Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg484717
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Os casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) sem a presença de Doença Arterial Coronariana (DAC) obstrutiva são classificados como MINOCA. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
A90% são homens.
BO tabagismo é um fator de risco essencial para esse diagnóstico.
CHá necessidade de documentação angiográfica com ausência de DAC obstrutiva (ateromatose com estenose <50% ou coronária normais).
DOs pacientes não costumam ter dor no peito.
EExiste forte associação com doenças autoimunes preexistentes nos pacientes.
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GabaritoC — Há necessidade de documentação angiográfica com ausência de DAC obstrutiva (ateromatose com estenose <50% ou coronária normais).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
MINOCA: Infarto do Miocárdio sem Doença Arterial Coronariana Obstrutiva
Gabarito: letra C. O diagnóstico de MINOCA exige, além dos critérios universais de IAM, a documentação angiográfica demonstrando ausência de DAC obstrutiva — ou seja, estenose <50% ou coronárias normais — conforme definido pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e reafirmado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). As demais alternativas apresentam características incorretas ou incompletas sobre essa condição.
O MINOCA (Myocardial Infarction with Non-Obstructive Coronary Arteries) representa uma parcela significativa dos infartos agudos do miocárdio, ocorrendo em cerca de 5-10% dos casos. A principal característica que o distingue do IAM clássico é a ausência de lesão obstrutiva significativa nas artérias coronárias, o que sugere mecanismos fisiopatológicos diferentes da aterotrombose tradicional. Esses pacientes, em geral, são mais jovens e predominantemente do sexo feminino, o que contrasta com o perfil típico do IAM aterosclerótico.
O diagnóstico de MINOCA segue critérios bem estabelecidos, conforme documentado pela ESC e reafirmado pela SBC. O primeiro critério é a presença dos critérios universais de IAM, ou seja, elevação e/ou queda de troponina cardíaca com pelo menos um valor acima do percentil 99% do limite superior da normalidade, acompanhada de sintomas de isquemia, alterações eletrocardiográficas, ondas Q patológicas, evidência de perda de miocárdio viável ou identificação de trombo coronariano. O segundo critério é a angiografia sem lesões obstrutivas, definida como estenose <50% na provável artéria culpada ou coronárias normais. O terceiro critério é a ausência de causa específica para a apresentação, o que significa que outras etiologias que poderiam explicar o dano miocárdico devem ser excluídas.
É importante destacar que o MINOCA não é um diagnóstico final, mas sim um diagnóstico de trabalho que exige investigação adicional para identificar a causa subjacente. As possíveis etiologias incluem espasmo coronariano, dissecção espontânea de artéria coronária, embolia coronariana, miocardite, Takotsubo (cardiomiopatia de estresse) e outras condições. Por isso, todos os pacientes com diagnóstico inicial de MINOCA devem ser investigados para outras etiologias que causam dano miocárdico, seguindo um fluxo diagnóstico específico.
A alternativa C está correta porque reflete exatamente o segundo critério diagnóstico do MINOCA: a necessidade de documentação angiográfica demonstrando ausência de DAC obstrutiva, seja com estenose <50% ou coronárias normais. Essa documentação é essencial para diferenciar o MINOCA do IAM clássico, que apresenta obstrução significativa das artérias coronárias.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o perfil epidemiológico do MINOCA e o do IAM clássico. Enquanto o IAM aterosclerótico é mais comum em homens mais velhos, o MINOCA é mais frequente em mulheres jovens. A alternativa A inverte essa relação ao afirmar que 90% são homens, quando na verdade a maioria é do sexo feminino. Fique atento a essa inversão de perfil epidemiológico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que 90% dos casos de MINOCA ocorrem em homens. Na realidade, o MINOCA é mais prevalente em mulheres, especialmente em mulheres mais jovens, em contraste com o IAM aterosclerótico clássico que predomina em homens. O texto de apoio destaca que "Geralmente, esses pacientes são mais jovens e do sexo feminino", o que contraria diretamente a afirmação da alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o tabagismo é um fator de risco essencial para o diagnóstico de MINOCA. O tabagismo é um fator de risco para doença aterosclerótica coronariana, mas não é um critério diagnóstico para MINOCA. O diagnóstico de MINOCA se baseia nos critérios universais de IAM, na angiografia sem lesões obstrutivas e na ausência de causa específica. O tabagismo pode estar presente em alguns pacientes, mas não é essencial para o diagnóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que há necessidade de documentação angiográfica com ausência de DAC obstrutiva, definida como ateromatose com estenose <50% ou coronárias normais. Este é exatamente o segundo critério diagnóstico do MINOCA, conforme documentado pela ESC e reafirmado pela SBC. A documentação angiográfica é fundamental para diferenciar o MINOCA do IAM clássico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os pacientes com MINOCA não costumam ter dor no peito. Na verdade, o MINOCA é um tipo de IAM e, portanto, apresenta os mesmos sintomas típicos de isquemia miocárdica, incluindo dor torácica. O critério universal de IAM inclui sintomas de isquemia miocárdica aguda, que geralmente se manifestam como dor no peito. A ausência de dor torácica não é uma característica do MINOCA.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que existe forte associação com doenças autoimunes preexistentes nos pacientes. Embora algumas condições autoimunes possam estar associadas a mecanismos de lesão miocárdica, não há uma "forte associação" com doenças autoimunes preexistentes como característica definidora do MINOCA. As etiologias mais comuns do MINOCA incluem espasmo coronariano, dissecção espontânea de artéria coronária, embolia coronariana e Takotsubo, mas a associação com doenças autoimunes não é um critério diagnóstico nem uma característica predominante.