Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025
- Código
- qg487228
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UFRGS
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio

- Aàs – à – à
- Bàs – a – a
- Cas – à – à
- Das – a – à
- Eàs – à – a

GabaritoB — às – a – a
Gabarito: letra B. A sequência correta é às – a – a: na linha 01, "às vezes" é locução adverbial feminina com crase obrigatória; na linha 21, "a Uruguaiana" — o verbo chegar exige preposição a, mas o substantivo próprio feminino "Uruguaiana" não admite artigo definido, então não há crase; na linha 28, "disposta a abraçar" — o adjetivo disposta exige preposição a, mas "abraçar" é verbo, e antes de verbo a crase é proibida. A alternativa B é a única que combina esses três casos corretamente.
A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição a + o artigo feminino a (ou o "a" inicial de pronomes como aquele, a qual). Na escrita, essa fusão é marcada pelo acento grave (à). Para saber se há crase, você precisa verificar duas condições simultâneas: o termo anterior exige a preposição a E o termo seguinte admite o artigo feminino a. Se faltar qualquer uma delas, não há crase.
Vamos aplicar essa lógica a cada lacuna do texto.
"O longe, vezes, é sh um tempo que se encolhe" (linha 01)
A expressão "às vezes" é uma locução adverbial feminina — formada pela preposição a + artigo definido as + substantivo "vezes". Locuções adverbiais femininas têm crase obrigatória: à toa, à deriva, à noite, às pressas, às vezes. Portanto, a primeira lacuna exige às (com acento grave).
"De Caxias Uruguaiana, depois Alegrete, São Borja" (linha 21)
O verbo chegar rege a preposição a (quem chega, chega a algum lugar). Mas a crase só ocorre se houver fusão da preposição a com o artigo feminino a. No trecho, o substantivo próprio "Uruguaiana" é um nome de cidade que não admite artigo definido — dizemos "cheguei a Uruguaiana", e não "cheguei à Uruguaiana". Como não há artigo, não há fusão, logo sem crase: "a Uruguaiana".
"sempre disposta abracar um pedago do coracao de cada cidade" (linha 28)
O adjetivo disposta exige a preposição a (quem está disposto, está disposto a algo). Mas o termo seguinte é o verbo "abraçar" no infinitivo. Antes de verbo, a crase é proibida — não há artigo antes de verbo, apenas a preposição. Portanto: "disposta a abraçar", sem crase.
às – à – à: erra na segunda e na terceira lacuna. Na linha 21, "Uruguaiana" não admite artigo, então não há crase (o correto é "a Uruguaiana"). Na linha 28, antes do verbo "abraçar" a crase é proibida (o correto é "a abraçar"). A alternativa extrapola a regra da crase, aplicando-a onde não há fusão.
às – a – a: exatamente como analisamos. "Às vezes" (locução adverbial feminina, crase obrigatória), "a Uruguaiana" (preposição sem artigo, sem crase) e "a abraçar" (preposição antes de verbo, sem crase). É a única sequência que respeita as três regras.
as – à – à: erra na primeira lacuna, pois "as vezes" sem acento grave não forma a locução adverbial — o correto é "às vezes". Também erra na segunda e terceira, como na alternativa A. A banca restringe indevidamente o uso do acento grave, omitindo-o onde é obrigatório.
as – a – à: erra na primeira lacuna (deveria ser "às") e na terceira (deveria ser "a", pois antes de verbo não há crase). A alternativa contradiz a regra da crase proibida antes de verbo.
às – à – a: erra apenas na segunda lacuna, pois "Uruguaiana" não admite artigo, então não há crase. A alternativa generaliza a regra do verbo chegar (que pede preposição "a") sem verificar se o nome próprio aceita artigo.
A banca mistura três regras de crase em uma única questão. A armadilha clássica é achar que todo nome de cidade pede crase (não pede, se não admitir artigo) e que antes de verbo pode haver crase (não pode). Fique atento: crase só ocorre com fusão de preposição + artigo.
Para cada lacuna, faça o teste do artigo: troque o termo seguinte por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" com nome de cidade, verifique se o nome admite artigo. Antes de verbo, nunca há crase.
Gabarito: letra B.
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