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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg538752
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CODERN
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Técnico Administrativo - Contador

Vamos precisar de um navio maior


Há razões econômicas e ambientais para adotar navios maiores nas exportações agrícolas.


Carlos Frederico Alves e Tiago Buss


No filme Tubarão, de Steven Spielberg, uma das cenas mais célebres é aquela em que o biólogo vivido por Richard Dreyfuss, apavorado diante do tamanho do predador que terá de arpoar, se volta para o capitão e diz, em pânico: “Vamos precisar de um barco maior”. Pois a logística da exportação agrícola brasileira está, agora, diante de uma situação semelhante: precisa de navios maiores, bem maiores, com aproximadamente o dobro do tamanho dos maiores atualmente utilizados para despachar nossa exportação agrícola.

As razões para essa necessidade são econômicas e ambientais. As econômicas têm passado despercebidas aos olhos de muita gente, uma vez que a agricultura nacional é campeã na produção e exportação de grãos de soja, e faz na Ásia 70% de suas vendas, mesmo sendo um dos produtores mais distantes daquela região. Alcança esse feito graças à capacidade que tem “da porteira para dentro”, com tecnologia e conhecimento. “Da porteira para fora”, porém, as dificuldades logísticas cobram um preço, que come por dentro as margens de toda a cadeia produtiva, desde os agricultores até os traders. As dificuldades com a infraestrutura rodoviária, como as perdas de grãos nas estradas esburacadas, são conhecidas de todos. Mas o problema portuário e marítimo ainda não.

Os maiores navios graneleiros usados hoje no Brasil são da classe Panamax, com capacidade máxima de 80 mil toneladas. Porém, por limitações de infraestrutura, contam-se nos dedos de uma mão os terminais com capacidade para recebê-los com carga máxima. Isso faz com que em boa parte dos portos os Panamax tenham de operar abaixo de seu limite – ou se recorre a navios menores. Aí é que aparece o preço da ineficiência. O custo do frete marítimo é uma função da distância (que aumenta o custo por tonelada) versus o tamanho do navio (que reduz o custo por tonelada), influenciada pela eficiência energética das embarcações. Quanto mais longe o destino – a China, por exemplo –, maior deveria ser o navio usado, para otimizar o custo do frete.

Esse raciocínio já foi seguido pelas indústrias do minério e do petróleo. Nestes dois setores, os terminais privados inaugurados nos últimos anos recebem navios muito maiores, com capacidade para até 400 mil toneladas. Essa mudança de paradigma foi decisiva para garantir a competitividade dessas commodities nos mercados mundiais. Já no caso das exportações agrícolas, pouca gente atenta para essa questão. [...]

O argumento econômico, em si, é robusto o suficiente para chamar a atenção para os grandes navios. Mas um segundo argumento, o ambiental, ganhou força inédita com a recente publicação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). O transporte marítimo está entre os grandes emissores de gases de efeito estufa – o saldo do setor equivale às emissões de um país como a Alemanha. A International Maritime Organization (IMO) cobra que as frotas reduzam até 2030 o total de gases emitido (incluindo SO2) em 70%. Diversas iniciativas têm sido testadas para isso, incluindo a substituição dos combustíveis atuais. Mas uma das soluções mais acessíveis e eficazes para reduzir as emissões é simplesmente usar navios maiores.

[...] Foi demonstrado que, ao longo de toda a cadeia logística da soja que vai do Brasil até o país asiático, o item individual que teria maior impacto na redução de emissões seria a adoção de grandes navios padrão Capesize. Ela faria a emissão no trecho marítimo cair de 96,8 kg de CO2 por tonelada de soja para 55,28 kg de CO2 por tonelada. Uma queda de 46%! Transporte ferroviário e aquaviário também poderiam minorar as emissões no trecho terrestre, mas nada teria impacto comparável a essa simples mudança.

Por fim, quem apoia os dois argumentos com força é o consumidor final da maior parte das exportações brasileiras, a China, que estabeleceu a meta de se tornar carbono zero em 2060, e para isso já começa a cobrar os fornecedores ao longo de suas cadeias produtivas. [...] 

 

Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/espacoaberto/vamos-precisar-de-um-navio-maior/. Acesso em: 06 ago. 2025. 

Analise o excerto a seguir e assinale a alternativa que disserta corretamente a respeito dele. “[...] Foi demonstrado que, ao longo de toda a cadeia logística da soja que vai do Brasil até o país asiático, o item individual que teria maior impacto na redução de emissões seria a adoção de grandes navios padrão Capesize.”.
  1. AEm “[…] o item individual que teria maior impacto na redução de emissões […]”, o termo em destaque poderia ser substituído por “onde”.
  2. BO trecho “[…] ao longo de toda a cadeira logística da soja que vai do Brasil até o país asiático […]” está isolado por vírgulas por se tratar de uma locução longa que indica tempo.
  3. CEm “[…] grandes navios padrão Capesize.”, há um desvio da norma-padrão, pois a ortografia correta deveria ser “navios padrões Capesize”.
  4. DEm “[…] ao longo de toda a cadeia logística da soja que vai do Brasil até o país asiático […]”, o termo em destaque, por se tratar de um adjetivo pátrio, deveria vir com inicial maiúscula
  5. ENo excerto “[…] o item individual que teria maior impacto na redução de emissões […]”, caso o verbo em destaque fosse substituído por “haveria”, o texto sofreria prejuízo sintático.
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GabaritoE — No excerto “[…] o item individual que teria maior impacto na redução de emissões […]”, caso o verbo em destaque fosse substituído por “haveria”, o texto sofreria prejuízo sintático.

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Análise sintática de substituição verbal

Gabarito: letra E. A substituição de “teria” por “haveria” no excerto altera a estrutura sintática, pois “teria” é verbo pessoal (concorda com “item individual”), enquanto “haveria” no sentido de “existir” é impessoal, exigindo oração sem sujeito, o que prejudica a correção do período. Essa é a única alternativa sustentada pelo texto e pela norma gramatical.

Exame do excerto

O trecho em análise é:

“Foi demonstrado que, ao longo de toda a cadeia logística da soja que vai do Brasil até o país asiático, o item individual que teria maior impacto na redução de emissões seria a adoção de grandes navios padrão Capesize.”

O verbo “teria” está no futuro do pretérito do indicativo, concordando com o sujeito “o item individual”. Já “haveria”, no mesmo tempo, funcionaria como verbo impessoal (equivalente a “existiria”) e não aceitaria sujeito explícito – a construção resultante “o item individual que haveria maior impacto” seria agramatical, pois “haveria” não teria sujeito e o “que” perderia seu antecedente sintático. Portanto, a troca gera prejuízo sintático.

Substituição verbal (teria → haveria)
  • 1"teria" (verbo pessoal)
    • Concorda com "o item individual"
    • Sujeito explícito
  • 2"haveria" (verbo impessoal)
    • Sentido de "existiria"
    • Não admite sujeito
    • Prejuízo sintático
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Em “[…] o item individual que teria maior impacto na redução de emissões […]”, o termo em destaque poderia ser substituído por “onde”.

O termo “que” é um pronome relativo que retoma “item individual” (coisa). “Onde” é pronome relativo exclusivo de lugar. Substituir “que” por “onde” alteraria o sentido e violaria a regência. Erro: troca de conceito (confusão entre pronomes relativos).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O trecho “[…] ao longo de toda a cadeira logística da soja que vai do Brasil até o país asiático […]” está isolado por vírgulas por se tratar de uma locução longa que indica tempo.

A locução “ao longo de toda a cadeia logística...” indica lugar (percurso), não tempo. Além disso, a vírgula se justifica por ser um adjunto adverbial deslocado (antecipado), não propriamente por ser “longa”. A banca erra a classificação semântica. Erro: afirmação falsa sobre o valor da locução adverbial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Em “[…] grandes navios padrão Capesize.”, há um desvio da norma-padrão, pois a ortografia correta deveria ser “navios padrões Capesize”.

No português padrão, “padrão” como segundo elemento de um composto (ou como adjetivo especificador) é invariável quando funciona como substantivo qualificador: “navios padrão” é uso consagrado e normativo (assim como “modelos padrão”, “sapatos padrão”). Portanto, não há desvio. Erro: extrapolação de regra gramatical (pluralização forçada).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Em “[…] ao longo de toda a cadeia logística da soja que vai do Brasil até o país asiático […]”, o termo em destaque, por se tratar de um adjetivo pátrio, deveria vir com inicial maiúscula.

Adjetivos pátrios (asiático, brasileiro, etc.) grafam-se com letra minúscula, salvo quando integram nomes próprios (ex.: “Península Asiática”). No texto, “asiático” é adjetivo comum e deve ficar em minúsculo. Erro: contradiz a regra ortográfica (proposição de maiúscula indevida).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No excerto “[…] o item individual que teria maior impacto na redução de emissões […]”, caso o verbo em destaque fosse substituído por “haveria”, o texto sofreria prejuízo sintático.

Como demonstrado, “teria” (verbo pessoal) admite sujeito; “haveria” (impessoal) não, alterando a estrutura da oração relativa. Fundamento: diferença entre verbo pessoal e impessoal (haver no sentido de existir).

Conclusão: A única alternativa que analisa corretamente o excerto, com base no texto e na gramática, é a letra E.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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