A respeito do comprometimento da saúde em pacientes idosos com delirium, causas, características, manifestação ou manejo, assinale a alternativa INCORRETA.
AA síndrome cerebral orgânica se instala de forma rápida, mostrando perturbação na atenção e nas funções cognitivas ou comportamentais.
BSão potenciais causas: o uso de sondas vesical ou nasoentérica, as interrupções no sono e a adição de três ou mais medicações novas no mesmo dia.
CPode ser desencadeado por infecção pulmonar, urinária ou intestinal, hiponatremia, deficiência de folato e tiamina.
DO lorazepam, com meia-vida curta e sem metabólitos ativos, na dose de 3 a 6 mg/dia, via oral, tem indicação como tratamento farmacológico para o delirium.
EA contenção mecânica e o desestímulo à mobilização precoce são medidas prioritárias não farmacológicas, favorecendo a redução do delirium, melhora da agitação e redução das complicações.
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GabaritoE — A contenção mecânica e o desestímulo à mobilização precoce são medidas prioritárias não farmacológicas, favorecendo a redução do delirium, melhora da agitação e redução das complicações.
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Delirium no idoso: manejo e medidas não farmacológicas
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que a contenção mecânica e o desestímulo à mobilização precoce são medidas prioritárias não farmacológicas — na verdade, a contenção mecânica é um fator de risco para delirium e a mobilização precoce é uma medida protetora. As demais alternativas estão corretas quanto às características, causas e tratamento farmacológico do delirium.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, comum em idosos hospitalizados. É uma emergência médica, pois está associado a maior morbimortalidade, tempo de internação e custos. A fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores, inflamação e estresse oxidativo. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e o rastreio pode ser feito com a ferramenta CAM (Confusion Assessment Method).
O manejo do delirium é dividido em duas frentes: tratamento da causa precipitante (a medida mais importante) e medidas de suporte. As medidas não farmacológicas são a base do tratamento e incluem reorientação, presença da família, restabelecimento do ciclo sono-vigília, hidratação, nutrição adequada e mobilização precoce. A contenção mecânica, ao contrário, é um fator de risco iatrogênico que deve ser evitada, pois aumenta a agitação e as complicações. O tratamento farmacológico é reservado para casos de agitação grave com risco de auto ou heteroagressividade, sendo o haloperidol a droga mais utilizada, com a máxima "start low, go slow".
A alternativa E inverte completamente a lógica do manejo não farmacológico: apresenta a contenção mecânica e o desestímulo à mobilização como medidas prioritárias, quando na verdade são prejudiciais. A contenção mecânica é um fator de risco para delirium, e a mobilização precoce é uma medida protetora que reduz a incidência e a duração do quadro. Essa inversão é a pegadinha central da questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o papel das medidas não farmacológicas: apresenta a contenção mecânica (que é um fator de risco) e o desestímulo à mobilização (que é prejudicial) como se fossem medidas prioritárias. O candidato que sabe que a mobilização precoce é protetora e a contenção é prejudicial identifica o erro na hora.
Medida
Papel real no manejo do delirium
Classificação
Contenção mecânica
Fator de risco iatrogênico; aumenta agitação e complicações
Deve ser evitada
Mobilização precoce
Medida protetora; reduz incidência e duração do quadro
Prioritária (não farmacológica)
Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa descreve corretamente a síndrome cerebral orgânica, que se instala de forma rápida (aguda ou subaguda), com perturbação da atenção e das funções cognitivas ou comportamentais. O delirium é uma síndrome de início agudo, com curso flutuante, e a atenção é o domínio cognitivo mais afetado.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa lista corretamente potenciais causas iatrogênicas de delirium: uso de sondas vesical ou nasoentérica, interrupções no sono e adição de três ou mais medicações novas no mesmo dia. Esses fatores estão descritos na tabela de potenciais causas de delirium, que inclui também contenção mecânica, mudanças frequentes de ambiente e privação de sono.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa lista corretamente causas desencadeantes de delirium: infecção pulmonar, urinária ou intestinal, hiponatremia, deficiência de folato e tiamina. Essas condições estão entre as causas metabólicas e infecciosas descritas na literatura, sendo a hiponatremia um distúrbio hidreletrolítico clássico e as deficiências vitamínicas (tiamina, B12, folato) causas reconhecidas.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa descreve corretamente o lorazepam como opção farmacológica para o delirium, com meia-vida curta e sem metabólitos ativos, na dose de 3 a 6 mg/dia, via oral. Os benzodiazepínicos têm papel limitado, mas são indicados em casos específicos, como abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos, e como segunda opção em pacientes que não responderam a outras formas de tratamento da agitação.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa está incorreta ao afirmar que a contenção mecânica e o desestímulo à mobilização precoce são medidas prioritárias não farmacológicas. Na verdade, a contenção mecânica é um fator de risco iatrogênico para delirium, e a mobilização precoce é uma medida protetora que reduz a incidência e a duração do quadro. As medidas não farmacológicas prioritárias incluem reorientação, presença da família, restabelecimento do ciclo sono-vigília e mobilização precoce — exatamente o oposto do que a alternativa propõe.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte o papel da contenção mecânica e da mobilização precoce no manejo do delirium.