Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2025
- Código
- qg486843
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Viamão - RS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas I e II.
- DApenas I e III.
- EApenas II e III.
GabaritoB — Apenas II.
O texto-base que fundamenta esta questão não está disponível neste ambiente. A análise a seguir baseia-se no gabarito oficial (B) e no método de resolução para questões de interpretação — ensina-se o que procurar em cada assertiva e como o candidato deve proceder na prova real.
Gabarito oficial: B (Apenas a assertiva II está correta). A banca cobra a capacidade de distinguir entre o que está explícito (compreensão), o que é inferência legítima (dedução ancorada em pistas do texto) e o que é extrapolação (informação que o texto não autoriza). Vejamos cada item.
O que diz: A autora constrói a argumentação com base em situações do cotidiano adulto, nas quais suas preocupações se mostraram antecipações de problemas que efetivamente teve que resolver.
O que o texto provavelmente sustenta: O texto, ao narrar preocupações da infância/adulto, pode até mencionar situações cotidianas e medos. Contudo, a parte final — "preocupações que se mostraram antecipações de problemas que efetivamente teve que resolver" — é uma extrapolação típica: o texto pode ter dito que algumas preocupações se concretizaram, ou que a autora aprendeu a lidar com elas, mas a assertiva generaliza e acrescenta que todas as preocupações foram antecipações de problemas reais. Sem o texto, mas pelo gabarito, a banca considerou que a assertiva vai além do que está escrito, cometendo o erro de extrapolar.
Desconfie de palavras como "efetivamente", "sempre", "todos" — elas costumam restringir ou generalizar indevidamente o alcance do texto.
O que diz: Pode-se inferir que a autora, em sua infância, tinha expectativas negativas a respeito de seu futuro, preocupando-se infundadamente, uma vez que seus medos não se concretizaram.
Por que está correta: Trata-se de uma inferência legítima. O texto, ao relatar medos infantis que não se realizaram, pressupõe que havia expectativas negativas (medos) e que eles eram infundados (não se concretizaram). A expressão "pode-se inferir" indica que a assertiva não exige cópia literal, mas sim uma conclusão baseada em pistas do texto. A banca entendeu que o texto fornece elementos suficientes para essa dedução — por exemplo, ao contrastar as preocupações da infância com a realidade adulta, mostrando que os medos não se confirmaram.
O que diz: A autora conseguiu transformar seus medos e ansiedades em literatura, traduzindo-os em palavras de forma fidedigna, deixando que seus leitores compartilhassem de episódios tristes pelos quais tinha passado.
O que o texto provavelmente NÃO sustenta: A assertiva mistura informações plausíveis com acréscimo de opinião/interpretação que o texto não autoriza. O texto pode realmente tratar da escrita como forma de lidar com medos, mas:
"de forma fidedigna" é um juízo de valor (pode não estar no texto);
"episódios tristes" é uma qualificação afetiva que pode não constar (o texto pode falar apenas de "preocupações" ou "ansiedades", sem classificá-las como "tristes");
a ideia de que o leitor "compartilha" é uma inferência exagerada (extrapolação).
A banca considerou que a assertiva acrescenta opinião e extrapola o que o texto efetivamente diz.
As assertivas I e III parecem verdadeiras para quem leu o texto superficialmente, mas ambas cometem o erro de ir além do que está escrito (extrapolação) ou de embutir uma opinião/juízo de valor que o autor não expressou (acréscimo de opinião). A assertiva II, por outro lado, é uma inferência direta e moderada, apoiada em pressupostos do texto.
Conclusão: Apenas a assertiva II é correta. Gabarito: letra B.
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