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Questão de Português — Morfologia — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsMorfologia
Código
qg538918
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IDEMA-RN
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Ambiental - Agronomia

Tecnologia inspirada no cérebro pode acelerar diagnóstico de doenças raras

Por CNN Brasil


Sistema inovador cruza dados médicos e genéticos, identifica padrões ocultos e pode reduzir o tempo de espera para conclusão do quadro


    Identificar doenças raras no Brasil e no mundo ainda é um desafio para médicos e uma angústia constante para milhares de famílias. Muitas dessas condições são genéticas, complexas e pouco conhecidas, o que dificulta o diagnóstico correto e pode levar anos de incerteza. No entanto, uma tecnologia inovadora, inspirada no funcionamento do cérebro humano, começa a mudar esse cenário e promete acelerar o processo diagnóstico: trata-se dos bancos de dados em grafos.

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    São consideradas doenças raras um grupo de 6 mil a 8 mil condições que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. Mais de 13 milhões de pessoas convivem com uma dessas condições no Brasil, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No mundo, estima-se que pelo menos 300 milhões tenham algum tipo de enfermidade do tipo. Apesar do número expressivo, o caminho até um diagnóstico correto costuma ser lento, confuso e exaustivo. Atualmente, ele é feito por meio de uma combinação de avaliação clínica, exames complementares (imagem e bioquímicos) e testes genéticos. “Muitas das síndromes raras apresentam sintomas variados e que se sobrepõem com o quadro clínico de doenças comuns, tornando o diagnóstico clínico ainda mais difícil”, explica Vanessa Montaleone, geneticista do Núcleo de Genética do Hospital Sírio-Libanês.

    No Brasil, os desafios se tornam ainda maiores pelas complexidades intrínsecas ao país. Antoine Daher, presidente da Casa Hunter e da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), destaca as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias: demora no diagnóstico (em média, leva de 5 a 7 anos até se chegar a um diagnóstico correto); desinformação e falta de conhecimento adequado sobre o tema (inclusive pelos profissionais de saúde responsáveis pelo caso); custo elevado de exames genéticos, consultas especializadas e terapias de suporte; acesso desigual aos serviços de saúde para as famílias que dependem exclusivamente do SUS.

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    Desenvolvida há quase 20 anos pela startup Neo4j, a tecnologia de banco de dados em grafos tem como objetivo identificar e armazenar a relação entre dados – e não apenas os dados em si. “A intenção é apresentar uma conexão visual dessas relações, que funcionam como as ligações promovidas pelas sinapses do cérebro. Assim, é possível descobrir padrões ocultos e obter insights altamente conectados em tempo real”, diz o VP Latam Paulo Farias da Neo4j. Diferentemente dos bancos tradicionais, que dependem de tabelas ou esquemas fixos, os bancos em grafos utilizam nós e conexões para representar, conectar e fornecer contexto às informações de maneira mais intuitiva e flexível. “Sendo até 1.000 vezes mais rápido e consumindo menos recursos de nuvem”, expõe Farias.


    No contexto das doenças raras, a tecnologia se torna uma solução que permite a pesquisadores e médicos conectar sintomas, variantes genéticas, publicações científicas e históricos clínicos em uma rede dinâmica e consultável. Isso contribui para a formulação de diagnósticos mais precisos e em menor tempo. “Levando em consideração os mais de 3 bilhões de DNA presentes no corpo humano, analisar e mapear a relação de cada um com diagnósticos, exames e medicamentos seria humanamente impossível. Sem falar nas mais de 6 mil a 8 mil doenças raras catalogadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, analisa Farias. O recurso tem sido utilizado no Hospital Infantil Dr. von Hauner, na Alemanha. Para isso, foi criado o Grafo de Conhecimento Clínico (CKG), que combina tecnologia de grafos, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina (ML), contendo dados de 2.500 pacientes pediátricos do país (até o momento). 

[...]


Adaptado de: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tecnologiainspirada-no-cerebro-pode-acelerar-diagnostico-de-doencas-raras/. Acesso em: 10 jun. 2025. 

Com base em excertos adaptados do texto de apoio, assinale a alternativa em que o uso vocabular ou ortográfico compromete a correção e a clareza do enunciado.
  1. AO uso de tecnologia de grafos tem contribuído para a análise de padrões clínicos em grandes bases de dados.
  2. BA startup desenvolveu uma solução neuronalizável, capaz de se ajustar aos fluxos cognitivos do paciente.
  3. CO diagnóstico de doenças raras ainda enfrenta desafios devido à heterogeneidade de sintomas.
  4. DA inteligência artificial tem sido integrada a protocolos clínicos com resultados promissores.
  5. EA combinação entre algoritmos e bancos de dados relacionais torna o processo de triagem mais eficiente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A startup desenvolveu uma solução neuronalizável, capaz de se ajustar aos fluxos cognitivos do paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso vocabular e clareza: identificando o neologismo que compromete o enunciado

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que apresenta um problema vocabular/ortográfico: o adjetivo "neuronalizável" é um neologismo não dicionarizado, formado artificialmente, que compromete a clareza e a correção do enunciado. As demais alternativas usam vocábulos consagrados e construções claras, sem qualquer vício de linguagem.

O comando pede que você assinale a alternativa em que o uso vocabular ou ortográfico compromete a correção e a clareza do enunciado. Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de qualidade lexical: você deve avaliar se cada frase está bem formada, com palavras adequadas e compreensíveis. A banca testa sua sensibilidade para perceber quando um termo é artificial, desnecessário ou mal formado.

No texto-base, a tecnologia é descrita como "inspirada no funcionamento do cérebro humano" e as conexões são comparadas a "sinapses do cérebro". A alternativa B tenta explorar essa ideia criando o adjetivo "neuronalizável", que não existe no vocabulário da língua portuguesa. Veja o trecho que fundamenta a comparação:

"A intenção é apresentar uma conexão visual dessas relações, que funcionam como as ligações promovidas pelas sinapses do cérebro."

O texto fala em "sinapses" e "inspirada no cérebro", mas jamais usa "neuronalizável". A palavra é um neologismo — uma criação nova — que não está dicionarizada e cujo sentido é vago: o que significaria "se ajustar aos fluxos cognitivos do paciente"? Essa expressão é confusa e pretensiosa, prejudicando a clareza. Em um texto técnico-científico, como o do texto-base, o uso de termos não consagrados é um defeito, não uma virtude.

A técnica para resolver: desconfie de palavras que você nunca viu em textos formais. Se um termo não é reconhecido pelos falantes nem pelos dicionários, ele compromete a comunicação. As alternativas A, C, D e E usam vocabulário corrente e preciso: "tecnologia de grafos", "heterogeneidade de sintomas", "inteligência artificial", "bancos de dados relacionais" — todos termos técnicos legítimos e claros.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "O uso de tecnologia de grafos tem contribuído para a análise de padrões clínicos em grandes bases de dados" é clara e correta. O termo "tecnologia de grafos" é usado no texto ("trata-se dos bancos de dados em grafos") e a construção é gramaticalmente impecável. Não há neologismo nem ambiguidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A palavra "neuronalizável" é o problema. Ela não existe no português padrão; é um neologismo artificial que tenta imitar um termo técnico, mas não é reconhecido. Além disso, a expressão "se ajustar aos fluxos cognitivos do paciente" é vaga e confusa. O texto fala em "sinapses" e "conexões", mas não autoriza a criação desse adjetivo. A alternativa compromete a clareza e a correção, exatamente o que o enunciado pede para identificar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O diagnóstico de doenças raras ainda enfrenta desafios devido à heterogeneidade de sintomas" é uma frase correta e clara. O termo "heterogeneidade" é dicionarizado e adequado ao contexto (o texto menciona "sintomas variados e que se sobrepõem"). Não há erro vocabular nem ortográfico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A inteligência artificial tem sido integrada a protocolos clínicos com resultados promissores" é uma frase bem formada. O texto menciona "inteligência artificial (IA)" e "aprendizado de máquina (ML)", e a construção é clara e correta. Não há neologismo nem ambiguidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A combinação entre algoritmos e bancos de dados relacionais torna o processo de triagem mais eficiente" é uma frase clara e correta. O texto fala em "bancos de dados em grafos" e "algoritmos" (implícito), e "bancos de dados relacionais" é um termo técnico consagrado. Não há erro vocabular.

NÃO CAIA NESSA!

A banca cria um neologismo plausível ("neuronalizável") que parece técnico, mas não é dicionarizado nem usado no texto. O candidato pode ser seduzido pela aparência de sofisticação, mas a clareza exige vocabulário reconhecido.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma palavra desconhecida em uma questão de "uso vocabular", pergunte: ela está no dicionário? É usada em textos formais? Se a resposta for não, é provável que seja o erro.

Gabarito: letra B — a única alternativa que compromete a correção e a clareza pelo uso de um neologismo artificial.

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