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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg539466
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Português/Inglês
Texto III

Sabiá


(Chico Buarque e Tom Jobim)

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez
Possa espantar as noites
Que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Eu não sou mais triste
E que a nova vida
Já vai chegar
E que a solidão
Vai se acabar


Buarque, C. (s.d.). Sabiá. Disponível em:
https://www.letras.mus.br/blog/sabia. Acesso em: 21 mar. 2025.
A canção “Sabiá” dialoga com o poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias. Esse diálogo intertextual se manifesta como
  1. Aum recurso de valorização do nacionalismo romântico, reforçando a crença na harmonia natural do Brasil do século XIX.
  2. Bum mecanismo de subversão poética, que ironiza o lirismo da literatura tradicional por meio da música popular urbana.
  3. Cuma atualização simbólica da saudade da terra natal, marcada agora por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo.
  4. Duma paródia satírica, que substitui a imagem do sabiá por símbolos urbanos para questionar o idealismo do Romantismo.
  5. Eum exemplo de informatividade textual que contradiz o uso de elementos simbólicos tradicionais, gerando ruptura semântica com o texto-base.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — uma atualização simbólica da saudade da terra natal, marcada agora por tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade em "Sabiá": atualização do exílio

Gabarito: letra C. A canção "Sabiá" dialoga com "Canção do Exílio" não para repetir o nacionalismo romântico, nem para ironizá-lo, mas para atualizar simbolicamente a saudade da terra natal em um contexto de exílio contemporâneo, marcado por tons melancólicos e políticos. Essa leitura se ancora no próprio texto: o eu lírico afirma que vai voltar, mas reconhece que a palmeira "já não há" e a flor "já não dá" — elementos que remetem ao poema de Gonçalves Dias, porém esvaziados de sua harmonia original.

O comando: interpretação de intertextualidade

A questão pede que você identifique como o diálogo intertextual se manifesta. Não basta reconhecer que há referência a "Canção do Exílio"; é preciso captar o efeito de sentido dessa referência. O verbo "manifesta" indica que a resposta exige interpretação — você deve inferir a intenção do autor a partir das pistas textuais, não apenas localizar elementos comuns.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O tema é o exílio e a saudade da terra natal. A tese, implícita, é que o retorno é desejado, mas a terra já não é a mesma — há uma perda irreparável. O movimento argumentativo se constrói pela repetição de "Vou voltar" (afirmação de desejo) contrastada com imagens de ausência: "uma palmeira que já não há", "a flor que já não dá". Essas imagens dialogam diretamente com o poema romântico, mas o tom é de melancolia e constatação de perda, não de exaltação ufanista.

A técnica: intertextualidade e seus tipos

Intertextualidade é o diálogo entre textos — um texto faz referência a outro, de forma implícita ou explícita. As principais formas são:

  • Citação: reprodução direta, com aspas e autoria.

  • Epígrafe: citação curta no início da obra, que anuncia o tema.

  • Paródia: criação a partir de outro texto, com finalidade humorística ou irônica.

  • Atualização simbólica: retoma elementos do texto original, mas os ressignifica, adaptando-os a um novo contexto — sem necessariamente ironizar.

A canção "Sabiá" não é uma paródia, pois não há humor ou ironia; é uma atualização simbólica: mantém a estrutura do exílio e da saudade, mas os insere na realidade contemporânea, com tons melancólicos e políticos.

Análise das alternativas

1Citação
Reprodução direta
2Epígrafe
Anuncia o tema
3Paródia
Humor ou ironia
4Atualização simbólica
Ressignifica elementos
Sem ironizar
Adapta a novo contexto
Intertextualidade
LEVELsoulevel.com.br
Intertextualidade: Citação (Reprodução direta); Epígrafe (Anuncia o tema); Paródia (Humor ou ironia); Atualização simbólica (Ressignifica elementos, Sem ironizar, Adapta a novo contexto)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o diálogo "reforça a crença na harmonia natural do Brasil do século XIX". O texto, porém, mostra o oposto: a palmeira "já não há" e a flor "já não dá" — não há harmonia, há perda. A canção não reforça o nacionalismo romântico; ela o questiona ao mostrar que a natureza idealizada não existe mais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa fala em "subversão poética" e "ironiza o lirismo da literatura tradicional". Não há ironia na canção; o tom é de melancolia e esperança ("Sei que o amor existe / Eu não sou mais triste"). A canção não zomba do lirismo romântico, mas o atualiza com seriedade.

Alternativa C — ✅ Correta

Esta é a resposta. A canção "atualiza simbolicamente a saudade da terra natal", com "tons melancólicos e políticos em um contexto de exílio contemporâneo". Isso se prova no texto:

"Vou voltar / Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar"

E também:

"Vou deitar à sombra / De uma palmeira que já não há / Colher a flor que já não dá"

Aqui, o eu lírico retoma os símbolos do poema de Gonçalves Dias (palmeira, flor, sabiá), mas os apresenta como ausentes — a terra natal não é mais a mesma. O tom é melancólico ("as noites / Que eu não queria") e há uma dimensão política implícita: o exílio contemporâneo, a perda do lugar. A canção não repete o nacionalismo romântico; ela o ressignifica para o contexto atual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa fala em "paródia satírica" e "substitui a imagem do sabiá por símbolos urbanos". Não há símbolos urbanos na canção; o sabiá permanece ("Uma sabiá"), e não há sátira. A canção mantém os elementos naturais, mas os mostra como perdidos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. A alternativa fala em "informatividade textual" e "ruptura semântica", conceitos que não se aplicam à análise da intertextualidade. A canção não "contradiz" o texto-base; ela o atualiza. O diálogo é de continuidade e ressignificação, não de ruptura.

Conclusão

A questão exige distinguir paródia (ironia) de atualização simbólica (ressignificação séria). A canção "Sabiá" retoma os símbolos do Romantismo, mas os insere em um contexto de perda e exílio contemporâneo, com melancolia e crítica política. Por isso, a alternativa C é a correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar intertextualidade, pergunte: o texto repete, ironiza ou atualiza o texto-base? Se não há humor, não é paródia; se há ressignificação séria, é atualização simbólica.

Gabarito: letra C

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