Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2025
- Código
- qg486647
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Tangará da Serra - MT
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e II.
Gabarito: letra C — estão corretas apenas as afirmativas I e II. A afirmativa III erra ao associar o rastreamento de cognição (incapacidade de repetir os 3 nomes) ao Teste de Fagerström, que é instrumento de avaliação de dependência de nicotina, e não de cognição — o instrumento correto para o rastreio cognitivo é o Mini-Cog. A questão cobra o conhecimento da tabela de rastreamento e plano de ação da avaliação funcional do idoso, conforme o capítulo de Avaliação Multidimensional do Idoso.
A avaliação multidimensional do idoso é uma ferramenta central na Atenção Primária à Saúde (APS) para identificar precocemente problemas que comprometem a autonomia e a independência funcional. O objetivo não é apenas diagnosticar doenças, mas mapear riscos e planejar intervenções que mantenham o idoso ativo e saudável. A tabela de rastreamento organiza, para cada problema (queda, visão, cognição, humor, continência, nutrição, etc.), três colunas: o problema, o critério de rastreamento positivo e o plano de ação adequado. A questão pede exatamente essa tríade: problema – rastreamento positivo – plano de ação.
No caso da queda, o rastreamento positivo é a resposta afirmativa do idoso (ou do cuidador) à pergunta sobre quedas no último ano. O plano de ação envolve avaliar fatores intrínsecos — como mobilidade, equilíbrio, propriocepção e hipotensão postural — e fatores extrínsecos — como calçados inadequados, uso de medicamentos e barreiras domiciliares. Essa abordagem busca identificar causas reversíveis e instituir medidas de prevenção, como revisão de medicação e adaptações no domicílio.
Na visão, o rastreamento positivo é a queixa visual que interfere nas atividades diárias (dirigir, assistir TV, ler) ou a incapacidade de ler além de 20/40 na escala de Snellen. O plano de ação é o encaminhamento ao oftalmologista para avaliação especializada. Já na cognição, o rastreamento positivo é a incapacidade de repetir os três nomes após um minuto (não cinco minutos, como afirma a questão). O plano de ação correto é aplicar o Mini-Cog, um instrumento de rastreio cognitivo que combina evocação de três palavras e teste do desenho do relógio, e considerar diagnósticos diferenciais como desatenção, transtorno do humor e demência.
A pegadinha da questão está na afirmativa III, que troca o instrumento de avaliação cognitiva pelo Teste de Fagerström. O Fagerström é um questionário usado para avaliar o grau de dependência de nicotina em fumantes, não tendo nenhuma relação com avaliação cognitiva. Além disso, o tempo para repetição das palavras no rastreio cognitivo é de 1 minuto, e não 5 minutos. A banca explora exatamente essa confusão entre instrumentos de rastreamento de problemas diferentes.
Guarde a tríade problema – rastreamento positivo – plano de ação para cada domínio da avaliação funcional do idoso: é nela que as alternativas se dividem, e o conhecimento da tabela completa é o que garante o acerto.
Problema | Rastreamento positivo | Plano de ação adequado |
|---|---|---|
Queda | Resposta afirmativa (do idoso ou cuidador) | Avaliar fatores intrínsecos (mobilidade, equilíbrio, propriocepção, hipotensão postural) e extrínsecos (calçados inapropriados, medicação, barreiras domiciliares) |
Visão | Queixa visual positiva ou incapacidade de ler além de 20/40 na Escala de Snellen | Encaminhar ao oftalmologista |
Cognição | Incapacidade de repetir os 3 nomes após 1 minuto | Aplicar o Mini-Cog (não o Teste de Fagerström) |
A afirmativa I está correta. O problema é a queda, o rastreamento positivo é a resposta afirmativa (do idoso ou cuidador) e o plano de ação envolve avaliar fatores intrínsecos (mobilidade, equilíbrio, propriocepção, hipotensão postural) e extrínsecos (calçados inapropriados, medicação, barreiras domiciliares). Essa é exatamente a conduta preconizada na avaliação multidimensional do idoso, conforme a tabela de rastreamento.
A afirmativa II está correta. O problema é a visão, o rastreamento positivo é a queixa visual positiva ou a incapacidade de ler além de 20/40 na escala de Snellen, e o plano de ação é o encaminhamento ao oftalmologista. A tabela de rastreamento confirma essa tríade: queixa visual ou acuidade visual reduzida → encaminhar ao oftalmologista.
A afirmativa III está incorreta por dois motivos. Primeiro, o rastreamento positivo para cognição é a incapacidade de repetir os 3 nomes após 1 minuto, e não após 5 minutos. Segundo, o instrumento de avaliação indicado para cognição é o Mini-Cog, e não o Teste de Fagerström — este é um questionário de avaliação de dependência de nicotina, utilizado em pacientes tabagistas, sem relação com função cognitiva. A banca troca o instrumento de rastreio cognitivo por um de outra finalidade, o que torna a afirmativa falsa.
A banca troca o instrumento de avaliação cognitiva pelo Teste de Fagerström, que avalia dependência de nicotina, e ainda altera o tempo de repetição das palavras (1 minuto, não 5). O candidato que decora apenas o nome dos testes, sem saber a finalidade de cada um, cai na armadilha. Lembre-se: Mini-Cog é para cognição; Fagerström é para tabagismo.
Conclusão: Corretos apenas os itens I e II → Gabarito: letra C.
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