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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg539468
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Português/Inglês
Texto IVariação linguísticaO termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe etc., usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades.A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.A consciência de que a língua é variável remonta à Antiguidade, quando os primeiros estudiosos da língua grega tentaram sistematizá-la para o ensino e para a crítica literária. Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua. Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico. A consequência cultural desse processo histórico é que o termo língua passou a ser usado, no senso comum, para rotular exclusivamente esse modelo idealizado, literário, enquanto todos os usos reais, principalmente falados, foram lançados à categoria do erro.Com os avanços das ciências da linguagem, essa visão foi abandonada: o exame minucioso de cada variedade linguística revela que ela tem sua própria lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua literária idealizada, e serve perfeitamente bem como recurso de interação e integração social para seus falantes. Diante disso, um novo projeto de educação linguística vem se formando: é preciso ampliar o repertório e a competência linguística dos aprendizes, levá-los a se apoderar da escrita e dos muitos gêneros discursivos associados a ela, sem contudo desprezar suas variedades linguísticas de origem, valorizando-as, ao contrário, como elementos formadores de sua identidade individual e social e como patrimônio cultural do país.BAGNO, Marcos. Variação linguística. Glossário Ceale – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Universidade Federal de Minas Gerais, 2013. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceitolinguistico. Acesso em: 21 mar. 2025.Texto IIImagem associada para resolução da questãoConsiderando a relação entre os Textos I e II, assinale a alternativa correta.
  1. AO Texto II reproduz a fala popular apenas para fins cômicos, opondo-se à valorização da variação linguística proposta por Bagno no Texto I.
  2. BTanto o Texto I quanto o Texto II expressam, em seus contextos, uma valorização da diversidade linguística, sendo o segundo por meio do humor e da oralidade representada.
  3. CO Texto I defende a pluralidade linguística e rejeita a padronização formal, enquanto o Texto II reforça o preconceito linguístico por meio da caricatura.
  4. DA intertextualidade entre os Textos I e II evidencia que apenas as variedades linguísticas urbanas são socialmente reconhecidas.
  5. EA presença da oralidade no Texto II indica que a norma culta é inadequada para determinados gêneros textuais, como a tirinha, confirmando a crítica de Bagno no Texto I à linguagem coloquial, seja ela escrita ou oral.
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GabaritoB — Tanto o Texto I quanto o Texto II expressam, em seus contextos, uma valorização da diversidade linguística, sendo o segundo por meio do humor e da oralidade representada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre os Textos I e II: valorização da diversidade linguística

Gabarito: letra B. A questão pede a relação entre o texto teórico de Bagno (Texto I) e a tirinha (Texto II). A alternativa correta é a que reconhece que ambos valorizam a diversidade linguística, sendo que o Texto II o faz por meio do humor e da oralidade representada. Isso está ancorado no próprio Texto I, que defende a valorização das variedades linguísticas, e na natureza da tirinha, que reproduz a fala popular de forma bem-humorada, sem ridicularizá-la.

O comando: relação entre textos

O enunciado pede que você compare os dois textos e identifique a alternativa que expressa corretamente essa relação. Não é uma questão de compreensão literal de um único texto, mas de interpretação da intertextualidade – como o Texto II dialoga com as ideias do Texto I. Para resolver, você precisa: (1) entender a tese do Texto I; (2) observar como o Texto II (tirinha) se relaciona com essa tese – se a reforça, se a contradiz, se a ilustra.

O Texto I: a tese de Bagno

O Texto I é um verbete de glossário que explica o conceito de variação linguística. A tese central é que a língua é heterogênea, formada por múltiplas variedades, e que todas as variedades têm lógica própria e devem ser valorizadas, não tratadas como erro. Veja o trecho decisivo:

"o exame minucioso de cada variedade linguística revela que ela tem sua própria lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua literária idealizada, e serve perfeitamente bem como recurso de interação e integração social para seus falantes"

E mais adiante, sobre o novo projeto de educação linguística:

"sem contudo desprezar suas variedades linguísticas de origem, valorizando-as, ao contrário, como elementos formadores de sua identidade individual e social e como patrimônio cultural do país"

Ou seja, o Texto I valoriza a diversidade linguística e combate o preconceito. Essa é a chave para julgar as alternativas.

O Texto II: a tirinha

Tirinhas frequentemente usam a linguagem coloquial para criar humor e aproximação com o leitor. A questão afirma que o Texto II expressa valorização da diversidade por meio do humor e da oralidade representada – ou seja, a tirinha não ridiculariza a fala popular, mas a utiliza de forma natural e bem-humorada, o que está em sintonia com a defesa de Bagno.

A técnica: teste cada alternativa contra o texto

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a inversão de sentido. Algumas alternativas tentam fazer você acreditar que o Texto II é preconceituoso ou que o Texto I rejeita a norma culta – coisas que não estão no texto. A correta é a única que se sustenta integralmente.

1Texto I (Bagno)
Língua = polissistema
Valoriza variedades
Combate preconceito
2Texto II (tirinha)
Oralidade popular
Humor aproxima
Normaliza fala real
3Relação entre textos
Ambos valorizam diversidade
Texto II ilustra tese do I
Variação linguística
LEVELsoulevel.com.br
Variação linguística: Texto I (Bagno) (Língua = polissistema, Valoriza variedades, Combate preconceito); Texto II (tirinha) (Oralidade popular, Humor aproxima, Normaliza fala real); Relação entre textos (Ambos valorizam diversidade, Texto II ilustra tese do I)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O Texto II reproduz a fala popular apenas para fins cômicos, opondo-se à valorização da variação linguística proposta por Bagno no Texto I."

Erro: contradiz o texto. O Texto I valoriza a variação; o Texto II, ao usar a fala popular com humor, não se opõe a essa valorização – ele a ilustra. A palavra "apenas" restringe indevidamente a função do humor, e "opondo-se" inverte a relação. A tirinha não ridiculariza a fala popular; ela a representa de forma natural.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Tanto o Texto I quanto o Texto II expressam, em seus contextos, uma valorização da diversidade linguística, sendo o segundo por meio do humor e da oralidade representada."

Correta. O Texto I defende explicitamente a valorização das variedades (como visto no trecho citado). O Texto II, ao representar a oralidade popular em uma tirinha, também a valoriza – o humor não é usado para menosprezar, mas para aproximar o leitor da fala real. A alternativa é uma paráfrase fiel da relação entre os textos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O Texto I defende a pluralidade linguística e rejeita a padronização formal, enquanto o Texto II reforça o preconceito linguístico por meio da caricatura."

Erro: contradiz o texto. O Texto I não rejeita a padronização formal – ele apenas critica a visão de que só a norma culta é válida. E o Texto II não reforça o preconceito; ao contrário, ao usar a fala popular com humor, ele a normaliza. A palavra "rejeita" e "reforça o preconceito" são inversões do sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A intertextualidade entre os Textos I e II evidencia que apenas as variedades linguísticas urbanas são socialmente reconhecidas."

Erro: extrapolação. O texto não afirma que apenas as variedades urbanas são reconhecidas. Pelo contrário, o Texto I menciona variedades de vários níveis (regional, social, etário etc.) e defende que todas têm valor. A palavra "apenas" é um absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A presença da oralidade no Texto II indica que a norma culta é inadequada para determinados gêneros textuais, como a tirinha, confirmando a crítica de Bagno no Texto I à linguagem coloquial, seja ela escrita ou oral."

Erro: contradiz o texto e extrapola. O Texto I não critica a linguagem coloquial – ele a valoriza. E o Texto II não indica que a norma culta é "inadequada" para a tirinha; apenas mostra que a tirinha usa a oralidade como recurso expressivo. A alternativa inverte a posição de Bagno e acrescenta uma ideia (inadequação da norma) que não está no texto.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de relacionar textos e identificar a tese comum. A alternativa B é a única que não extrapola, não contradiz e não restringe o sentido. Lembre-se: quando a banca pede a relação entre textos, procure a alternativa que sintetize a ideia central de ambos, sem acrescentar opiniões ou inverter posições.

PEGA ESSA DICA!

Grife no Texto I as palavras-chave "valorização", "variedade", "identidade" – elas são o norte para julgar as alternativas. Se uma alternativa disser que o texto "rejeita" ou "critica" algo que ele na verdade valoriza, está errada.

Gabarito: letra B

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