Questão de Artes Visuais — História, Estética e Crítica das Artes Visuais — FURB 2025
Artes VisuaisHistória, Estética e Crítica das Artes Visuais
- Código
- qg491810
- Banca
- FURB
- Órgão
- Prefeitura de Biguaçu - SC
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor III - Artes
Em uma sequência didática sobre arte brasileira do século XIX, a professora propõe a leitura de "A Redenção de Cam" (1895), de Modesto Brocos, articulando análise formal, iconografia e contextualização histórico-social. A obra representa uma família composta por avó negra, mãe mestiça, pai branco e bebê de pele clara. Ana Mae Barbosa, ao sistematizar a Abordagem Triangular, propôs que leitura, contextualização e fazer artístico constituem ações interdependentes. Erwin Panofsky desenvolveu o método iconológico distinguindo níveis pré-iconográfico, iconográfico e iconológico. Considerando esses referenciais e a especificidade da obra, a leitura crítica mais consistente
- AA Abordagem Triangular orienta que a contextualização histórica deve preceder a leitura da imagem, preparando os estudantes com informações sobre o período antes da fruição, para evitar interpretações anacrônicas ou impressionistas.
- BA leitura iconológica, ao atingir o nível dos valores simbólicos, transcende as circunstâncias históricas específicas e alcança significados de ordem antropológica universal sobre família, geração e pertencimento, que independem do contexto brasileiro oitocentista.
- CA obra documenta práticas de miscigenação do período com distanciamento técnico característico do realismo acadêmico, e a atribuição de "ideologia do branqueamento" constitui leitura contemporânea que projeta categorias posteriores sobre a intenção original do artista.
- DA análise formal dos elementos plásticos − luz, composição piramidal, gestos − revela a maestria técnica acadêmica de Brocos, cabendo à contextualização histórica função complementar que enriquece, mas não altera substancialmente os sentidos produzidos pela estrutura visual da obra.
- EA composição codifica a ideologia do branqueamento como projeto de nação, organizando gestos, olhares e posições para naturalizar a miscigenação como teleologia civilizatória, demandando contextualização do regime visual e dos debates raciais do período para ultrapassar a descrição formal.