Questão de Terapia Ocupacional — Ética e Legislação Profissional — IADES 2025
Terapia OcupacionalÉtica e Legislação Profissional
- Código
- qg509130
- Banca
- IADES
- Órgão
- COFFITO
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Terapia Ocupacional no Contexto Escolar
Nos últimos anos, diversos estudos têm apontado que a presença do terapeuta ocupacional nas escolas brasileiras ainda é fortemente atravessada por modelos clínicos, fluxos de encaminhamento centrados no laudo médico e práticas individualizantes, mesmo em redes públicas que afirmam seguir políticas inclusivas. De acordo com Souza, Borba & Lopes (2024), essa hegemonia não decorre apenas de um problema operacional, mas de uma matriz epistemológica que ainda associa “dificuldades escolares” a “déficits individuais”, deslocando a análise das barreiras institucionais para o corpo do estudante.Durante uma reunião intersetorial, a direção de uma escola expressa:“Entendemos que participação e acessibilidade são importantes, mas o sistema oficial exige laudo para liberar apoio. Sem laudo, não temos o que fazer. A escola não tem estrutura para trabalhar com essas perspectivas abstratas.”Esse posicionamento evidencia o tensionamento entre o paradigma biomédico e aquele defendido pelos autores citados, que propõem uma escola de massa capaz de responder às singularidades sem patologização.Diante desse cenário, qual deve ser a conduta técnica e ética do terapeuta ocupacional, considerando também as discussões de Souto, Gomes & Folha (2018) sobre medicalização e análises institucionais?
- AAceitar o fluxo vigente e atuar como apoio especializado centrado no déficit, ajudando a obter laudos para viabilizar apoios formais.
- BImplementar rapidamente adaptações arquitetônicas para demonstrar resultados objetivos e facilitar a aceitação do seu trabalho pela escola.
- CAtuar como mediador crítico, promovendo análise das práticas institucionais, discutindo barreiras ao desempenho ocupacional e propondo critérios de apoio baseados em participação, e não apenas em diagnóstico.
- DRecuar temporariamente da discussão e focar em atendimentos diretos, até que a escola esteja mais preparada para debates conceituais complexos.
- EEvitar discussões epistemológicas e ofertar formação breve sobre transtornos neurológicos, para que a equipe compreenda a origem das dificuldades escolares.