Questão de Português — Problemas da língua culta — INEP 2025
PortuguêsProblemas da língua culta
- Código
- qg538401
- Banca
- INEP
- Órgão
- PND
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- LETRAS - PORTUGUÊS E ESPANHOL - Licenciatura
Saudades do NatalO Valério, a par com a Doninha, recordava-lhe: — ...A noite ‘tava uma prata, de crara. Nós fumos juntos, c’a sua mãe, naquela igrejica do arraial, onde paravam umas freiras, entremos e ajoelhemos. Eu olhava p’r’o presépio e p’ra você, e — Deus que me perdoe! — não achava Nossa Senhora mais fermosa que você. Rezei, pois não rezei? [...] E a noite ‘tava uma prata, de crara. Você não se alembra?SILVEIRA, V. Os caboclos. Rio de Janeiro: EdUERJ; Caetés, 2020.Uma professora do 6º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da zona rural, observou que os estudantes produziam oralmente e, por vezes, também por escrito, formas linguísticas que exemplificam o fenômeno do rotacismo. Para desmistificar preconceitos linguísticos associados a essas variações, ela utilizou o conto Saudades do Natal, o qual apresenta uma forma semelhante às produzidas pelos estudantes (“crara”, em vez de “clara”), como recurso de reflexão.Considerando essa situação e observando a similaridade entre a fala de Valério e a dos estudantes, qual alternativa representa a abordagem pedagógica adequada para atingir o objetivo da professora?
- AExplicar que não há uma única forma de pronunciar palavras com alternância entre róticas e laterais em rimas ramificadas, ressaltando que essa variação é antiga, ocorre desde o latim e se manifesta de acordo com o contexto.
- BEnsinar que a variação no uso de consoantes róticas em posição de ataque silábico complexo no português tem origem no latim e que, atualmente, há alternância entre vibrantes e fricativas em contextos de uso específicos.
- CMostrar que a alternância entre líquidas em ataque silábico ramificado é uma variação fonética presente desde a transição do latim para o português e que sua realização pode variar conforme os contextos sociais.
- DIncentivar a análise da passagem do latim ao português para compreender por que se prefere, intuitivamente, a forma com a consoante lateral em coda silábica complexa em contextos mais monitorados.