Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
- Código
- qg484726
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e III.
Gabarito: letra C — estão corretas as assertivas I e III. O sopro da insuficiência mitral é sistólico, localizado no foco mitral (ápice) e irradia para a axila; a fibrilação atrial não mascara esse sopro, mas sim o sopro da estenose mitral (que é diastólico). A assertiva II está incorreta porque inverte o efeito da fibrilação atrial, que na verdade pode até intensificar ou tornar mais evidente o sopro da insuficiência mitral, não mascará-lo.
A insuficiência mitral é uma valvopatia caracterizada pelo fechamento incompleto da valva mitral, permitindo refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a sístole. Esse refluxo gera um sopro sistólico, que é o achado auscultatório mais importante. A compreensão da semiologia cardíaca é essencial para o diagnóstico clínico dessa condição.
O exame físico do paciente com insuficiência mitral revela achados específicos. Na ausculta, o sopro é sistólico, localizado no foco mitral (5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular), com irradiação para a axila esquerda e, às vezes, para o dorso. O timbre é descrito como "em jato de vapor" e a configuração mais frequente é em faixa ou decrescendo. Na inspeção e palpação, o ictus cordis pode estar deslocado lateral e inferiormente, indicando dilatação do ventrículo esquerdo, e pode haver frêmito sistólico no foco mitral, especialmente em casos mais graves.
A fibrilação atrial é uma complicação comum da insuficiência mitral crônica, decorrente da dilatação do átrio esquerdo. No entanto, ela não mascara o sopro da insuficiência mitral. Na verdade, a fibrilação atrial pode até tornar o sopro mais evidente, pois a variação do enchimento diastólico e a perda da contração atrial podem alterar a hemodinâmica. O que a fibrilação atrial mascara é o sopro da estenose mitral, que é diastólico e depende da contração atrial para ser audível. Essa distinção é crucial e frequentemente cobrada em provas.
A banca explora a confusão entre os sopros das duas valvopatias mitrais: a insuficiência (sistólico) e a estenose (diastólico). A fibrilação atrial mascara o sopro diastólico da estenose mitral, não o sopro sistólico da insuficiência. Guarde essa diferença: sopro sistólico = insuficiência; sopro diastólico = estenose.
Assertiva | Descrição | Veredito |
|---|---|---|
I | Sopro sistólico de regurgitação no foco mitral, com irradiação para a axila | ✅ Correta |
II | Fibrilação atrial mascara o sopro de insuficiência mitral | ❌ Incorreta (mascara o sopro da estenose mitral) |
III | Ictus cordis com dilatação do VE e frêmito sistólico no foco mitral | ✅ Correta |
A assertiva descreve corretamente o sopro da insuficiência mitral: sistólico, localizado no foco mitral (ápice) e com irradiação para a axila. O refluxo sanguíneo durante a sístole ventricular gera o sopro, que é mais bem auscultado no foco mitral e se propaga para a axila esquerda, conforme a anatomia do fluxo regurgitante.
A assertiva está incorreta porque inverte o efeito da fibrilação atrial. A fibrilação atrial não mascara o sopro da insuficiência mitral; ela mascara o sopro da estenose mitral, que é diastólico e depende da contração atrial para ser audível. Na insuficiência mitral, a fibrilação atrial pode até intensificar o sopro, devido à variação do enchimento diastólico.
A assertiva descreve corretamente os achados de inspeção e palpação na insuficiência mitral: ictus cordis com características de dilatação do ventrículo esquerdo (deslocado lateral e inferiormente, difuso e hiperdinâmico) e frêmito sistólico no foco mitral. A dilatação ventricular é consequência da sobrecarga de volume crônica, e o frêmito é a palpação do sopro sistólico.
Conclusão: Corretas as assertivas I e III, portanto o gabarito é a letra C.
Gabarito: letra C
Link permanente: /questoes/qg484726