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Questão de Português — Crase — IBFC 2025

PortuguêsCrase
Código
qg516572
Banca
IBFC
Órgão
UFPB
Ano
2025
Nível
Superior
Texto I


Os riscos de normalizar o que é anormal (e como não ficar insensível)

A presença contínua de más notícias na tela pode fazer com que elas percam o significado

(Amanda Ruggeri, BBC Future)


Quando alguém fala em "normalizar" alguma coisa em 2024, geralmente é com sentido positivo.

Nas redes sociais e fora delas, tenho visto convocações para normalizar de tudo, desde o corpo das mães após o parto até conversar sobre a saúde mental no trabalho. A ideia, é claro, é romper esses tabus, que podem ser inúteis e até perigosos.

Mas existe outro tipo de normalização, que muitas pessoas não conhecem. Ela é menos consciente e mais perniciosa. E pode ser prejudicial.

É a normalização de tendências, situações e eventos que, na verdade, não deveriam ser considerados nada "normais". Ela pode também ser chamada de "dessensibilização" ou "habituação".

Os trágicos eventos verificados no início dos conflitos eram fatos novos e inesperados. Esses eventos chamam a atenção da mente, como sabem os psicólogos.

O tempo passou, a cobertura da imprensa continua, mas esses eventos já ocupam menos espaço nas manchetes em muitos países. E também não aparecem com a mesma frequência nas conversas.

Infelizmente, as pesquisas indicam que, quando uma guerra dura meses ou anos, cada semana de combate causa menos impacto do que a semana anterior.

E essa dessensibilização também se aplica à nossa vida diária.

Os jovens das cidades que crescem lado a lado com a violência, por exemplo, têm maior propensão a acabar pensando que a violência é normal. E as pessoas expressaram mais ansiedade com a covid quando a contagem de mortos era baixa, do que quando o número de vítimas fatais atingiu centenas de milhares de pessoas.

[...]

Em outras palavras, basta sermos expostos a qualquer coisa por tempo suficiente e aquilo estará normalizado. Mesmo se for algo ruim.

É claro que existem vantagens nesse processo. Até certo ponto, os seres humanos precisam se adaptar a novas circunstâncias e situações, não importa o quanto elas sejam difíceis.

Nossa espécie provavelmente não teria ido muito longe se tivéssemos permanecido em um estado perpétuo de choque e ansiedade – ou, pelo menos, não teria desenvolvido a capacidade emocional de imaginar, criar e resolver problemas. Mas também existem armadilhas muito claras.

[...]


(Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/05/osriscos-de-normalizar-o-que-e-anormal-e-como-nao-ficar-insensivel.shtml. Acesso em 5 de dezembro de 2024)
Em “os seres humanos precisam se adaptar a novas circunstâncias e situações” (10º§), o vocábulo destacado não recebe o acento indicativo porque:
  1. Aa regência do verbo não exige a preposição “a”.
  2. Bestá seguido de um adjetivo no feminino
  3. Cprecede substantivos sem especificações.
  4. Dacompanha um sujeito composto.
  5. Eantecede palavras que estão no plural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — antecede palavras que estão no plural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase diante de palavras no plural

Gabarito: letra E. O a destacado no trecho "adaptar a novas circunstâncias" é preposição exigida pelo verbo "adaptar-se" e antecede palavras femininas no plural ("circunstâncias", "situações"), sem a presença do artigo definido as. Como a crase só ocorre com a fusão da preposição a com o artigo a (ou as), e aqui o a é apenas preposição (não há artigo), o acento grave não se aplica. A alternativa E expressa diretamente essa regra.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"a regência do verbo não exige a preposição 'a'."

Afirmação falsa. O verbo "adaptar-se" rege a preposição a (adaptar-se a algo). A oração exige a preposição; portanto, a regência não é o motivo da ausência de crase. Erro: contradiz a regência real do verbo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"está seguido de um adjetivo no feminino"

É verdade que "novas" é adjetivo feminino, mas esse fato, isoladamente, não justifica a ausência de crase. Em singular, com artigo, haveria crase (à nova circunstância). O que impede a crase não é o gênero, mas o número plural e a ausência de artigo. Erro: afirmação incompleta – a razão correta é o plural.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"precede substantivos sem especificações"

Os substantivos "circunstâncias" e "situações" estão de fato sem especificação (indefinidos), mas isso é consequência do plural, não a causa direta. A regra proíbe crase antes de palavras femininas plurais quando não há artigo definido, independentemente de serem especificadas ou não. Erro: afirmação imprecisa – o núcleo da regra é o plural.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"acompanha um sujeito composto"

Totalmente equivocada: o termo "a novas circunstâncias" atua como complemento do verbo, não faz parte do sujeito. Não há sujeito composto nessa posição. Erro: troca conceito – confunde função sintática.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"antecede palavras que estão no plural"

Exata. O a preposicional precede "novas circunstâncias e situações", ambas no plural. Como a crase exige a contração com o artigo as (que não está presente), o acento grave é proibido. O plural é o fator decisivo: diante de plural feminino, usa-se apenas a preposição, sem crase. Apoio no texto: No excerto do texto I, "...precisam se adaptar a novas circunstâncias e situações", o a está antes de palavras plurais, confirmando a regra.

PEGA ESSA DICA!

Para um homem dizer tudo a mulheres cara a cara

Frase que reúne casos em que a crase é PROIBIDA: antes de palavra masculina, de verbo, de artigo indefinido, de pronomes (em geral), de palavra feminina no plural (quando o 'a' está no singular) e de palavras repetidas (cara a cara).

— Crase — casos proibidos

Gabarito: letra E.

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