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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg539114
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Assistente de Alunos
Cortar o glúten? Pesquisa revela por que essa
pode ser uma ideia desastrosa


Por Victor Bianchin


         Um novo estudo comparou 39 alimentos com e sem glúten para analisar as diferenças reais entre eles. A conclusão pode ser um choque para quem está adotando dietas “gluten free” por motivos de saúde: os alimentos sem glúten contêm menos fibras, menos proteínas e menos nutrientes essenciais.

        O estudo, publicado no periódico Plant Foods for Human Nutrition, afirma que, devido a essas faltas, os supostos benefícios da dieta sem glúten, como diminuição de peso e controle da diabetes, são exagerados. Além dos problemas citados, os alimentos sem glúten possuem quantidades de açúcar mais elevadas em comparação aos que contém a proteína. Por isso, estão associados a um aumento do índice de massa corporal (IMC) e de deficiências nutricionais.

       Nos EUA, os produtos sem glúten são definidos como aqueles que contêm no máximo 20 partes por milhão de glúten. Em geral, eles não contêm ingredientes como trigo, centeio, cevada e, às vezes, aveia. Esses ingredientes são ricos em arabinoxilano, um polissacarídeo não amiláceo essencial. O arabinoxilano oferece vários benefícios à saúde, incluindo a promoção de bactérias benéficas no intestino, a melhora da digestão, a regulação dos níveis de açúcar no sangue e o suporte a uma microbiota intestinal equilibrada.

       É curioso notar, entretanto, que um produto específico se mostrou exceção. O pão sem glúten com sementes contém significativamente mais fibras – 38,24 gramas por 100 gramas – do que suas versões com glúten. O estudo sugere que isso se deve, provavelmente, aos esforços dos fabricantes para compensar a deficiência de fibras utilizando ingredientes como pseudocereais, amaranto e hidrocoloides de quinoa.

        Essas adições, no entanto, mudam muito de região para região e de fabricante para fabricante, de modo que não é possível atestar com certeza que qualquer pão sem glúten tem mais fibras do que um com glúten.

       A princípio, o consumo de alimentos sem glúten só era indicado para pessoas com doença celíaca ou com alergia a trigo. No entanto, a partir do final dos anos 2000, começou a se popularizar na mídia a ideia de que uma dieta sem glúten poderia trazer benefícios como a perda de peso e a melhora na digestão, mesmo para quem não tinha intolerância diagnosticada. 

     O crescimento dessa tendência foi impulsionado por celebridades, influenciadores de saúde e livros como Barriga de Trigo (2011), de William Davis, e A Dieta da Mente (2013), de David Perlmutter, que associaram o consumo de glúten a diversos problemas de saúde. A indústria de alimentos respondeu lançando ao grande público diversos alimentos sem glúten e criando um novo nicho — em 2024, o mercado global de produtos sem glúten movimentou US$ 7,28 bilhões.
 
      Em 2023, uma pesquisa da UESB detectou que, no Brasil, os produtos sem glúten apresentam menor teor calórico (5% a 35%), mas também menor teor de carboidratos (1% a 13%), de gorduras totais (10% a 140%), proteína (35% a 192%) e fibras (11% a 94%), para a maioria das categorias analisadas. Além disso, o preço final ao consumidor chega ser até 110% mais caro quando comparado com as versões com glúten do mesmo produto, em todas as categorias analisadas. 


Texto adaptado de: https://super.abril.com.br/saude/cortar-o-glutenpesquisa-revela-por-que-essa-pode-ser-uma-ideia-desastrosa/.Acesso em: 14 mar. 2025.
De acordo com o texto, assinale a alternativa que apresenta o fator que contribuiu significativamente para a popularização da dieta sem glúten entre pessoas sem intolerância diagnosticada.
  1. AA comprovação científica de que o glúten causa ganho de peso e problemas digestivos em toda a população.
  2. BA necessidade da indústria alimentícia de substituir o trigo, a cevada e o centeio por ingredientes mais nutritivos e acessíveis.
  3. CA influência de celebridades, influenciadores e livros que associaram o consumo de glúten a diversos problemas de saúde.
  4. DA exigência dos órgãos de saúde para que todos os alimentos vendidos nos EUA fossem reformulados para não terem glúten.
  5. EA descoberta de que os produtos sem glúten contêm maior teor de fibras e proteínas, promovendo uma alimentação mais equilibrada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A influência de celebridades, influenciadores e livros que associaram o consumo de glúten a diversos problemas de saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fator de popularização da dieta sem glúten

Gabarito: letra C. O texto aponta claramente que o fator que impulsionou a popularização da dieta sem glúten entre pessoas sem intolerância foi a influência de celebridades, influenciadores e livros, conforme o trecho:

"O crescimento dessa tendência foi impulsionado por celebridades, influenciadores de saúde e livros como Barriga de Trigo (2011) ... que associaram o consumo de glúten a diversos problemas de saúde."

Nenhuma outra alternativa é sustentada pelo texto. Vejamos cada uma:

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto afirma que os "supostos benefícios ... são exagerados" e não há comprovação científica de que o glúten cause ganho de peso e problemas digestivos em toda a população. Pelo contrário, a dieta sem glúten é indicada apenas para celíacos. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A indústria respondeu à tendência, mas não foi a causa dela. O texto diz: "A indústria de alimentos respondeu lançando ...". A popularização veio antes, por influência midiática. Erro: fora do escopo (fator errado).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exato: o texto menciona celebridades, influenciadores e livros como impulsionadores. Não há necessidade de inferência; é informação explícita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não há menção a nenhuma exigência de órgãos de saúde para reformular alimentos. O texto apenas define produtos sem glúten nos EUA como os que contêm no máximo 20 ppm. Erro: contradiz o texto (inexistente).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto mostra que, em geral, os produtos sem glúten têm menos fibras e proteínas (exceto um tipo de pão específico). Afirmar o contrário é ignorar a tese central. Erro: contradiz o texto.

Conclusão: A única alternativa plenamente apoiada pelo texto é a C.

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