Questão de Português — Figuras de Linguagem — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qg539484
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor EBTT - Português/Português
- AMetonímia.
- BComparação.
- CPerífrase.
- DMetáfora.
- EPleonasmo.
GabaritoD — Metáfora.
Gabarito: letra D. O título do Texto 3 emprega uma metáfora, pois a palavra "selva" é usada em sentido figurado para designar o conjunto complexo e aparentemente caótico dos tempos verbais — uma comparação implícita, sem conectivo, entre dois universos distintos (a selva e o sistema verbal). Como se lê no texto, os verbos "expressam tempo" e as línguas variam no que "colocam" no verbo, o que sustenta a ideia de um emaranhado de possibilidades que a metáfora da "selva" evoca.
O comando pede a figura de linguagem presente no título, ou seja, exige que você identifique o recurso expressivo usado na expressão "A Selva dos Tempos Verbais". Não se trata de interpretar o texto inteiro, mas de reconhecer o mecanismo estilístico que dá título ao artigo. Para isso, é preciso dominar a distinção entre as figuras de palavras mais cobradas: metáfora, comparação, metonímia, perífrase e pleonasmo.
A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo (como, tal qual, assim como). No título, "selva" não é uma selva de verdade; é uma transferência de sentido: assim como uma selva é um ambiente denso, cheio de elementos que se cruzam, os tempos verbais formam um sistema intrincado e variado. O autor não diz "os tempos verbais são como uma selva" (isso seria comparação); ele simplesmente os chama de "selva", estabelecendo a equivalência de forma direta. O texto reforça essa leitura ao mostrar a diversidade de informações que os verbos podem carregar: tempo, aspecto, concordância, modo — "inúmeras coisas através de partículas ou morfemas acoplados".
A pegadinha da banca está em oferecer figuras que se aproximam da metáfora, mas que têm características próprias. A comparação (alternativa B) exige conectivo comparativo; a metonímia (alternativa A) é uma substituição por relação de proximidade lógica (autor pela obra, parte pelo todo); a perífrase (alternativa C) é a substituição de um nome por uma expressão que o designa (ex.: "Cidade Maravilhosa" por Rio de Janeiro); o pleonasmo (alternativa E) é a repetição de uma ideia. Nenhuma dessas se aplica ao título, pois não há conectivo, nem relação de contiguidade, nem substituição de nome próprio, nem redundância.
A banca explora a confusão clássica entre metáfora e comparação. Se houvesse o conectivo "como" ("A selva dos tempos verbais como um emaranhado"), seria comparação; sem conectivo, é metáfora. Fique atento à presença ou ausência do elemento comparativo.
Para identificar metáfora, pergunte: há comparação implícita entre dois elementos de universos diferentes? Se sim, e não houver conectivo, é metáfora. Se houver "como", "tal qual", "assim como", é comparação.
A metonímia consiste em substituir um termo por outro com o qual mantém relação de proximidade ou contiguidade lógica (autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito). No título, "selva" não substitui "tempos verbais" por uma relação desse tipo; há uma transferência de sentido por semelhança, não por contiguidade. O texto não autoriza essa leitura, pois não há nenhuma relação de parte-todo ou autor-obra entre "selva" e "tempos verbais".
A comparação (ou símile) exige um conectivo comparativo explícito, como "como", "tal qual", "assim como". No título, não há conectivo: o autor não diz "os tempos verbais são como uma selva"; ele diz diretamente "A Selva dos Tempos Verbais". A ausência do conectivo é justamente o que caracteriza a metáfora e afasta a comparação. O texto não apresenta nenhum termo comparativo que sustente a alternativa.
A perífrase (ou antonomásia) é a substituição de um nome próprio ou de um termo por uma expressão que o caracteriza (ex.: "O Rei do Futebol" por Pelé). No título, "selva" não é uma expressão que designa os tempos verbais por uma qualidade distintiva; é uma imagem metafórica. Não há substituição de um nome por outro equivalente, mas uma transferência de sentido. O texto não oferece base para essa classificação.
A metáfora é a figura de linguagem presente no título. O autor emprega "selva" em sentido figurado, estabelecendo uma comparação implícita entre a complexidade dos tempos verbais e a densidade de uma selva. O texto sustenta essa leitura ao descrever a variedade de informações que os verbos podem carregar: "além do tempo e do aspecto, os verbos podem carregar concordâncias de sujeito e objeto", "Podem expressar inúmeras coisas através de partículas ou morfemas acoplados". Essa diversidade e aparente desordem justificam a imagem da "selva". Não há conectivo comparativo, o que confirma a metáfora e não a comparação.
O pleonasmo é a repetição de uma ideia já contida em outra palavra (ex.: "subir para cima", "hemorragia de sangue"). No título, não há repetição de sentido; "selva" e "tempos verbais" são termos de universos distintos que se combinam metaforicamente. Não há redundância, e o texto não apresenta nenhum elemento que sugira pleonasmo.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra D, pois o título "A Selva dos Tempos Verbais" é uma metáfora — comparação implícita sem conectivo. As demais figuras (metonímia, comparação, perífrase, pleonasmo) não se aplicam, pois exigem elementos que o título não apresenta. Lembre-se: metáfora = comparação implícita; comparação = com conectivo; metonímia = relação de contiguidade; perífrase = substituição por expressão caracterizadora; pleonasmo = repetição de ideia.
Gabarito: letra D
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