Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qg539499
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF-MS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor EBTT - Português/Português
- ANem sempre.
- BSua força.
- CPara.
- DOu.
- EAté mesmo.
GabaritoE — Até mesmo.
Gabarito: letra E. O termo "até mesmo" é o único que, no trecho, funciona como operador argumentativo de inclusão com valor de ápice: ele introduz o último elemento da enumeração como o mais forte da escala argumentativa. A passagem que comprova isso é a enumeração que vai de situações cotidianas até o caso extremo:
"...em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri."
O trecho "até mesmo" sinaliza que o julgamento no tribunal do Júri é o exemplo mais forte (o ápice) da escala de situações em que a argumentação está presente. As demais alternativas ou são meros conectivos de adição/alternância (C, D) ou não têm função de operador argumentativo (A, B).
O enunciado pede que você identifique, no trecho, o termo ou expressão que marca o argumento mais forte na escala argumentativa. Isso é diferente de simplesmente localizar um conectivo: a questão exige que você reconheça o operador argumentativo que, na hierarquia do texto, introduz o elemento de maior peso. A banca parte da afirmação da autora de que "Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento" — ou seja, você deve analisar o efeito de sentido que cada termo produz no encadeamento das ideias.
O trecho é uma enumeração de situações em que a argumentação está presente: conversas entre amigos, reclamações em fila, estratégias para agendar consulta, discussão com professor ou vendedor e, por fim, "situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri". A autora organiza esses exemplos em uma escala crescente de formalidade e complexidade. O conectivo "até mesmo" é o responsável por marcar o ponto máximo dessa escala: ele indica que o último item não é apenas mais um exemplo, mas o exemplo-limite, o que confirma a tese de forma mais contundente.
Operadores argumentativos são palavras ou expressões que orientam o leitor para uma determinada conclusão. Alguns têm a função específica de escalar os argumentos, ou seja, de indicar qual é o mais forte ou o mais fraco. É o caso de:
"até mesmo", "até", "inclusive": marcam o argumento mais forte, o ápice da escala (inclusão com valor de máximo).
"nem", "nem mesmo": marcam o argumento mais forte em uma escala negativa.
"não só... mas também", "tanto... como": somam argumentos em direção a uma mesma conclusão, mas sem necessariamente hierarquizar.
No trecho, "até mesmo" é o operador que hierarquiza: ele diz "se a argumentação está presente até mesmo em um julgamento, então está presente em qualquer situação". É o argumento decisivo.
"Nem sempre" é um advérbio de frequência que indica negação parcial. No trecho, ele aparece em "nem sempre percebemos sua força" e não tem função de operador argumentativo que escale argumentos. Ele apenas modifica o verbo "perceber", indicando que a percepção não é constante. Erro: não é operador de escala; é adjunto adverbial de frequência.
"Sua força" é um sintagma nominal que funciona como objeto direto do verbo "perceber". Não é um conectivo nem um operador argumentativo. Ele nomeia o que não percebemos, mas não estabelece relação de hierarquia entre os argumentos. Erro: é um termo da oração, não um operador argumentativo.
"Para" é uma preposição que, no trecho, introduz a finalidade "para conseguir agendar uma consulta médica". Ela estabelece uma relação de finalidade, mas não marca o argumento mais forte da escala. É um conectivo de subordinação, não um operador de escala. Erro: preposição com valor de finalidade, não de hierarquia argumentativa.
"Ou" é uma conjunção coordenativa alternativa. No trecho, aparece em "com um professor ou sobre um preço com um vendedor", indicando alternância entre duas opções equivalentes. Não há hierarquia: as duas situações estão no mesmo nível. Erro: conjunção de alternância, sem valor escalar.
"Até mesmo" é uma locução conjuntiva que funciona como operador argumentativo de inclusão com valor de ápice. No trecho, ela introduz o último elemento da enumeração — "situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri" — como o argumento mais forte da escala. A autora parte de exemplos cotidianos e chega a um exemplo extremo, e "até mesmo" sinaliza exatamente esse ponto máximo. É o termo que marca o argumento mais forte.
A banca explora a confusão entre conectivos que apenas somam ou alternam ideias (como "ou", "e") e o operador que introduz o ápice da escala ("até mesmo"). Fique atento: o que hierarquiza é o operador de inclusão com valor de máximo.
Ao procurar o argumento mais forte, pergunte: qual termo indica que o último item é o exemplo-limite? Palavras como "até", "até mesmo", "inclusive" são os marcadores clássicos de ápice em uma escala argumentativa.
Gabarito: letra E.
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