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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg538993
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IDEMA-RN
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Fiscal Ambiental

Tecnologia amplia papel das crianças como motores do conhecimento nas famílias

Por Jornal da USP


Estudo mostra como crianças nascidas após 2010 intensificaram a socialização do conhecimento com gerações anteriores, o que pode ser facilitado de acordo com a tecnologia, a escola e o tipo de interação entre pais e filhos


    Uma pesquisa feita na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP investiga quais são os fatores que influenciam o processo de socialização reversa de famílias brasileiras. Tal socialização ocorre quando a criança cresce adquirindo mais conhecimento que seus pais, o que acaba por gerar neles o interesse em aprender com os filhos. O trabalho foi idealizado por Murilo Lima Araújo, com orientação do professor Andres Rodrigues Veloso, do Departamento de Administração.

     “[Para o desenvolvimento do trabalho] me baseei na teoria da socialização do consumidor e da socialização reversa, que é um fenômeno estudado desde os anos 1970. Então, discorri sobre essa socialização nas características cotidianas: no futebol, na alimentação, viagens, roupas, sustentabilidade e tecnologia”, declarou o pesquisador. De acordo com Araújo, nas últimas décadas, as crianças têm desempenhado um papel dentro do contexto familiar diferente do que acontecia nas gerações anteriores. Esse cenário ocorre em virtude das mudanças na sociedade atual, por exemplo, as políticas garantidoras de educação e a alteração do currículo escolar. Além disso, a acessibilidade à tecnologia, proteção contra trabalho infantil, proteção contra abusos físicos, diminuição da fertilidade da população e alteração de estilos parentais mais restritivos para mais abertos desempenham um papel importante na geração atual.

    Levando essas questões em consideração, o estudo focou a geração de indivíduos que nasceram a partir do ano de 2010, também denominada Geração Alfa, a qual possui um elevado potencial cognitivo (AV1), consequência de estarem sendo socializados em um ambiente com altos estímulos provocados pela revolução digital. “As gerações anteriores a essa [Alfa] tiveram menos oportunidade de estudo, nasceram no mundo analógico. E sabemos que isso impacta muito na comunicação das pessoas”, analisou.

     A metodologia utilizada para o desenvolvimento do projeto se deu em uma pesquisa qualitativa em duas etapas: foram coletados desenhos feitos por crianças de 7 a 11 anos em uma escola estadual, bem como a realização de entrevistas em profundidade com as famílias. Já a análise dos dados ocorreu por meio de triangulação de ambas as coletas. Dessa forma, os desenhos foram analisados, conforme a literatura pesquisada, e as entrevistas foram transcritas verbatim e codificadas por meio do software Atlas.ti.

    Dessa maneira, foi evidenciado que os fatores que facilitam a socialização reversa são: tecnologia, escola e estilo parental, isto é, a natureza da interação de pais e filhos. Com efeito, os resultados da pesquisa indicam que esse tipo de socialização é manifestado através do consumo de eletrônicos, consumo de roupas, atitudes pró-ambientais, atividade física, relações interpessoais e inteligência emocional.

     Segundo Costa, os achados de seu trabalho podem auxiliar na elaboração de ações educacionais para gerações mais velhas no intuito de diminuir as lacunas geracionais. “Como contribuição social, é interessante para gestores públicos pensar em estratégias de marketing político, para, de repente, utilizar a criança como socializadora no combate à obesidade”. Ademais, a sociedade, em geral, poderá refletir sobre a educação que está propiciando aos seus filhos e suas possíveis consequências positivas e negativas.


Adaptado de: https://jornal.usp.br/ciencias/cienciashumanas/tecnologia-amplia-papel-das-criancas-como-motores-doconhecimento-nas-familias/. Acesso em: 10 jun. 2025

Tomando como referência fragmentos adaptados do texto de apoio, assinale a alternativa redigida em conformidade com as normas de concordância verbal e de regência.
  1. AFazem-se necessárias adaptações curriculares que atendam às demandas da nova geração.
  2. BDevem haver, no contexto atual, mecanismos que favoreçam o diálogo entre escola e família.
  3. CO processo de socialização reversa necessita apoio das famílias e da escola.
  4. DNão se tratam apenas de preferências individuais, mas de padrões consolidados.
  5. EAs diretrizes educacionais deveriam visar em preparar os pais para os desafios digitais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fazem-se necessárias adaptações curriculares que atendam às demandas da nova geração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e regência: a alternativa que respeita a norma culta

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única inteiramente correta porque emprega a voz passiva sintética com a partícula apassivadora "se": o verbo "fazer" concorda com o sujeito paciente "adaptações curriculares" (plural), e a regência de "atender" exige a preposição "a" (atender a algo), com crase diante de palavra feminina ("às demandas"). As demais alternativas apresentam desvios de concordância ou de regência, como se prova a seguir.

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa "redigida em conformidade com as normas de concordância verbal e de regência". Isso significa que você deve testar cada frase em dois eixos: (1) o verbo concorda corretamente com o sujeito (ou permanece invariável quando impessoal) e (2) a preposição exigida pelo verbo está correta (regência verbal). Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada — a resposta se prova pela regra, não pelo conteúdo do texto-base.

A técnica que decide

Para cada alternativa, pergunte: qual é o sujeito do verbo? Se o verbo for impessoal (haver no sentido de existir, tratar-se), ele fica no singular. Se houver partícula "se", verifique se ela é apassivadora (o verbo concorda com o sujeito paciente) ou índice de indeterminação do sujeito (verbo fica no singular). Depois, verifique a preposição exigida pelo verbo: necessitar exige "de", visar exige "a" (e não "em"), atender exige "a". A alternativa correta é a que acerta os dois eixos simultaneamente.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Fazem-se necessárias adaptações curriculares que atendam às demandas da nova geração."

Aqui, o "se" é partícula apassivadora: a frase equivale a "adaptações curriculares são feitas necessárias". O verbo "fazer" concorda com o sujeito paciente "adaptações curriculares" (plural), por isso "fazem-se". Além disso, o verbo "atender" rege a preposição "a" (atender a algo), e diante de palavra feminina "demandas" ocorre a crase: "às demandas". Perfeita em ambos os eixos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Devem haver, no contexto atual, mecanismos que favoreçam o diálogo entre escola e família."

O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal — não tem sujeito e fica sempre no singular. O correto seria "Deve haver". A alternativa erra ao flexionar o verbo no plural, como se "mecanismos" fosse sujeito. Erro de concordância verbal (verbo impessoal).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O processo de socialização reversa necessita apoio das famílias e da escola."

O verbo "necessitar" é transitivo indireto — exige a preposição "de". O correto é "necessita de apoio". A alternativa omite a preposição, configurando erro de regência verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não se tratam apenas de preferências individuais, mas de padrões consolidados."

O verbo "tratar-se" (no sentido de "ser a respeito de") é impessoal quando seguido da preposição "de" — fica sempre no singular: "Não se trata". A alternativa flexiona no plural, como se "preferências" fosse sujeito. Erro de concordância verbal (verbo impessoal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"As diretrizes educacionais deveriam visar em preparar os pais para os desafios digitais."

O verbo "visar" no sentido de "ter como objetivo" é transitivo indireto e rege a preposição "a", não "em". O correto é "visar a preparar". Além disso, a construção "visar em" é um desvio de regência. Erro de regência verbal.

Conclusão

A única alternativa que respeita simultaneamente a concordância verbal e a regência é a letra A. As demais erram por flexão indevida de verbo impessoal (B e D), omissão de preposição (C) ou preposição incorreta (E).

PEGA ESSA DICA!

Ao testar concordância, identifique primeiro se o verbo é impessoal (haver, tratar-se) — eles nunca variam. Na regência, memorize as preposições dos verbos mais cobrados: necessitar de, visar a, atender a, aspirar a.

Gabarito: letra A

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