoglicosídeos. Também associa as quinolonas (2) à inibição da síntese de ácido fólico, que é o mecanismo das sulfonamidas. Há uma inversão entre sulfonamidas e quinolonas, além de deslocar as demais classes.
A sequência 4 – 1 – 2 – 3 associa as penicilinas (4) à inibição da síntese proteica via 30S, o que é incorreto — esse é o mecanismo dos aminoglicosídeos. Também associa os aminoglicosídeos (1) à inibição da síntese da parede celular, que é o mecanismo das penicilinas. Há uma inversão entre penicilinas e aminoglicosídeos, além de deslocar as demais classes.
A regra de ouro para questões como esta: memorize o alvo de cada classe — aminoglicosídeos e tetraciclinas atuam no ribossomo 30S; macrolídeos, cloranfenicol e linezolida no 50S; β-lactâmicos e glicopeptídeos na parede celular; sulfonamidas e trimetoprima na via do folato; quinolonas na DNA-girase/topoisomerase IV. Com esse mapa, a associação fica imediata.
Gabarito: letra A
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