Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
qg539469
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF-MS
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor EBTT - Português/Inglês
O Texto II, ao empregar um registro linguístico marcado por elementos da oralidade, promove uma representação estilizada de uma variedade regional da língua portuguesa. Considerando essa característica, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).I. A linguagem utilizada no Texto II reproduz traços da oralidade própria de uma variedade popular rural, conferindo verossimilhança à fala dos personagens.II. De acordo com a sociolinguística, a escolha linguística dos personagens do Texto II fere princípios de coerência e aceitabilidade textual, já que se distancia da norma culta.III. A intencionalidade comunicativa do Texto II está relacionada tanto à construção do humor quanto à valorização de uma identidade cultural marcada pela fala regional.IV. O Texto II explicita a necessidade do uso da língua como um sistema homogêneo, no qual a variedade padrão deve prevalecer como modelo linguístico superior, a fim de que possa ser efetivamente compreendida por todos.
AApenas I e III.
BApenas II e IV.
CApenas III.
DApenas I, II e IV.
EApenas I, III e IV.
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GabaritoA — Apenas I e III.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Variação linguística e oralidade no Texto II
SE LIGUE NESSA!
Esta questão depende de um texto-base compartilhado com outras questões da mesma prova, e esse texto não está disponível. A resolução abaixo ensina o método para julgar cada assertiva, mas a confirmação final depende da leitura do Texto II no enunciado original. O gabarito oficial é a letra A (apenas I e III).
Gabarito: letra A. As assertivas I e III são as únicas corretas: a primeira descreve com precisão o efeito da oralidade na representação de uma variedade regional (verossimilhança), e a terceira capta a dupla intencionalidade do texto (humor + valorização cultural). As assertivas II e IV estão erradas porque partem de um preconceito linguístico: afirmam que a variação fere a coerência ou que a norma padrão deve prevalecer como modelo superior — ideias que o texto, ao valorizar a fala regional, não sustenta.
O comando e o que ele pede
O enunciado pede que você analise as assertivas e assinale a que aponta a(s) correta(s). Isso é uma questão de compreensão e interpretação do Texto II, com foco em variação linguística. O comando não pede inferência profunda, mas exige que você confronte cada afirmativa com o que o texto efetivamente faz — não com o que você acha que deveria fazer. A banca quer que você reconheça o valor da oralidade como recurso expressivo, não como defeito.
O texto e o movimento argumentativo
O Texto II, segundo o enunciado, emprega um registro linguístico marcado por elementos da oralidade para representar uma variedade regional da língua. Isso significa que o autor escolheu reproduzir a fala de personagens de uma região específica, com suas marcas próprias (sotaque, vocabulário, construções sintáticas). Essa escolha não é acidental: ela serve a propósitos comunicativos — dar verossimilhança (I), construir humor e valorizar uma identidade cultural (III). O texto, portanto, não defende que a variação seja um erro; pelo contrário, ela é um recurso estilístico intencional.
A técnica que decide: variação linguística ≠ erro
A chave para esta questão é entender que variação linguística não é desvio. A sociolinguística (ciência que estuda a relação entre língua e sociedade) mostra que toda língua varia conforme a região, a classe social, o contexto e a situação. Uma variedade popular rural é legítima e adequada ao contexto em que é usada — no caso, a fala de personagens. Portanto:
Coerência e aceitabilidade (II) não são violadas pela variação; um texto é coerente se faz sentido para seus interlocutores, e a fala regional é perfeitamente aceitável no contexto em que ocorre.
Homogeneidade e superioridade da norma padrão (IV) é uma visão preconceituosa e cientificamente superada. A norma padrão é uma variedade entre muitas, não a "melhor" — é apenas a variedade de prestígio social.
O texto, ao valorizar a fala regional, contradiz essas duas ideias. Ele não diz que a variedade padrão deve prevalecer; diz, implicitamente, que a variedade regional tem valor e função.
Análise das assertivas
Variação linguística
1Valorizada pelo texto
Verossimilhança (I)
Humor + identidade cultural (III)
2Não é defeito
Não fere coerência (II)
Não exige norma padrão (IV)
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Assertiva I — ✅ Correta
A assertiva afirma que a linguagem do Texto II reproduz traços da oralidade própria de uma variedade popular rural, conferindo verossimilhança à fala dos personagens. Isso está diretamente no enunciado: o texto emprega "um registro linguístico marcado por elementos da oralidade" para representar "uma variedade regional". A palavra verossimilhança (aparência de verdade) é exatamente o efeito de fazer o leitor acreditar que aqueles personagens realmente falam daquela forma. A assertiva é uma paráfrase fiel do que o texto faz.
Assertiva II — ❌ Incorreta
A assertiva diz que a escolha linguística dos personagens fere princípios de coerência e aceitabilidade textual, porque se distancia da norma culta. Isso é falso por dois motivos:
Coerência não depende da norma culta; depende da lógica interna do texto. Uma fala regional pode ser perfeitamente coerente.
Aceitabilidade é a adequação ao contexto. No contexto de uma narrativa regional, a fala popular é aceitável e até esperada.
A assertiva contradiz o texto, que valoriza a oralidade como recurso expressivo. Ela parte de um preconceito linguístico — a ideia de que o que foge à norma é "errado" — que o texto não compartilha.
Assertiva III — ✅ Correta
A assertiva afirma que a intencionalidade comunicativa do Texto II está relacionada tanto à construção do humor quanto à valorização de uma identidade cultural marcada pela fala regional. Isso é plausível e coerente com o que o enunciado diz: o texto usa a oralidade de forma estilizada (ou seja, intencional, não acidental). A estilização da fala regional pode gerar humor (pela diferença em relação à norma) e, ao mesmo tempo, valorizar a cultura regional (ao dar voz a personagens que falam daquela forma). A assertiva capta a dupla função do recurso linguístico.
Assertiva IV — ❌ Incorreta
A assertiva diz que o Texto II explicita a necessidade do uso da língua como um sistema homogêneo, no qual a variedade padrão deve prevalecer como modelo superior. Isso é totalmente contrário ao que o texto faz. O texto não defende homogeneidade; ele celebra a diversidade ao representar uma variedade regional. A ideia de que a norma padrão é "superior" é um preconceito linguístico que o texto, ao valorizar a fala regional, rejeita. A assertiva extrapola e contradiz o texto.
Conclusão
As assertivas I e III são as únicas corretas. A II e a IV erram ao tratar a variação linguística como defeito ou como algo a ser superado pela norma padrão — uma visão que o texto, ao estilizar a fala regional, não sustenta. Portanto, a alternativa correta é a letra A.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o preconceito linguístico do candidato. As assertivas II e IV parecem "corretas" para quem acha que "falar errado" é um problema. Mas o texto valoriza a variação — então qualquer assertiva que a trate como erro está contradizendo o texto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de variação linguística, desconfie de assertivas que usam palavras como "fere", "erro", "superior", "deve prevalecer". A sociolinguística moderna não trata variação como defeito. Se o texto valoriza a fala regional, a assertiva que a condena está errada.