Questão de Português — Paralelismo sintático e semântico — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qg539493
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor EBTT - Português/Português
- APaciente.
- BCausa.
- CInstrumento.
- DTema.
- EAgente.
GabaritoE — Agente.
Gabarito: letra E. No trecho “[...] ele escreveu sozinho um dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a gramática e a sintaxe do latim vulgar.”, o termo destacado “ele” exerce o papel semântico de agente, pois é o sujeito agente da forma verbal “escreveu”, na voz ativa. A prova está na própria estrutura da oração: o verbo “escrever” está na voz ativa, e o sujeito “ele” pratica a ação de escrever. Não há voz passiva no trecho, logo não há “agente da passiva” — mas o papel semântico de quem pratica a ação é, por definição, o de agente.
O enunciado pergunta pelo papel semântico do termo destacado, não pela função sintática. Isso é decisivo: papel semântico diz respeito ao papel que o termo desempenha na ação expressa pelo verbo — quem pratica (agente), quem sofre (paciente), o que causa (causa), o instrumento usado (instrumento), o assunto (tema). A banca quer que você identifique, no contexto, o papel de “ele” em relação ao verbo “escreveu”.
No texto, Ataliba Castilho fala de seu orientador de doutorado, Theodoro Maurer, e afirma:
“Quietinho, magrinho, filho de suíços, ele escreveu sozinho um dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a gramática e a sintaxe do latim vulgar.”
O pronome “ele” retoma “Theodoro Maurer” e é o sujeito da oração. O verbo “escreveu” está na voz ativa (sujeito pratica a ação). Portanto, “ele” é quem pratica a ação de escrever — papel semântico de agente.
Para resolver, pergunte: quem pratica a ação do verbo? Se o sujeito pratica, é agente. Se o sujeito sofre a ação (voz passiva), é paciente. No trecho, não há locução passiva (ser + particípio) nem partícula apassivadora “se”. A forma “escreveu” é ativa, e “ele” é o agente.
Confira a distinção com um exemplo clássico:
Voz | Exemplo | Papel do sujeito |
|---|---|---|
Ativa | “O desafiante derrotou o campeão.” | Agente (pratica) |
Passiva | “O campeão foi derrotado pelo desafiante.” | Paciente (sofre) |
No trecho da questão, “ele escreveu” está na voz ativa — “ele” é agente.
Paciente seria o papel de quem sofre a ação. No trecho, “ele” pratica a ação de escrever; não há sofrimento de ação. A alternativa confunde o papel de agente com o de paciente, que ocorreria se a frase fosse, por exemplo, “o trabalho foi escrito por ele” (aí “o trabalho” seria paciente e “por ele”, agente da passiva).
Causa seria o motivo que desencadeia a ação. No trecho, “ele” não é a causa de escrever; é quem escreve. A alternativa extrapola: atribui a “ele” um papel que não está na estrutura da oração.
Instrumento seria o meio pelo qual a ação é realizada (ex.: “escreveu com uma caneta”). No trecho, “ele” é o ser que pratica a ação, não o instrumento usado. A alternativa troca o papel de agente pelo de instrumento.
Tema seria o assunto sobre o qual algo é dito ou escrito. No trecho, o tema é “a gramática e a sintaxe do latim vulgar” (complemento do nome “trabalhos”). “Ele” não é o tema; é quem escreve sobre o tema. A alternativa confunde o papel do sujeito com o do complemento.
Agente é o papel de quem pratica a ação verbal. No trecho, “ele” (Theodoro Maurer) é o sujeito da forma ativa “escreveu”, portanto é o agente da ação de escrever. A alternativa está inteiramente sustentada pela estrutura da oração.
A banca explora a confusão entre papel semântico e função sintática, e a tentação de marcar “paciente” por associar “trabalhos” (objeto direto) a um suposto sofrimento de ação. Mas o termo destacado é “ele”, o sujeito agente — não o objeto.
Ao identificar papel semântico, pergunte sempre: “quem pratica a ação?” (agente) ou “quem sofre a ação?” (paciente). Se o verbo está na voz ativa, o sujeito é agente; se está na passiva, o sujeito é paciente e o agente vem com “por”.
Gabarito: letra E.
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