Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg539464
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Português/Inglês
Texto III

Sabiá


(Chico Buarque e Tom Jobim)

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez
Possa espantar as noites
Que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Eu não sou mais triste
E que a nova vida
Já vai chegar
E que a solidão
Vai se acabar


Buarque, C. (s.d.). Sabiá. Disponível em:
https://www.letras.mus.br/blog/sabia. Acesso em: 21 mar. 2025.
A linguagem utilizada na canção “Sabiá” constrói sentidos simbólicos, recorrendo a diversos recursos expressivos. O verso “fiz estradas de me perder”, por exemplo, é especialmente significativo nesse contexto. Sobre a figura de linguagem presente nesse verso, assinale a alternativa correta.
  1. ATrata-se de uma metonímia, pois “estradas” substituem o destino pelo percurso.
  2. BO verso exemplifica uma paronomásia, visto que “estradas” são figurativas, representando trajetórias de vida que levam ao desequilíbrio emocional.
  3. CA construção revela uma metáfora, já que “estradas” não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior.
  4. DÉ um exemplo de paradoxo, pois, de forma contraditória, atribui, a ação humana de “perder-se” a um elemento inanimado como “estradas”.
  5. EO trecho traz uma ironia sutil, pois revela uma contradição entre o ato de construir estradas e o objetivo de se perder.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A construção revela uma metáfora, já que “estradas” não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem em "Sabiá": a metáfora de "fiz estradas de me perder"

Gabarito: letra C. O verso "fiz estradas de me perder" é uma metáfora, pois "estradas" não são vias reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior — como se lê na própria alternativa C, que é a única que descreve corretamente a transferência de sentido. A banca cobra a identificação da figura de palavra com base no efeito de sentido construído no texto, e não uma definição decorada.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a figura de linguagem presente no verso "fiz estradas de me perder". Isso é uma questão de interpretação de texto aplicada à semântica: você precisa reconhecer o recurso expressivo que o autor utiliza para criar um sentido simbólico. Não se trata de gramática normativa, mas de análise do efeito de sentido que as palavras produzem no contexto poético.

O texto e o movimento argumentativo

A canção "Sabiá" fala de um eu lírico que vai voltar para um lugar que já não existe mais — "uma palmeira que já não há", "colher a flor que já não dá". Há uma tensão entre o desejo de retorno e a consciência de que o passado é irrecuperável. Nesse contexto, o verso "fiz estradas de me perder" expressa a ideia de que o eu lírico, ao longo da vida, construiu caminhos que o levaram a se perder, ou seja, a se desorientar emocionalmente. A palavra "estradas" não é usada em seu sentido literal (vias de trânsito), mas em sentido figurado, como símbolo das escolhas e trajetórias de vida.

A técnica: como distinguir metáfora de outras figuras

A metáfora é uma comparação implícita em que um termo é empregado fora do seu sentido próprio, criando uma identificação entre dois elementos diferentes. No verso, "estradas" são comparadas a caminhos existenciais — não há conectivo comparativo (como "como"), mas a transferência de sentido é clara: o eu lírico "faz estradas" que o levam a "se perder", ou seja, suas escolhas o conduzem à desorientação. A metáfora é uma figura de palavra, pois opera sobre o significado dos vocábulos.

Já a metonímia (alternativa A) é a substituição de um termo por outro com o qual tem relação de contiguidade (causa/efeito, autor/obra, continente/conteúdo, etc.). No verso, não há substituição de "destino" por "percurso" — há uma comparação implícita entre estradas e caminhos de vida, o que caracteriza metáfora, não metonímia.

A paronomásia (alternativa B) é uma figura de som, que explora a semelhança sonora entre palavras de significados diferentes (ex.: "quem casa quer casa"). No verso, não há jogo de sons — há transferência de sentido, o que a descarta.

O paradoxo (alternativa D) é uma figura de pensamento que apresenta uma contradição lógica (ex.: "estou cego e vejo"). No verso, não há contradição: "fazer estradas" e "perder-se" não são logicamente opostos — a construção é metafórica, não paradoxal.

A ironia (alternativa E) é uma figura de pensamento que diz o contrário do que se quer dizer, geralmente com intenção crítica ou humorística. No verso, não há intenção de zombaria ou crítica — há expressão lírica de um sentimento, o que a descarta.

Análise das alternativas

Figuras de linguagem
  • 1Figuras de palavra
    • Metáfora
      • Comparação implícita
      • Transferência de sentido
    • Metonímia
      • Substituição por contiguidade
  • 2Figuras de som
    • Paronomásia
      • Semelhança sonora
  • 3Figuras de pensamento
    • Paradoxo
      • Contradição lógica
    • Ironia
      • Dizer o contrário
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura (metonímia). A alternativa afirma que "estradas" substituem o destino pelo percurso, o que caracterizaria metonímia. No entanto, no verso, "estradas" não substituem nada — elas simbolizam caminhos de vida, em uma comparação implícita. A metonímia exigiria uma relação de contiguidade (ex.: "beber um copo" = o conteúdo), o que não ocorre aqui. A banca tenta confundir o candidato com a definição de metonímia, mas o efeito é claramente metafórico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura (paronomásia). A alternativa afirma que o verso exemplifica paronomásia, mas paronomásia é uma figura de som que explora a semelhança sonora entre palavras (ex.: "quem casa quer casa"). No verso, não há jogo de sons — há transferência de sentido. A alternativa até menciona que "estradas" são figurativas, o que se aproxima da metáfora, mas a classificação como paronomásia é incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Metáfora. A alternativa descreve corretamente o verso: "estradas" não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior. Isso é exatamente o que ocorre no texto: o eu lírico "faz estradas" que o levam a "se perder", ou seja, suas escolhas de vida o desorientam. A transferência de sentido é clara, caracterizando a metáfora como figura de palavra.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura (paradoxo). A alternativa afirma que o verso é um paradoxo, pois atribui a ação de "perder-se" a um elemento inanimado ("estradas"). No entanto, paradoxo é uma contradição lógica (ex.: "o silêncio fala"). No verso, não há contradição — "fazer estradas" e "perder-se" não são logicamente opostos. A construção é metafórica, não paradoxal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura (ironia). A alternativa afirma que o verso traz ironia sutil, revelando contradição entre construir estradas e se perder. No entanto, ironia é uma figura de pensamento que diz o contrário do que se quer dizer, com intenção crítica ou humorística. No verso, não há intenção de zombaria — há expressão lírica de um sentimento de desorientação. A construção é metafórica, não irônica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre metáfora e metonímia, além de tentar atrair o candidato com definições de outras figuras (paronomásia, paradoxo, ironia) que não se aplicam ao verso. A chave é identificar a transferência de sentido — se há comparação implícita, é metáfora; se há substituição por contiguidade, é metonímia.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de linguagem, pergunte: "há comparação implícita?" (metáfora), "há substituição por contiguidade?" (metonímia), "há jogo de sons?" (paronomásia), "há contradição lógica?" (paradoxo), "há intenção de dizer o contrário?" (ironia). A resposta correta é a que descreve o efeito de sentido real do verso.

Conclusão: a única alternativa que descreve corretamente a figura de linguagem do verso "fiz estradas de me perder" é a letra C, pois reconhece a metáfora como transferência de sentido de "estradas" para caminhos existenciais. As demais alternativas confundem a figura com outras, como metonímia, paronomásia, paradoxo e ironia.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg539464