Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2025
- Código
- qg484729
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AF – F – F.
- BF – F – V.
- CF – V – V.
- DV – V – V.
- EV – V – F.
GabaritoD — V – V – V.
Gabarito: letra D — as três assertivas são verdadeiras (V – V – V). A primeira está correta porque a resistência vascular pulmonar é menor que a sistêmica, resultando em pressões mais baixas no coração direito; a segunda, porque a valva mitral se fecha antes da tricúspide devido à chegada mais precoce do estímulo elétrico ao ventrículo esquerdo, que tem sistema His-Purkinje mais ramificado; e a terceira, porque o ventrículo direito, embora inicie a contração depois, ejeta antes por atingir mais rapidamente a pressão necessária para vencer a baixa pressão da artéria pulmonar.
O ciclo cardíaco é o conjunto de eventos mecânicos e elétricos que ocorrem a cada batimento, dividido em sístole (contração) e diástole (relaxamento). As valvas cardíacas abrem e fecham passivamente, em resposta aos gradientes de pressão entre as câmaras e os grandes vasos. No início da sístole, as pressões ventriculares excedem as atriais, fechando as valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide). Quando a pressão ventricular supera a da aorta ou da artéria pulmonar, as valvas semilunares se abrem e ocorre a ejeção. Esse mecanismo é puramente pressórico — não há comando neural direto para as valvas.
A diferença de pressão entre os lados direito e esquerdo do coração decorre da resistência vascular. A circulação pulmonar é um sistema de baixa pressão e baixa resistência, enquanto a circulação sistêmica tem alta resistência periférica. Por isso, o ventrículo direito trabalha contra uma pós-carga muito menor, gerando pressões sistólicas em torno de 25 mmHg, enquanto o ventrículo esquerdo gera pressões em torno de 120 mmHg. Essa é a base fisiológica da primeira assertiva.
A segunda assertiva trata da sequência de fechamento das valvas atrioventriculares. O sistema de condução elétrica do coração — nó sinoatrial, nó atrioventricular, feixe de His e fibras de Purkinje — distribui o estímulo de forma assimétrica: o ventrículo esquerdo recebe a despolarização mais precocemente devido à maior ramificação do sistema His-Purkinje no lado esquerdo do septo interventricular. Isso faz com que a contração do ventrículo esquerdo se inicie ligeiramente antes, elevando sua pressão mais cedo e fechando a valva mitral antes da tricúspide. Esse fenômeno é clinicamente perceptível como o desdobramento fisiológico da primeira bulha (B1), que tem dois componentes: mitral (M1) e tricúspide (T1).
A terceira assertiva aborda a relação entre o início da contração e o início da ejeção. Embora o ventrículo direito comece a se contrair depois do esquerdo (devido à chegada mais tardia do estímulo elétrico), ele ejeta sangue antes. Isso ocorre porque a pressão que o ventrículo direito precisa atingir para abrir a valva pulmonar é muito menor — cerca de 10-15 mmHg — enquanto o ventrículo esquerdo precisa gerar cerca de 80 mmHg para abrir a valva aórtica. Como a pressão na artéria pulmonar é baixa, o ventrículo direito a supera mais rapidamente, iniciando a ejeção antes, mesmo tendo começado a contrair depois. Esse é um exemplo clássico de como a pós-carga determina a dinâmica do ciclo cardíaco.
A pegadinha desta questão está na aparente contradição da terceira assertiva: o candidato pode pensar que, se o ventrículo direito contrai depois, ele também ejeta depois. Mas a fisiologia mostra que o que determina o início da ejeção é o gradiente de pressão, não a ordem de início da contração. Guarde essa distinção: ordem de contração ≠ ordem de ejeção.
A afirmação está correta. As pressões no lado direito do coração são mais baixas que no lado esquerdo porque a resistência vascular pulmonar é muito menor que a resistência vascular sistêmica. O ventrículo direito bombeia o mesmo volume de sangue que o esquerdo, mas contra uma pós-carga muito menor, gerando pressões sistólicas de cerca de 25 mmHg contra 120 mmHg no lado esquerdo. A resistência pulmonar é cerca de 1/10 da resistência sistêmica, o que explica essa diferença.
A afirmação está correta. A valva mitral se fecha antes da tricúspide porque o ventrículo esquerdo recebe o estímulo elétrico mais precocemente, devido à maior ramificação do sistema His-Purkinje no lado esquerdo. Isso faz com que a pressão ventricular esquerda supere a atrial mais cedo, fechando a mitral antes. Esse desdobramento fisiológico da B1 é audível na ausculta cardíaca.
A afirmação está correta. O ventrículo direito inicia a contração depois do esquerdo, mas ejeta antes porque precisa atingir uma pressão muito menor para abrir a valva pulmonar (cerca de 10-15 mmHg) em comparação com a pressão necessária para abrir a valva aórtica (cerca de 80 mmHg). Como a pressão na artéria pulmonar é baixa, o ventrículo direito a supera mais rapidamente, iniciando a ejeção antes.
Conclusão: As três assertivas são verdadeiras, portanto a alternativa correta é a letra D (V – V – V).
A banca explora a aparente contradição da terceira assertiva: o candidato pode pensar que, se o ventrículo direito contrai depois, ele também ejeta depois. Mas o que determina o início da ejeção é o gradiente de pressão, não a ordem de início da contração. O ventrículo direito ejeta antes porque precisa de muito menos pressão para vencer a resistência pulmonar baixa. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪
Para questões de ciclo cardíaco, monte mentalmente a sequência: despolarização → contração → aumento de pressão → abertura de valva. Compare sempre os dois lados do coração: o direito trabalha com pressões baixas (25/8 mmHg) e o esquerdo com pressões altas (120/80 mmHg). A pós-carga é o fator que determina a velocidade de ejeção.
Gabarito: letra D
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